Protestos contra a reforma da Previdência: o que você não viu na TV

da Carta Capital

Principais telejornais cerceiam voz dos manifestantes que ocuparam as ruas e focam cobertura nos problemas gerados pelas paralisações de trabalhadores

Protesto
Manifestação em São Paulo: quem só pode ver TV aberta, não acompanhou os atos

Por Eduardo Amorim, Oona Castro, Mabel Dias e Bia Barbosa*

Depois deste ano, o 15 março também será marcado como uma data histórica de protestos da esquerda. Lembrado como o dia em que, em 2015, as ruas do país foram tomadas de verde e amarelo pedindo o impeachment de Dilma Rousseff, nesta quinta-feira o mesmo 15 de março virou uma grande onda vermelhacontra o governo Temer e suas reformas que retiram direitos.

Mais de 125 cidades, incluindo 25 capitais, registraram grandes manifestações e paralisações de trabalhadores. Os atos foram maiores do que os últimos convocados pelos movimentos sociais contra o golpe, o que indica uma possível retomada das mobilizações populares.

Quem se informou sobre os acontecimentos do dia somente pela televisão aberta, entretanto, ficou sabendo pouco ou quase nada sobre os protestos. Infelizmente, esta é a realidade da maior parte da população brasileira.

De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, a TV é o principal meio de informação para 63% do País. Se considerarmos o principal ou o segundo meio de informação, o índice sobe para 89% da população, comprovando a força desproporcional deste veículo em relação aos demais tanto para a informação quanto para a formação da opinião pública nacional.

E por isso vale analisar o que foi mostrado – e, principalmente, o que não foi – pelos principais telejornais do País na noite desta quarta-feira. Se por um lado o tamanho e multiplicidade de atos – e a própria crise do governo Temer dentro dos grupos políticos que o alçaram ao poder – impediram que as emissoras silenciassem sobre o que tinha ocorrido durante o dia, por outro, as imagens dos gigantescos atos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife ganharam visibilidade de fato nas redes sociais.

Nos telejornais noturnos, o tom das matérias foi muito mais o impacto das paralisações – sobretudo dos trabalhadores das redes de transporte – do que os atos em si. Flashes rápidos dos protestos, nenhum número sobre o total de participantes e, principalmente, nenhuma entrevista com os organizadores das manifestações foram a maneira escolhida pela mídia de censurar o motivo que levou milhares de brasileiros e brasileiras às ruas.

Jornal Nacional: o encadeamento perfeito

A manchete principal do telejornal foi a lista de possíveis futuros alvos de inquérito pela Operação Lava Jato. Somente 20 minutos depois do início do programa veio a matéria sobre as manifestações. Em 2 minutos e 40 segundos, a Globo conseguiu relatar atos em mais de dez cidades, mas sem ouvir nenhum porta-voz dos movimentos e dando destaque aos transtornos no trânsito, às escolas e agências bancárias fechadas, ou ao que chamou de “depredação” de prédios públicos.

A sequência do informe-relâmpago sobre os atos foi uma declaração de Michel Temer justificando a necessidade das reformas – reforçando a tese anteriormente já enunciada, em outra matéria, pelo presidente do Banco Central. “Nós apresentamos (…) um caminho para salvar a Previdência do colapso, para salvar os benefícios dos aposentados de hoje e dos jovens que se aposentarão amanhã. Isso, meus amigos (…) será que é para tirar direitos de pessoas? Em primeiro lugar, não vai tirar direito de ninguém, quem tem direito já adquirido, ainda que esteja no trabalho, não vai perder nada do que tem”, afirmou Temer, numa resposta indireta ao que as ruas criticaram.

Mas o encadeamento perfeito da edição global veio mesmo após a fala do presidente. A reportagem seguinte, efusivamente celebrada pelos apresentadores, foi a de que a Agência Moody’s mudou a expectativa em relação à economia brasileira de negativa para estável. Segundo a Globo, a empresa americana melhorou sua análise sobre o País em função das reformas propostas “por um governo preocupado com as contas públicas”. Bingo!

Assim, apesar de não abrir qualquer espaço para a explicação dos motivos das manifestações, duas vezes elas foram rechaçadas por representantes do governo e, depois, deslegitimadas pelo mercado financeiro.

