Marina e suas “visões”

Do VioMundo

 

publicado em 6 de setembro de 2014 às 1:36

marina

Casa em que Marina Silva morou em Rio Branco, hoje com propaganda de candidato petista a deputado estadual na porta

por Luiz Carlos Azenha

Reconheço meu fascínio pessoal pela história de Marina Silva, uma verdadeira sobrevivente, saúde sempre muito frágil, alfabetizada aos 16 anos de idade pelo Mobral, estudante e professora de História, que quase se tornou freira antes de entrar no Partido Revolucionário Comunista — abrigando-se no PT. Militante fundadora da CUT no Acre, tornou-se a mais jovem senadora do Brasil. Depois, migrou para o PV e agora está no PSB. Do catolicismo flertou com o ateísmo para, mais tarde, tornar-se evangélica. Parece, mesmo, predestinada, da mesma forma que Lula.

Já disse que, dadas outras condições políticas, poderia até votar nela — por exemplo, contra Aécio Neves. Porém, isso se tornou uma impossibilidade diante do programa neoliberal do PSB, que entre outras medidas prevê  a  autonomia do Banco Central. Em minha modesta opinião, isso representa a importação do arrocho e da perda de direitos vivida hoje pelos europeus e uma entrega de soberania mais profunda inclusive que o leilão de Libra patrocinado pela petista Dilma Rousseff.

Fernando Henrique Cardoso tinha uma sólida base de industriais paulistas quando governou, Lula se propôs a fazer a conciliação de classes e se rendeu ao agronegócio — embora com concessões à agricultura familiar –, mas tinha sólida base no operariado paulista e em movimentos sociais quando se elegeu, além do apoio da igreja católica.

O apoio de Marina se concentra em ONGs ambientalistas — e não são todas, já que ela foi abandonada por muitos ‘verdes’ –  e numa Rede que não conseguiu se organizar como partido. Como a própria indústria brasileira tem tido participação proporcional decrescente no PIB, presumo que ela e o PSB tenham decidido fazer do mercado financeiro sua base principal de sustentação.

Há toda uma filosofia por trás do discurso de Marina, que não pode ser analisado superficialmente, mas com certeza inclui como um de seus paradigmas a busca do consenso como forma de superar a luta de classes. Isso reflete exatamente a trajetória de Marina, tanto política quanto religiosa.  A candidata obviamente abandonou o marxismo do PRC e parece abraçar uma espécie de “comunitarismo” muito parecido com aquele que Barack Obama abraçava antes de se tornar presidente dos Estados Unidos.

Questões religiosas são de foro íntimo, mas Marina não teve dificuldade ao discutir sua conversão mais recente com a biógrafa Marília de Camargo Cesar. Com a saúde frágil, depois de retornar dos Estados Unidos indisposta a fazer tratamento com uma droga ainda experimental, ela teve contato com um pastor que fez a ela uma espécie de “revelação telefônica”.

André Salles, o pastor, passou a descrever “as características físicas de um homem que ele percebia como uma ameaça para a senadora. Ao escutar as feições descritas, ela reconheceu a pessoa em questão”. Pelo menos publicamente, Marina nunca identificou esta pessoa.

“Aquilo para mim foi impactante. E a partir daí passei a nutrir um sentimento de gratidão a Deus por ter usado aquele homem [o desafeto] para que eu me aproximasse de Deus”, conta Marina. Seria Lula, da qual foi ministra mas com o qual ficou ressentida pela forma como deixou o governo do PT?

Depois da revelação veio o que Marina chama de “visão”. Durante um culto, surgiu na mente da agora candidata do Partido Socialista uma sigla: DMSA.

Conta Marina:

“Foi como um relâmpago que apareceu na minha mente. DMSA.  Mas não entendi o que significava. Nunca tinha tido uma experiência como aquela. Quando cheguei em casa, eu me lembrei: é o remédio!”.

DMSA era a droga que médicos norte-americanos, durante uma visita da senadora aos Estados Unidos, haviam recomendado para o tratamento da contaminação por metais pesados, da qual Marina foi vítima por conta de uma overdose de medicamentos contra a leishmaniose. Como se tratava de uma droga experimental, Marina de início rejeitou a oferta. Temia piorar ainda mais o estado do fígado já baleado.

Porém, diante da “visão”, Marina tratou imediatamente de providenciar a importação do DMSA para o Brasil. Depois de tomar o remédio, numa série de injeções em Brasília, diz ter melhorado consideravelmente da fraqueza e dos desmaios, embora ainda sofra de uma série de alergias e enfrente restrições alimentares.

