Fotografaram fogo e foram presos como incendiários

do Ponte Jornalismo

por Fausto Salvadori

Policiais acusaram fotógrafo premiado de ser autor do incêndio que fotografava, em ação que ONG Artigo 19 qualificou de “atentado à liberdade de expressão”
Foto tirada por André Lucas de Almeida pouco antes de ser preso

Numa ação cercada de irregularidades, policiais militares detiveram nesta segunda (17) dois fotógrafos que registravam um bloqueio com pneus queimados montado por manifestantes do MPL (Movimento Passe Livre) na Rua Colômbia, nos Jardins (bairro nobre na zona sul de São Paulo), próximo à casa do prefeito João Doria (PSDB). Levados ao 15º DP (Itaim Bibi), André Lucas de Almeida e Gustavo Ferreira de Oliveira foram autuados por suspeita de serem os autores do incêndio que fotografavam.

Membro do coletivo C.H.O.C Documental, Almeida venceu no ano passado o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria Fotografia pelo flagrante de uma agressão policial contra um estudante. Já Oliveira atuou no site Democratize e hoje é independente. Ouvido pela Ponte Jornalismo, Almeida contou que, enquanto estava sendo preso, ouviu um sermão de um policial sobre ética jornalística: “O PM me disse que a profissão de jornalismo precisaria de diploma, porque falta ética para muito jornalista”.

Almeida conta que ele e Oliveira foram aos Jardins, na manhã desta segunda-feira, para acompanhar um protesto de caçambeiros contra uma mudança nas regras para retirada de entulho. “A gente nem sabia que haveria um protesto do MPL”, conta. Os dois se encontraram num posto de gasolina da Avenida Brasil, onde lancharam um salgado. “Depois, a gente cruzou com uma movimentação de pessoas que passou na nossa frente com pneus e ateou fogo ali perto. Tiramos as câmeras e fomos tirar foto”, conta. O MPL protestava contra o aumento nas tarifas de transporte que entrou em vigor no sábado (15/4).

Primeiro, a dupla fotografou o trabalho de dois policiais militares que foram até a local liberar o trânsito. Eles se identificaram como jornalistas e perguntaram o que havia acontecido. “Alguns putos tacaram fogo aí, não sei quem foi”, respondeu um PM, conforme o relato de Almeida. Depois que a polícia apagou o fogo, os fotógrafos resolveram sair dali. Nisso, foram cercados por outros dois PMs, o cabo Danilo Sousa Caffel e o soldado Douglas Junior Marques Rodrigues, da 2ª Companhia do 23º Batalhão. “Eles vieram correndo atrás da gente e nos abordaram. ‘Mão na cabeça’, etc. Disseram que a gente tinha ateado fogo aos pneus, que uma câmera tinha filmado isso e que uma testemunha havia confirmado”.

Em seguida, Almeida e Oliveira foram colocados no “chiqueirinho” da viatura de polícia. Em vez de serem levados diretamente à delegacia para o registro da ocorrência, foram deixados antes na sede da 2ª Companhia do 23º Batalhão. Ali, a PM os submeteu a um procedimento sem previsão nas normas policiais. “Eles tiraram fotos de nós. Me obrigaram a tirar a camisa para fotografar uma tatuagem no peito”, relata.

Somente depois de serem fotografados pela PM é que os fotógrafos foram levados para o 15º DP, ao lado da companhia da PM. Ali, segundo Almeida, o delegado Percival de Moura Alcântara Jr. começou perguntando se eram ligados a algum partido político. Depois de ambos responderam que não, o delegado disse que havia filmagens comprovando a participação de ambos no incêndio. No registro do Boletim de Ocorrência, porém, não há menção às tais filmagens, mas ao depoimento de uma testemunha.

No depoimento registrado no B.O., a testemunha afirma que viu cinco pessoas retirarem vários pneus de dentro de um automóvel Jetta prata e colocá-los na Rua Colômbia. Após atear fogo aos pneus, o grupo passou a “tirar fotos com máquinas fotográficas” do incêndio. A testemunha afirma ter reconhecido os fotógrafos como autores do incêndio, mas o texto do Boletim de Ocorrência deixa claro que o reconhecimento de Almeida e Oliveira não seguiu as normas previstas no artigo 226 do Código de Processo Penal, que obriga a autoridade a fazer um reconhecimento presencial, colocando o suspeito ao lado de pessoas parecidas, e a elaborar um “auto pormenorizado” com a presença de “duas testemunhas presenciais”. O procedimento feito pela testemunha não seguiu nenhuma destas regras: segundo o B.O., o reconhecimento foi feito por fotografias.