Uma versão editada das imagens, com dois minutos de duração, foi exibida horas depois no Jornal da Globo, antecedidas pelo seguinte comentário do apresentador William Waack:

“Coube aos governos recentes do PT, que hoje protesta contra a reforma da Previdência, levar o Brasil mais rápido ao encontro com uma dura realidade. O descalabro promovido nas contas públicas, a gastança do que não se tinha e nem se podia gastar, tornou mais grave um problema que o nosso país vem arrastando há anos e que explodiu agora. Goste-se ou não do que está na proposta de reforma da Previdência, há um fato do qual não escapamos: ou o Brasil encara o que fazer com essas contas que não fecham mais, incluindo as da Previdência, ou as finanças públicas quebram”. Diversidade de opiniões? A gente não vê por aqui.

Jornal da Record: o problema foi o trânsito

Apesar de ter as manifestações do dia como matéria principal, o Jornal da Record repetiu a tônica da principal concorrente. Novamente, nem em uma só palavra sobre as reformas. O grande motivo para noticiar os protestos, para a emissora de Edir Macedo, foi mostrar os transtornos e “recordes de congestionamento” provocados pelos atos e paralisações dos trabalhadores.

Em São Paulo, onde aconteceu o maior protesto, com mais de 200 mil pessoas, as imagens veiculadas foram de terminais de ônibus, filas, coletivos lotados, estações de metrô vazias e a tão repetida frase “foi preciso muito sacrifício para conseguir embarcar”.

Os entrevistados foram os usuários do transporte público, que diziam por quanto tempo tinham aguardado um ônibus, ou quanto tempo tinham levado para chegar ao trabalho. A Record mencionou até que para muitos a solução foram os aplicativos, que estavam mais caros, e a suspensão do rodízio de veículos.

Ao citar atos em outras capitais, prevaleceram aspectos “negativos” das manifestações. Em Belo Horizonte mostraram os postos de saúde fechados. No Rio de Janeiro, a imagem foi da repressão policial, tratada como “confronto” e justificada pelo fato de “vândalos” terem “provocado um quebra-quebra”.

Sobre as reformas, a matéria exibida foi da reunião de Michel Temer com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. O trecho da coletiva do Temer sobre o assunto também foi transmitido.

Jornal da Band: trabalhador contra trabalhador

O Jornal da Band iniciou com imagens aéreas ao vivo da Avenida Paulista. Duas reportagens sobre as mobilizações foram veiculadas. Na primeira, o repórter afirmou que a paralisação do transporte havia prejudicado os trabalhadores que se dirigiram ao trabalho logo cedo. Entrevistaram pessoas e mostraram metrôs e ônibus sem circular.

Um senhor entrevistado declarou que “os sindicatos têm muito poder e isso tem que acabar”. Nenhum sindicato foi ouvido. Na segunda reportagem, a Band mostrou a adesão à paralisação de professores das redes estadual e municipal de São Paulo, afirmando que a mobilização prejudicava os estudantes. A velha tática foi repetida: colocar trabalhadores contra trabalhadores e não informar a população sobre os motivos das paralisações.

Repórter Brasil: censura?

Na TV Brasil, a confirmação de que as mudanças feitas por Temer na EBC transformaram os canais geridos pela Empresa Brasil de Comunicação de fato em veículos governamentais.

O telejornal da noite desta quarta-feira mostrou um link ao vivo da manifestação na Paulista, mas como o coro de “Fora Temer” ao fundo foi tão alto, o site do canal, que disponibiliza online as matérias do Repórter Brasil, não mostra nesta quinta nenhum arquivo sobre os protestos de quarta.

Uma vez mais, portanto, os principais canais de TV do Brasil perderam a oportunidade de informar a população sobre os embates e disputas em torno das reformas em curso do Brasil, incluindo o recém divulgado posicionamento do Ministério Público Federal que afirma que vários pontos da Reforma proposta por Temer são inconstitucionais.

A opção foi seguir veiculando a cantilena do Planalto de que as mudanças na Previdência são necessárias para o equilíbrio das contas públicas, sem mostrar aos telespectadores as diferentes visões e alternativas que existem em qualquer reforma desta complexidade.

Para a metade da população que tem acesso à internet e que pode ao menos buscar outras fontes de informação, o tema dos protestos e as razões de por que tantos trabalhadores são contra esta reforma foram o centro do debate virtual neste 15 de março.