Neste contexto, fica muito mais fácil entender que Marina só tenha decidido autorizar que sua biografia fosse escrita depois de uma “roleta bíblica”, ou seja, de interpretar uma frase escolhida numa página da Bíblia, aleatoriamente. Ela leu a frase e entendeu como “sim”.

Desde adolescente, desde quando pretendia ser freira na igreja católica, a candidata do PSB exibe um pragmatismo temperado por fé de grande intensidade. Inicialmente, católica. Mais tarde, evangélica.

Concordo que o Brasil é um país de muitos preconceitos, inclusive contra os evangélicos. Eu me sentiria desconfortável se Marina decidisse atender a ordens de um bispo ou pastor, a partir de preceitos religiosos. Ordens que influenciassem políticas públicas voltadas para milhões de brasileiros, muitos dos quais se declaram agnósticos/ateus.

Marina nega que tenha cedido a pressões do pastor Silas Malafaia.

Se de fato o fez, teremos entrado num campo muito complicado, num campo em que revelações e visões de foro íntimo se transformam numa ameaça ao Estado laico.

Marina diz apoiar o ensino religioso optativo em escolas públicas, ao que muitos pais respondem: mas eu vou financiar, com meus tributos, um ensino que borra as fronteiras entre Estado e Igreja?

No campo religioso, há controvérsias sobre se Marina representa ameaça ao Estado laico. Ouvido por Conceição Lemes, o teólogo Leonardo Boff criticou a candidata. Justamente ele, muito elogiado na biografia. O livro revela a grande influencia exercida em Marina, ainda jovem, por Clodovis Boff, irmão de Leonardo, que ministrou à então militante do PRC/PT um curso sobre a Teologia da Libertação.

Não concordo com a política econômica exposta no programa do PSB e duvido que, eleita, Marina consiga viabilizar um governo exclusivamente de “bons”, sem alianças, a não ser que algum milagre converta os “300 picaretas do Congresso” — aos quais se referia Lula – em pessoas voltadas a atender prioritariamente os interesses da população. Na verdade, a prioridade de muitos dos eleitos é pagar os favores recebidos de financiadores de campanha, garantir a reeleição e, em alguns casos, simplesmente enriquecer.

Acho muito mais fácil enfrentar o problema da corrupção no Brasil com ações institucionais — por exemplo, a Constituinte exclusiva e o financiamento público de campanhas — do que com um repentino toque divino no coração de eleitores e eleitos. Corrupção se enfrenta com inteligência, não com fé.

Talvez o meu temor neste campo tenha nascido por ter testemunhado, quando ainda era correspondente nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush promovendo orações dentro da Casa Branca ou em eventos públicos. Não era Bush comparecendo aos cultos como qualquer outro fiel. Era como se, em contato com Deus, tivesse recebido a bênção divina para suas ações políticas. Uma delas, a invasão do Iraque, causou a morte de ao menos 200 mil pessoas, o deslocamento de milhões de outras e uma guerra fratricida que ainda hoje perdura. É isso o que o Deus de Bush queria?

 

Chico Mendes jamais apoiaria projeto de Marina

 

Da Rede Brasil Atual

 

Vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri, início da militância do sindicalista, diz que alianças de Marina impossibilitam programa de sustentabilidade.

 

São Paulo – A candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva, causou rebuliço nas redes sociais ao explicar seu conceito de “elite” durante o último debate presidencial, transmitido pela TV Bandeirantes na terça-feira (26): na concepção da ex-senadora, a herdeira do banco Itaú Neca Setúbal, uma das “mentoras” das campanhas a presidente de Marina em 2010 e 2014, e o líder seringueiro Chico Mendes (1944-1988), com quem Marina começou sua militância, no Acre, integrariam uma mesma “elite”, baseada não em elementos sociais e econômicos, mas na “coragem”.

Não foi isso, no entanto, que incomodou o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri, entidade da cidade natal de Mendes onde desempenhou sua militância por melhores condições de vida para os trabalhadores da floresta e pela união com os chamados povos tradicionais, e que sedia o acervo de sua vida e luta. Para os militantes que dão continuidade à causa de Mendes, o que incomoda é a transfiguração do líder assassinato por fazendeiros de sindicalista para “ambientalista”, caracterização que o sindicato, em nota oficial, afirma fazer parte da “temática ambiental capitalista”.