Oliveira e Almeida foram registrados como “averiguados” pelo crime de incêndio, que prevê pena de três a seis anos de reclusão. O delegado fez questão de registrar no boletim que não tinha “cabal convicção da autoria” dos suspeitos.

Reações

Para a advogada Camila Marques, coordenadora do Centro de Referência Legal em Liberdade de Expressão e Acesso à Informação da ONG Artigo 19, que foi à delegacia acompanhar a ação dos policiais, a detenção dos fotógrafos significou “um grande atentado à liberdade de expressão e de imprensa”.

“Não há qualquer indício de cometimento de crime pelos dois fotojornalistas. A Artigo 19 repudia a detenção desses dois comunicadores e entende que a ação policial foi totalmente ilegal”, afirma advogada. “É bom lembrar que a atuação da PM neste episódio contraria a recomendação do Ministério Público de São Paulo, que pediu uma reavaliação do comportamento da PM em relação a comunicadores em situação de protesto.”

A Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de SP (Arfoc-SP) também protestou. “A Arfoc-SP repudia mais uma vez a ação e considera grave atentado contra o jornalismo e o direito de informar. Aguardamos pronunciamento da Secretaria de Segurança no sentido de esclarecer e punir com rigor”, escreveu no Facebook.

Não é a primeira vez que André Lucas de Almeida sofre uma violência policial. Em 18 de setembro do ano passado, o fotógrafo protagonizou o 300º caso de violação contra jornalistas na cobertura de manifestações, desde junho de 2013, registrado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A imagem tirada por André, instantes antes de ser agredido, viralizou:

Foto: André Lucas de Almeida/CHOC Documental

Outro lado

Sobre a prisão dos fotógrafos, a assessoria de imprensa da PM emitiu a seguinte nota:

A Polícia Militar esclareceu que hoje (17), por volta das 7:00 horas, integrantes do MPL (Movimento Passe Livre) colocaram pneus na Av. Europa, 230 – Jardim Europa, São Paulo e atearam fogo para protestarem contra o aumento da tarifa. Policiais militares ao chegarem no local apagaram o fogo e liberaram a via, entretanto os indivíduos já tinham deixado o local. Uma testemunha indicou a direção que os indivíduos empreenderam fuga. Os policiais militares localizaram e abordaram dois indivíduos. A ocorrência foi encaminhada ao 15º DP para providências de polícia judiciária.

Ficaram sem resposta as perguntas feitas pela Ponte:

  • Os fotógrafos detidos dizem que, antes de serem levados à delegacia, foram apresentados numa companhia da PM, onde foram ouvidos e fotografados, sem camisa, mostrando as tatuagens. A PM confirma ou nega essa informação?
  • Se confirma, qual a base legal para levar suspeitos a uma companhia da PM antes do encaminhamento ao DP para providências de polícia judiciária?

Procurada, a CDN Comunicação, empresa responsável pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB), não respondeu.

A vida boa do goleiro Bruno, com os selfies dos fãs, é símbolo no novo normal nacional

do DCM

por Kiko Nogueira

Bruno faz selfies: um heroi nacional
Bruno faz selfies com os fãs: um heroi nacional

Sujeito de sorte o goleiro Bruno.

Foi detido em 2010 e condenado em 2013 a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de sua ex-namorada Eliza Samúdio e pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho.

O corpo de Eliza jamais foi encontrado. Ela tinha 25 anos. Na época, Bruno era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

Num depoimento, ele contou que Eliza foi morta, esquartejada e os restos atirados aos cães — insistindo que não foi obra sua, mas do comparsa “Macarrão”.

Ficou seis anos e sete meses na cadeia. No último dia 24, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, determinou que ele aguardasse em liberdade sua apelação ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Ao sair, Bruno falou que a “prisão perpétua” não traria Eliza de volta. Fica a seu critério entender isso como uma confissão.

Casado, convertido a uma igreja evangélica, Bruno analisa agora propostas de nove times. São três do rio, sendo um da Série A, três de Minas, dois de São Paulo e um de Brasília.

Seu advogado prefere não declinar os nomes para não atrapalhar as negociações.

Ele está feliz. Recentemente, apresentou-se no Fórum de Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, para informar onde vai morar.

Chegou com uma camiseta regata da torcida organizada Galoucura, do Atlético, equipe que o revelou. Foi recebido calorosamente por fãs, com quem tirou vários selfies.