No Twitter, a hastag #GreveGeral foi a expressão mais comentada ao longo da manhã. Somente na página da Mídia Ninja, que realizou uma ampla cobertura dos protestos, as postagens alcançaram cerca de 24 milhões de pessoas.

Mais de 4 milhões de internautas comentaram e compartilharam os posts. Os sites de notícias, mesmo os vinculados aos grandes grupos de comunicação, também reportaram melhor os atos.

Mas a massa da população, que só tem a televisão para se informar – e que, não coincidentemente, será a que mais sofrerá os impactos desta reforma da Previdência – teve uma vez mais seu direito de acesso à informação violado. Até quando?

* Eduardo Amorim, Oona Castro, Mabel Dias e Bia Barbosa são jornalistas e integrantes do Intervozes.

Juvenil reúne imprensa e contrapõe informações erradas divulgadas pela atual administração

do Movimento Mais Salto

O ex-prefeito de Salto, Juvenil Cirelli, reuniu na manhã desta quarta-feira representantes da imprensa local e regional para contrapor uma série de informações erradas que vem sendo divulgada e que exigiram o seu posicionamento. “Sempre fui transparente. Ao assumir em 2013 disse que havia herdado um orçamento com 10% de déficit e sai deixando esse déficit em 4%. Não fiquei o tempo todo dizendo que os problemas que recebi eram do anterior e tratei de trabalhar, de ser criativo com minha equipe, de achar caminhos, com organização e planejamento e não fiquei improvisando e só reclamando”, disse.
Juvenil se disse tranquilo quanto ao seu governo e que espera dos órgãos fiscalizadores, como Tribunal de Contas, Câmara de Vereadores e Ministério Público, que avaliem e aprovem os anos de 2015 e 2016, já que 2013 e 2014 já foram aprovados. Lembrou ainda que todos os projetos herdados do governo anterior foram executados em sua administração, como do Trem Republicano, da Ponte Estaiada e de tantos outros. “As parcerias com empreendedores foram destaques em nosso governo e trouxeram mais de R$ 70 milhões em investimentos para a cidade. Parte desse recurso ainda vai ser executado em 2017 para frente e cabe ao governo atual manter a fiscalização para o benefício do povo”, destacou.
Juvenil esteve acompanhado na coletiva de seus ex-secretários Paulo Henrique Soranz, Wilson Roberto Caveden e Luiz Eduardo Colaço. Os principais tópicos abordados foram:
– Transição: Juvenil mostrou fotos dos muitos encontros realizados em 2016 com a equipe de Geraldo Garcia e inclusive documento assinado por ele que confirmava os encontros da transição que ocorreram;
– Saúde: “O elogio do atual secretário ao Programa de Saúde da Família que implantamos foi muito bom. O AME está renovado por 3 anos e nenhum serviço teve descontinuidade”, apontou. Quanto à clínica do Cecap, lembrou que há dinheiro em caixa para a compra dos equipamentos e não entende tanta demora para ser colocada em funcionamento;
– Educação: “Vão ter que fazer muito mais creche que nós para serem bons e terão que ter a rede aprovada em todas as provas nacionais”. Juvenil lembrou ainda que recebeu em 2013 a escola do Planalto inacabada, a creche do Jardim Nair Maria inacabada e sem empresa atuando e do Santa Efigênia cheia de problemas. “A creche do Laguna já tem dinheiro para sua continuidade; a do Icaraí está 95% pronta e tem dinheiro e a do Soberano também tem dinheiro para funcionar. Só não entendo a demora”, frisou.
– Cartão Escolar: Juvenil disse que ser prefeito em época de crise exige criatividade e coragem. Lamentou o fim do Cartão do Material Escolar que beneficiava milhares de crianças e o comércio local. Quanto ao Tribunal de Contas, disse que há assessoria da Prefeitura para defende-la nos apontamentos feitos. Juvenil lamentou que Geraldo Garcia não tenha pensado, em 2011, em apontamentos do Tribunal de Contas na hora de contratar uma assessoria jurídica sem licitação, por R$ 2,5 milhões, para brigar com o INSS e cuja ação gerou um prejuízo de mais de R$ 24 milhões.
Esporte – Juvenil disse deixar a cidade na 1ª Divisão dos Jogos Regionais e com a estrutura esportiva em boas condições, além do apoio aos esportistas locais. Ele disse que o vereador Alemão do Santa Cruz deveria ler direito o contrato de Salto com o Projeto Divino Salvador, que dava aulas de futebol para cerca de 500 crianças a um custo de pouco mais de R$ 6 mil. “Essa discussão em cima do Tigrinhos, que é um projeto social gratuito do time do São Bernardo é só para desviar o foco de que romperam com a Divino Salvador que prestava um excelente trabalho para Salto”, disse.