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“O companheiro Chico foi um sindicalista e não ambientalista”, diz o texto. “Isso o coloca num ponto específico da luta de classes que compreendia a união dos povos tradicionais (extrativistas, indígenas, ribeirinhos) contra a expansão pecuária e madeireira, e a consequente devastação da floresta. Essa visão distorcida do Chico Mendes ambientalista foi levada para o Brasil e a outros países como forma de desqualificar e descaracterizar a classe trabalhadora do campo e fortalecer a temática capitalista ambiental que surgia.”

O texto diz ainda que os trabalhadores e trabalhadoras de Xapuri “não concordam com a atual política ambiental idealizada pela candidata Marina Silva enquanto ministra do Meio Ambiente, refém de um modelo santuarista e de grandes ONGs internacionais”. Para eles, “essa política prejudica a manutenção da cultura tradicional de manejo da floresta e a subsistência, e favorece empresários que, devido ao alto grau de burocratização, conseguem legalmente devastar”.

Dercy Cunha, atual vice-presidenta do sindicato e presidenta da entidade antes de Chico Mendes, na década de 1980, reafirma as críticas. De acordo com ela, que conversou brevemente com a RBA durante estadia no Rio de Janeiro para participar de eventos sindicais, “as alianças da candidatura de Marina impedem que ela realize um projeto de sustentabilidade”, e Mendes não a apoiaria em 2014. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista:

Há desconforto dos trabalhadores de Xapuri com a forma como o legado de Chico Mendes está sendo tratado pela campanha de Marina Silva?

Sim, exatamente.

Por quais motivos?

O nome de Chico Mendes é usado de forma indevida, colocando ele em uma condição do que ele não era. Ele era um sindicalista defensor dos direitos dos trabalhadores, de melhoria de qualidade de vida, e nunca foi esse ambientalista da forma como é colocado pelos políticos.

Por que isso acontece, na sua opinião?

Porque isso rende, né? Isso, de certa forma, em termos de angariar recursos e apoios, tem importância.

Que relação a senhora teve com o Chico Mendes?

Fui a segunda presidenta do sindicato, logo depois do presidente fundador, e antes do Chico. Tivemos sempre uma relação muito boa, de muito trabalho conjunto.

Pelo que a senhora conhecia dele, acredita que ele concordaria com a forma como o legado dele surge na campanha eleitoral? Ele apoiaria Marina?

Só se ele tivesse mudado muito de opinião. Do contrário, eu imagino que ele teria a mesma postura que nós. A gente entende que, na campanha política, tudo acontece para chegar ao poder, mas as alianças e os vínculos que a Marina tem nos mostram que ela jamais teria condições de aplicar um projeto de sustentabilidade. A verdadeira sustentabilidade ofende os interesses do grande capital.

Existe alguma candidatura que contemple as demandas dos trabalhadores e trabalhadoras de Xapuri?

Olha, infelizmente, as candidaturas que representam aquilo que a gente sonha estão em desvantagem em termos de preferência. Tem algumas candidaturas que, se não mudarem ao chegar ao poder (porque o problema é quando os partidos chegam ao poder), seriam alinhadas, como as do Psol e do PSTU. São candidaturas que representam o que a gente sonha. Não orientamos votos, preferimos que as pessoas tirem suas próprias conclusões.

Entre as que estão disputando a liderança das pesquisas de opinião, há alguma mais próxima das posições do sindicato?

Não, são todas muito próximas. As propostas postas para a Amazônia, todos eles, são projetos de destruição, como as grandes obras de hidrelétricas e mineração. Isso não combina com nossos ideais.

Jatinho pago por peixaria

 

Do Correio do Brasil

 

A subida vertiginosa que a presidenciável Marina Silva (PSB) experimenta nas pesquisas de intenção de votos corre o risco de se reverter em uma queda acentuada, a partir das novas investigações da Polícia Federal (PF) sobre o possível uso de recursos do caixa dois para o pagamento das despesas com o avião que caiu em Santos, no litoral paulista, há duas semanas. Durante uma operação de busca e apreensão, a Polícia Civil de Pernambuco, que trabalha em conjunto com a PF, encontrou na sede da empresa AF Andrade um documento que aponta o PSB como locatário do jato Cessna Citation, sem uma declaração explícita, o que pode ser caracterizado como um crime.

