O índice FIRJAN

Semana passada foi publicado em nossa imprensa novos índices de desempenho de nosso município. Desta vez no que diz respeito à gestão financeira, medido pela FIRJAN – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro – a mesma que divulga outros relativos a condição de vida nas cidades sob os aspectos de educação, saúde e emprego.

Referido índice é divulgado com um intervalo de dois anos. Isso quer dizer que os divulgados neste ano de 2013 correspondem a realidade vivida em 2011.

Em uma das coletivas (que estava presente), o secretário de Finanças do município – Pedro Galindo – foi questionado por conta da grande queda nos índices de Salto de 2010 para 2011. Foram 135 posições no estado de SP e 797 no Brasil. Esses indicadores são resumidos no índice propriamente dito que quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho da cidade. Ele foi de 0,6578 em 2010 e 0,5864 em 2011. Em termos de colocação, em nível nacional em 2010 Salto estava em 1.134a posição e em 2011 caiu para 1.931a. No que diz respeito ao estado de SP caímos da 205a posição para a 336a posição.

Importante frisar também que a pergunta feita incluiu aqueles que hoje estão no governo e participaram do anterior em outras funções como possíveis responsáveis disso também. Ai a resposta foi tranquila: a gestão financeira nunca passou pelo crivo ou pela avaliação dos petistas. Sempre esteve restrita ao grupo que perdeu as eleições em 2012.

Interessante notar nos índices que as oscilações são bastante bruscas de um ano para o outro. Senão vejamos o índice nos últimos seis anos: em 2006: 0,5220; em 2007: 0,5472; em 2008: 0,7359; em 2009: 0,6035; em 2010: 0,6578 e em 2011: 0,5875. Percebe-se ao longo dos anos que o município, apesar de melhorar em relação aos dois primeiros anos, não conseguiu manter uma regularidade nos últimos quatro.

Podemos perceber ainda pelos índices que o de 2011 só não é pior que os de 2006 e 2007, início da antiga administração.

O que acontecerá com o de 2012?

Nesta semana, a resposta do ex prefeito é uma nota evasiva e que não explica o real motivo dessa queda. Lembrando novamente: esse índice mede a qualidade da gestão financeira da prefeitura, ou seja, como ela conduz suas contas, seus investimentos, suas receitas, seu orçamento, dotações, compras e tudo o que diz respeito a recursos.

A pergunta continua: o que aconteceu afinal?

Por enquanto só temos a posição do atual secretário que afirma com todas as letras que nos últimos anos a gestão financeira da prefeitura teve sérios descuidos e que não lhe surpreenderá se os índices de 2012 forem ainda piores.

Mas o mais grave disso tudo foi o “erro” da nota explicativa do ex prefeito. Na posição nacional, que é de número 1.931, a nota traz o número 931. Falha na digitação? Erro de diagramação do jornal? Pegadinha? Seja o que for, confunde e nenhuma nota do jornal a respeito.

O que é real e nem a nota pode esconder é o que a atual administração vem falando e sendo vítima: o “descuido” com as contas públicas foi perigoso e comprometeu bastante a gestão deste ano. O que mais fizemos neste ano foi renegociar contratos já que o orçamento era menor que os contratos assinados. Nas discussões da PGV, outro susto: o IPTU de 2012 teve aumento da inflação do ano anterior e no orçamento aplicaram uma correção de 25%. De onde sairia esse valor, visto que a inflação de 2011 não ultrapassou os 7%?

Por isso precisamos ter muito cuidado com os discursos e as falas fáceis que tentam distorcer realidades mais do que evidentes aos olhos de todos e todas. Complicado quando além dos discursos e falas fáceis, começam a “errar” no informativo dos números. Ai é desespero mesmo.