Empresas – Juvenil torce para que o atual governo conquiste muito mais empresas para Salto do que as que chegaram em sua gestão: 52. “Eu não vou inaugurar a Cobreq e nem o São Vicente, por exemplo, mas chegaram em nossa gestão e vão beneficiar Salto”.
Cultura – Juvenil disse que a nova licitação para publicação dos atos oficiais da Prefeitura, em vigor desde janeiro, permitirá a economia de mais de R$ 250 mil por ano e que esse dinheiro poderia ser usado na execução da Paixão de Cristo, por exemplo. “O custo do centímetro por coluna caiu de mais de R$ 5,60 para menos de R$ 2,00. É economia para os cofres locais. Eu entendo a necessidade de cortar despesas, mas não sei se cortaria a Paixão e torço para que não suspendam os editais de cultura, que tanto trabalho tivemos para implementar democraticamente na cidade”.
Servidores – Juvenil parabenizou o atual governo por conceder 6% de aumento aos servidores, desde que ele cumpra o acordo coletivo integralmente, como definido com o sindicato em 2016, mantendo a progressão trienal, melhorando a cesta básica, incorporando a bonificação de R$ 50 ao salário de todos.
Extinção da Secretaria do Meio Ambiente e da Defesa Social é um retrocesso imenso para Salto
Na coletiva dada à imprensa Juvenil Cirelli lamentou muito e classificou como um retrocesso a extinção da Secretaria do Meio Ambiente e da Secretaria da Defesa Social. “Recuamos no mínimo 20 anos na questão ambiental e os guardas civis municipais perderam muito de sua representatividade e a chance de serem ouvidos, respeitados e valorizados”, afirmou.
Juvenil disse não entender como o SAAE vai fiscalizar a questão ambiental se na verdade é um órgão que deveria ser fiscalizado. O ex-prefeito lembra que Salto chegou a ser a 17ª melhor cidade no ranking do Município Verde Azul do Estado. “Para serem melhores terão que ser a 16ª pelo menos”, disparou.
Ainda quanto ao SAAE, Juvenil disse que até dezembro passado a população não sofria com falta d´água e que a autarquia recebeu o maior montante de investimentos em seu governo, de mais de R$ 30 milhões, sem contar o total investido por empresas em parcerias com a Prefeitura.
Quanto à Defesa Social, cuja pasta foi extinta, ele questiona o que significará para o cofre municipal a economia do salário do secretário, já que a maioria dos outros cargos era ocupada por pessoas da própria GCM. “Falaram do Canil, basta ver que em todas as apresentações nas escolas municipais a equipe participava”, destacou.
Ex-prefeito questiona por que CEI criada da CSO está parada na Câmara
Questionado por jornalistas sobre a criação de uma Comissão Especial de Inquérito da Câmara para investigar o contrato firmado com a Corpus Saneamento e Obras (CSO) para a Parceria Público Privada da limpeza pública, Juvenil disse estranhar a criação e posterior “esquecimento” da CEI. “É um excelente momento de mostrarmos a dimensão do processo feito, da parceria, das obrigações que a empresa tem. Hoje pagamos menos que pagaríamos se mantivéssemos o contrato anterior herdado. E vejam quantas coisas estão sendo feitas: coleta seletiva, ecopontos, campanhas de conscientização, manutenção da cidade, manutenção do Aterro Sanitário e uma infinidade de outras coisas”, disse.
Dívida: qual o valor real?
Juvenil e Wilson Caveden explicaram à imprensa a realidade das dívidas herdadas pelo atual governo e que nunca serão de fato os R$ 30 milhões dito tantas vezes pelo atual governo. Lembraram que o déficit orçamentário em 2012 foi de 10% e o de 2016 de apenas 4%. “O vereador Antonio Cordeiro pediu cópia das notas das dívidas que tanto falaram e o valor não ultrapassa os R$ 13 milhões. Só será R$ 30 milhões de fato se eles acrescentarem os R$ 24 milhões da dívida construída por eles com o INSS. Na hora que o TCE apreciar as contas de 2016 verá que deixamos R$ 7 milhões. Então, o que tentam dizer é balela”, destacou.
Wilson mostrou à imprensa dados do Portal da Transparência da Prefeitura municipal que mostravam em 14 de março a receita da cidade em mais de R$ 76 milhões e a despesa em pouco mais de R$ 42,5 milhões. “Esse superávit de R$ 34 milhões é para que? ”, disse.