Um sujeito apareceu com uma máscara de cachorro e houve uma certa tensão, logo dissipada — tratava-se de um homem conhecido na cidade por essa excentricidade e que apenas queria externar sua admiração pelo arqueiro e convidá-lo a se hospedar em sua pousada. Tudo na faixa.

Na hora de ir embora, Bruno saiu sorrindo e acenando no carro para a pequena multidão que se formou.

Em seu despacho, Marco Aurélio escreveu que o clamor social não era suficiente para manter o jogador em cana. É um “elemento neutro, insuficiente a respaldar a preventiva”.

O juiz errou. Simplesmente não existe clamor algum.

O novo normal do país nos acostumou a conviver com o absurdo. Há uma quadrilha no poder. Michel Temer, chefe de ministros que pelejam no crime há anos, chegou ao cargo que ocupa através de uma conspiração aberta.

Hoje se encontra com seu advogado e ex-assessor especial José Yunes em consultórios de dentista.

Uma presidente eleita foi derrubada num processo que tinha como advogada de acusação uma senhora que faz a pomba gira nos arcos do Largo de São Francisco e que não sabe usar a vírgula.

Tudo com a cumplicidade do Supremo, aquela mesma corte de Marco Aurélio Mello, o redimidor de Bruno.

É surreal. Não se trata nem de caráter. Como esperar razoabilidade do Brasil quando vivemos de cabeça para baixo?

A mãe de Eliza Samúdio recorreu contra a soltura de Bruno. Segundo Sônia de Fátima Marcelo da Silva de Moura, a liberdade dele põe em risco sua integridade física e a de seu neto. Bruno é uma “pessoa fria, violenta e dissimulada”, diz.

No G1, um dos comentários mais populares sobre essa notícia é de um certo Jadir Pinheiro. Reproduzo-o: “AHHH SAI FORA VÉIA…..VC NÃO CUIDOU DA SUA FILHA , TANTO , QUE ELA ERA ATRIZ DE FILME PORNÔ , FICOU COM A GUARDA DO NETO , POR CAUSA DA PENSÃO…MENINO DOS OVOS DE OURO PRA VC VÉIA E ESTÁ QUERENDO ENCHER O SACO !!!….VAI TRABALHAR !!!”

Os jadires ganharam. Bem vindo, Bruno.

O que realmente matou o garoto João Victor

do DCM

por Paulo Nogueira

Arrastado como um saco de cimento
Arrastado como um saco de cimento

João Victor tinha 13 anos. É aquela idade em que você é leve, feliz. Sonha, ri à toa, tem a vida pela frente.

É a regra.

Mas essa regra vale pouco quando você vive num país tão injusto e tão desigual como o Brasil.

Neste sábado, João Victor deveria estar jogando bola com os amigos. Talvez trocando mensagens com aquela que viria a ser sua primeira namoradinha.

Mas João Victor está morto. Foi espancado até a morte por seguranças do Habib’s. Ele habitualmente pedia dinheiro para as pessoas que iam comer no Habib’s.

Um vídeo mostrou as circunstâncias da morte. Deveria provocar comoção nacional: João Victor aparece arrastado como um saco de cimento em seus momentos finais.

Mas nada. João Victor, nem passou uma semana, já foi esquecido. É um dos invisíveis da plutocracia brasileira.

Ele não parecia ter 13 anos. Como toda criança que nasce e cresce na miséria, era mirrado. No vídeo, parecia ter 7, 8 anos.

Você vê as imagens e sente uma vontade impotente de pegar aquela criança nos braços e dar-lhe o conforto possível.

Mas João Victor está morto. Agora é tarde demais para fazer qualquer coisa por ele.

E ele tinha 13. Só 13.

Quando vejo casos assim, me ocorre um pensador chamado John Rawls.

Ninguém formulou uma teoria tão engenhosa sobre uma sociedade justa quanto Rawls (1921-2002).

Em 1971, Rawls publicou um livro aclamado: “A Teoria da Justiça”.

A idéia central de Rawls era a seguinte: uma sociedade justa é aquela na qual, por conhecê-la e confiar nela, você aceitaria ser colocado de maneira randômica, aleatória.

Você estaria coberto pelo que Rawls chamou de “véu de ignorância” em relação à posição que lhe dariam, mas isso não seria um problema, uma vez que a sociedade é justa.

Você não acabaria numa favela. Você, onde quer que estivesse, teria acesso a escolas e hospitais públicos de alto nível, e coisas do gênero.

É mais ou menos o que acontece na Escandinávia. E é o oposto do que ocorre em lugares injustos como o Brasil.

João Victor, se nascesse na Dinamarca, estaria talvez andando de bicicleta agora. Seria, como típico adolescente nórdico, alto, forte e saudável.