O grupo diz ter vendido o avião que caiu com a comitiva de Eduardo Campos (PSB), no último dia 13. No entanto, constaria nos papéis apreendidos que os empresários pernambucanos pagaram cerca de R$ 700 mil pela aeronave, antes mesmo de assinar qualquer contrato. O sinal foi garantido em 12 de maio e o compromisso de compra assinado três dias depois, por João Lyra de Melo Filho. A polícia considera manobra incomum numa transação comercial de R$ 18,5 milhões, o preço final da aeronave. O PSB alega que o jatinho foi cedido por três empresários e que ele seria declarado ao final da campanha, mas o grupo Andrade está em recuperação judicial, com dívidas de R$ 341 milhões. O advogado do grupo, Celso Vilardi, diz que a suspeita da polícia é improcedente e que já entregou os comprovantes da legalidade do negócio para a PF, que também investiga o caso.

Quanto mais a polícia investiga, no entanto, mais complicada fica a situação da candidata, que teve divulgada, nesta manhã, as primeiras imagens que a conectam ao jato PR-AFA. Embora MarinaSilva tenha declarado publicamente, a um jornal televisivo noturno, que não sabia de nenhum detalhe sobre o transação da aeronave que utilizava em suas viagens, pela campanha eleitoral, a alegação não a isenta de responsabilidade sobre quaisquer irregularidades sobre o equipamento. Uma operação financeira duvidosa foi montada, com o uso de ‘laranjas’, e o principal pagamento partiu do empresário pernambucano Eduardo Ventola, dono de uma factoring, tipo de empresa normalmente usada para ‘esquentar’ dinheiro de caixa dois.

Marina desembarca do avião que, dias depois, cairia no litoral paulista, matando o ex-governador Eduardo Campos

 

Aos jornalistas, ainda que a contragosto, Marina confessou o conhecimento de um crime eleitoral e a participação nos benefícios desta transgressão. Ela admitiu saber que o avião era produto de um “empréstimo de boca” que seria “ressarcido” ao final da campanha. Trata-se, no caso, de uma aberração jurídica e contábil, que os tribunais tendem a questionar no controle de contas eleitorais. Não há um contrato sobre o citado empréstimo irregular, preço estabelecido e, sobretudo, as empresas que detinham o controle do avião, entre elas uma peixaria de fachada, que não funciona, na prática, não se dedicam à locação de transporte aéreo.

‘Dois pesos’

O deputado federal André Vargas (sem partido-PR), processado por utilizar um avião que teve o aluguel pago por um doleiro, acredita que há dois pesos e duas medidas quando o compara a outras atividades irregulares na política. Desta vez, o parlamentar, que teve sua cassação pedida pelo colega Júlio Delgado (PSB-MG) no Conselho de Ética da Câmara por ter tomado emprestado o avião do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, vê diferença de tratamento entre o episódio vivenciado por ele e o do jato do PSB. O partido de Delgado, relator de seu processo de cassação na Câmara, usava desde maio um avião adquirido por recursos de caixa dois, pago por empresas fantasmas.

Além da peixaria falsa, outra empresa que assumiu a compra da aeronave, a Bandeirantes Pneus, importava pneus chineses, causava danos ambientais e chegou a ser favorecida por benefícios fiscais pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). A queda do Cessna Citation no litoral paulista trouxe o escândalo à tona.

Diante do que considera “uma hipocrisia”, Vargas protestou:

– Júlio Delgado pediu minha cassação por um voo. Agora podia explicar por que seu partido usava um avião de empresas fantasmas.

Em entrevista ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, no início de agosto, ele lembrou de outro caso: a construção de um aeroporto pelo presidenciável Aécio Neves em terras que pertenciam a sua família quando era governador de Minas Gerais. E constatou:

– Se Aécio fosse do PT, já teriam pedido cassação.

 

“Nem oposição, nem situação” – é a Rede

Da Carta Capital

 

A ex-senadora Marina Silva lançou neste sábado 16, em Brasília, a Rede Sustentabilidade, nome oficial de seu novo partido. A futura legenda, que deve ser a plataforma para a candidatura da ambientalista à Presidência em 2014, defenderá apenas alianças pontuais com os demais partidos. “Nem oposição, nem situação”, disse Marina.

Segundo ela, a Rede vai apoiar a presidenta Dilma Rousseff apenas se a administração da petista “estiver fazendo algo bom”. “Parece ingênuo, mas não tem nada de ingênuo.”

Antes, o partido precisa reunir 500 mil assinaturas até setembro para sair do papel. O movimento para atingir essa meta deve começar na segunda-feira 18 com a ajuda da internet e de colaboradores nos estados.