Mas ele nasceu no Brasil. No amplo lado miserável nacional.

A ele coube ser um menino que pede dinheiro na frente de um restaurante.

A ele coube a invisibilidade social.

A ele coube a morte aos 13. Arrastado. Arrastado. Como. Um. Saco. De. Cimento.

Não choremos por ele lágrimas inúteis. Não fizemos nada por João Victor em sua vida breve. Chorar agora, tão tarde, chega a ser uma ofensa à memória dele.

Choremos por nós mesmos. Pelo nosso monstruoso fracasso em construir um país justo. Pela nossa criminosa tolerância diante de tamanha desigualdade.

 Sobre o Autor – O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Expulso de Casa

Observa-se na atualidade um crescimento bastante significativo nas truculências de relacionamentos quando o tema é política. Aparentemente certos segmentos e pessoas estão perdendo a tranquilidade e o bom senso no trato dessas questões, e atos políticos estão se transformando em notícias policiais. O difícil é saber de onde vem essa truculência: da animosidade generalizada que se observa na sociedade há algum tempo ou estritamente das disputas políticas.

Todavia, isso não é novidade para quem é mais vivido ou ainda conhece um pouco de história.

Do passado, talvez o maior exemplo seja Getúlio Vargas, que preferiu o suicídio a ter que ver seu projeto político e social ser dizimado pela elite da época. Não menos traumática foi a história de João Goulart – o presidente deposto pelo golpe de 1964. Sobre o último ainda pairam dúvidas das causas de sua morte.

Assim como não é novidade nas esferas nacional e estaduais, também não é novidade nos ambientes municipais – estes cheios de histórias, “causos” e folclores. Em nossa cidade grandes embates nem sempre tratados enquanto discursos e propostas, fazem parte de nossa história. Se formos para as cidades mais próximas, certamente teremos muitos exemplos, como nossa irmã, Itu, conhecida por oferecer à história momentos de muita disputa e violência.

E parece que em nossa cidade esse tempo está voltando.

Pessoalmente considero que a violência nunca deixou o cenário político, seja local, regional e os do estado e país. Acontece que na maior parte das vezes a violência é calada ou mesmo tolerada e não divulgada – principalmente quando não interessa a nenhum dos lados envolvidos.

A relação de políticos com o crime organizado, com milícias paramilitares ou mesmo com “bate-paus” não é exclusividade dos do Rio de Janeiro ou do Nordeste. Em nossa cidade, veladamente essas relações existem e vez ou outra em nossa história os fortes boatos de que essas relações produziram efeitos, são ouvidos pelos quatro cantos dela. Desde os tempos de outrora…

A mais recente, sem dúvida, foi o caso das ameaças sofridas pelo nosso prefeito Juvenil Cirelli em redes sociais e pessoalmente em uma das padarias da cidade quando foi até ela para tomar seu café, na manhã da saída da tradicional romaria de Salto a Pirapora.

Pessoalmente vivi recentemente, junto com minha companheira, momentos terríveis por conta de duas invasões em nossa residência. Num intervalo de cerca de 35 dias nossa residência foi invadida duas vezes por bandidos encapuzados e armados que, em busca de dinheiro, deixaram nossa casa de “pernas para o ar”, além de nos amarrarem e me agredirem. Nas duas vezes fizeram questão de destacar que sabiam quem eu era e o que eu fazia. Nas duas vezes a voz de um dos bandidos marcou-me profundamente a ponto de ter quase certeza que foram as mesmas pessoas. Na última vez uma coisa interessante: levaram de minha casa cadernos que continham relatórios de pesquisas que realizamos nos últimos anos, além, é claro do que está descrito nos boletins de ocorrências firmados na delegacia de polícia. Os cadernos das pesquisas não registrei no B.O. pois só fui perceber o que era dias depois, quando me preparava para mudar de residência.

É…. mudar de residência. Esse foi o maior dos efeitos causados por essa violência desmedida.

Morávamos em uma casa que, pela nossa vontade, seria a última de nossas vidas: gostosa, tranquila, com bom espaço interno e metade do terreno de 360m2 como quintal, onde tínhamos várias espécies de árvores, plantações, jardinagem e até galinhas… Comprada com financiamento pela Caixa Econômica Federal em 2009 (ainda tenho muitas parcelas a pagar), transformou-se rapidamente em um lugar muito querido pelos dois.

Todavia, depois das duas invasões, nenhuma tranquilidade mais existiu. Entre uma e outra invasão, chegamos a encomendar um sistema de segurança com câmeras, sensores e monitoramento. Mas sequer deu tempo de instalar e a segunda invasão aconteceu.

No final de semana do feriado de 1º de maio, mudamos. Abandonamos nosso “porto seguro” porque seguro já não era mais e fomos para outro local. Normalmente esses momentos são de alegria e grandes expectativas, já que uma nova vida se projeta (sei pois já passei por isso também). Porém desta vez o gosto foi amargo: um gosto de frustração, trauma e agressão. Um gosto de expulsão do seu espaço. Eles conseguiram isso…

Até hoje não temos ideia de quem são os bandidos, quais os motivos que tiveram e principalmente porque tão seguidamente. Apesar de todos os esforços tanto da Policia Civil e Militar, além do forte apoio da GCM, essas indagações aparentemente ficarão sem respostas concretas. O que fica são as divagações. E nesse campo tudo é possível.

A mais simples é a de que tenham sido usuários de drogas ilícitas que foram atrás de recursos para pagamento de dívidas ou até para compra de drogas. A mais complexa, de crime encomendado. De minha parte, acredito que qualquer uma delas seja possível diante do que estamos vendo em nossa realidade e do que conhecemos de nossa história e seus sujeitos.

Porém são só divagações. O que fica realmente é o gosto amargo da frustração, do bloqueio e da agressão… que espero sinceramente passe o mais rápido possível.

Meu afastamento de uma série de compromissos, de familiares, de amigos, de meu blog e da rede como um todo tem como causa essa agressão vivida e revivida em 35 dias. Não existe estrutura pessoal que suporte tal violência e continue a viver normalmente. Não seria eu uma exceção a isso. O que espero e faço um esforço tremendo para acreditar é que o fator motivador tenha sido o mais simples….

 

“Alckmin: Discurso conservador na segurança”

 

Da Rede Brasil Atual

 

Os candidatos Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) seguem atrás do tucano; analista avalia que Padilha tem condições de se sobressair

 

São Paulo – Para o analista político Paulo Vannuchi, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), é o “porta-voz” do discurso conservador com relação à segurança pública no estado. “Alckmin chega ao ponto de fazer em debate, no horário de televisão, a propaganda de sua proposta da redução da maioridade penal”, ressalta em comentário feito hoje (26), à Rádio Brasil Atual, ao se referir ao debate entre os candidatos ao governo, realizado pelo SBT nesta segunda-feira (25).

Vannuchi avalia que a “aposta” do governador é na repressão e ordem, até mesmo na ideia de que é preciso conter manifestações populares. “Embora Paulo Maluf agora seja um moribundo na política, quase um cadáver que fica vagando e aparece aqui e ali ao lado do PT, o seu discurso sempre foi o da ordem, da dureza, bandido bom é bandido preso. E é o mesmo de Geraldo Alckmin”, considera.

O analista político pontua que a Polícia Militar (PM) de São Paulo é acusada de se envolver com o crime organizado e também reconhecida por assassinatos que vitimizam jovens negros das periferias. Nesse sentido, Vannuchi indica que a redução da maioridade penal culpabiliza o jovem infrator, que pratica o crime como resultado de um estado ausente, sem proteção familiar, alimentar, escolar e na saúde.

“Se o PSDB ainda fosse como nos seus bons tempos, como ele nasceu no processo da Constituinte, com Mário Covas, se ainda houvesse esse partido, haveria uma comoção interna, mas esse PSDB não existe mais”, afirma.

Além disso, o analista elogia a postura do candidato do PSOL, Gilberto Maringoni, que criticou a PM e alertou que a corporação, até hoje, ostenta em escudo a participação na Guerra de Canudos.

“Canudos foi um massacre contra um bando de miseráveis no sertão da Bahia, que queriam terra, comer e viver, liderados por Antônio Conselheiro, em 1897”, relembra.

Com relação aos candidatos Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT), que seguem, respectivamente, atrás de Alckmin nas intenções de votos dos eleitores, Vannuchi avalia que o petista tem condições de superar o peemedebista. “Paulo Skaf tem como a sua grande saia justa não conseguir responder, no debate, em quem vai votar para presidente”, pontua, ao levar em conta que Michel Temer, presidente do PMDB, é o vice de Dilma.

Nesse cenário, o avaliação é de que Padilha pode se “sobressair” nas pesquisas durante os próximos 40 dias de campanha. Para o analista, o petista deve ressaltar que se orgulha de ter sido ministro de Lula e Dilma, além de ser autor de um dos programais mais bem avaliados, no âmbito da saúde, pelo governo da presidenta, o Mais Médicos.