Ainda sem a legenda garantida oficialmente, a ambientalista evitou confirmar uma nova candidatura ao Planalto. Apesar de ter recebido 20 milhões de votos em 2010, a ex-ministra do Meio Ambiente enxerga a disputa como uma “possibilidade” em “discussão. “É uma possibilidade. Mas por enquanto apenas uma possibilidade.”

Marina Silva também não sabe se vai concorrer caso seu partido não seja concluído a tempo. Mas rebateu comentários de que a Rede estaria caçando parlamentares para sua base. “Não estamos fazendo tudo para ter bancada. As pessoas virão por identidade com o programa e por coerência com as regras da Rede.”

 

Partido para mais que eleições

O lançamento foi comentado pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que enviou uma mensagem gravada. Segundo ele, Marina Silva é uma figura importante para ajudar na “modernização da vida política do Brasil”.

Marina ainda destacou que partido não foi criado apenas para disputar eleições, mas “para questionar a si próprio”. A legenda foi fundada por ela, três deputados federais e três vereadores, entre eles a ex-senadora Heloísa Helena (AL), que vai ingressar a Rede.

Os deputados Domingos Dutra (PT-MA), Walter Feldman (PSDB-SP) e Alfredo Sirkis (PV-RJ) também estão de mudança para a sigla.

 

Estatuto

As regras internas do partido ainda não estão totalmente definidas, mas há discussões para limitar a 16 anos o tempo dos mandatos por parlamentar eleito. Eles poderiam concorrer a apenas uma reeleição.

O partido vetou o recebimento de doações de empresas de bebidas alcoólicas, cigarros, armas e agrotóxicos e pretende avaliar seus candidatos a membro pelos critérios da Lei da Ficha Limpa.

Há também a ideia de oferecer até 30% do total de vagas nas eleições proporcionais para candidaturas civis independentes, conduzidas por pessoas não filiadas e sem vínculos partidários.

 

CRISTOVAM BUARQUE: “NOVO PARTIDO VAI APEQUENAR MARINA”.

Do Brasil 247

 

Ausente no encontro de ontem, em Brasília, que lançou o embrião do partido Rede Sustentável, de Marina Silva, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) fez uma análise precisa em seu Twitter. “Eu esperava Marina liderando um Movimento, acima dos partidos tradicionais, não criando mais um”, disse ele. Ao ser questionado por um seguidor sobre aderir ou não à rede, ele negou enfaticamente. “Não! Novo partido vai apequenar Marina”.

Lançada ontem ao mar, a rede de Marina fisgou apenas três deputados: o maranhense Domingos Dutra, ex-PT, o carioca Alfredo Sirkis, ex-PV, e o paulista Walter Feldman, ex-PSDB – muito pouco para um partido que tem pretensões presidenciais e que deve lançar Marina Silva em 2014. Apenas para efeito de comparação, o PSD, de Gilberto Kassab, conquistou 52 deputados em apenas duas semanas.

Qual a diferença? Com seu partido, Kassab oferecia perspectiva de poder aos seus filiados, que já pretendiam migrar da oposição para a base governista. Marina oferece apenas a possibilidade de adesão a uma seita financiada por bilionários como Neca Setúbal, do Itaú, e Guilherme Leal, da Natura – quando o que os políticos buscam não é exatamente um “sacerdócio”, como definiu Domingos Dutra, mas sim o poder.

Em 2010, a ex-senadora acreana teve quase 20 milhões de votos. Era uma novidade e preenchia um vácuo para aqueles que buscavam uma terceira via, fora da dicotomia PT-PSDB. Para 2014, esse espaço parece estar sendo ocupado por outro nome, o do governador pernambucano Eduardo Campos, do PSB. E com um partido tão pequeno, menor do que o PV, que lhe deu a candidatura em 2010, a ex-senadora terá tempo para dizer pouco mais do que um singelo “meu nome é Marina”.

Embora ela tenha negado que o objetivo da Rede Sustentável seja lhe dar uma legenda para concorrer em 2014, Heloísa Helena, que deve trocar o Psol pelo novo partido, foi direto ao ponto. “Marina não gosta que digam, mas o objetivo da rede é fazê-la presidente”, disse. “Brasil urgente, Marina presidente”.

Uma missão quase impossível. Mais razoável é imaginar que ela possa a ajudar a provocar um eventual segundo turno com o tucano Aécio Neves ou o socialista Eduardo Campos.