Assumindo o papel

Neste sábado bonito, cheio de sol e véspera de natal, acordei com uma leveza comum do dia a dia de quem tem muitos amigos e sabe que sempre poderá contar com eles. Muitas mensagens de “feliz natal” aparecem a todo momento nos grupos das redes sociais e isso anima a acreditarmos cada vez mais na vida e nas pessoas.

Mas….e tem sempre o “mas”, por uma questão de costume vou até a garagem pegar o jornal da semana (Salto ainda tem esse problema: só temos jornais uma vez por semana…..ah…e um tabloide as quartas-feiras) e, quem sabe, encontrar mais mensagens de otimismo e alegria.

A manchete principal:

CARNÊS DO IPTU CHEGARÃO ATRASADOS E COM VENCIMENTO A PARTIR DE 31/01/17.

Imaginem o que aconteceu: toda aquela alegria que vinha desde o dia anterior imediatamente se transforma, primeiro em surpresa (como assim, atrasados?) e depois que li o conteúdo da matéria, em asco, nojo e revolta.

Vejam um dos trechos da matéria: “Comumente, a impressão era feita no mês de novembro e a entrega ocorria em dezembro, para pagamento nos primeiros dias do ano. ”

Comumente quando, cara pálida???

Este governo, desde que assumiu, sempre encaminhou o carnê do IPTU em janeiro. Sabe por que? Porque assim a lei manda. Não bastasse o Código Tributário Municipal ser taxativo nessa questão em seu art. 174, o Código Tributário Nacional assim também define, em seu art. 144 e outros.

Uma questão natural: não posso ser cobrado de algo que ainda não devo.

O fato gerador do IPTU é 1º de janeiro de cada ano. Como posso cobrar alguém, enviando a sua casa um carnê, antes da data que ele começa a dever?

O tal “comumente” destacado na reportagem é do governo de 2005-2012, onde essa prática foi adotada e passou ilesa, sem nenhum contribuinte reclamando por conta disso. O discurso era chamativo: “aproveite seu 13º para pagar o IPTU”. E assim uma grande ilegalidade era cometida.

Evidente que o pano de fundo disso tudo não é a data que se cobrará ou que se enviará o carnê do IPTU para os moradores da cidade. O que está por traz disso é a retomada de uma linha jornalística que deixou de existir nos primeiros meses do atual governo: a defesa de um grupo político específico. O grupo dos tijolos que nunca existiram, o grupo do rombo de quase 30 milhões de reais por “compensações do INSS”, o grupo que pagou mais de 2,5 milhões para um escritório de advocacia fazer o serviço das compensações. Esse é o principal objetivo.

Não importa se por quatro anos seguidos cumpriu-se a lei e os carnês foram encaminhados como sempre deveriam ter sido. O que importa é taxar isso de “atraso” e que por conta desse “atraso”, a prefeitura poderá ter “problemas” em suas receitas, como declarou o prefeito ficha suja: “o envio tardio poderá repercutir na receita orçamentária do município em 2017”.

Não se preocupe que os problemas que terás nas receitas orçamentárias de 2017 não serão causados pelo IPTU, mas pela política recessiva e excludente do atual governo federal e estadual, que vocês têm orgulho de terem como padrinhos.

Até que os editores do jornal tentaram durante esses quatro anos manter as aparências em relação à atual administração: críticas veladas, comentários mornos e sem sal. Mas quando era para mostrar os fatos dos rombos da administração do outro grupo, silêncio. Não: não sejamos tão injustos. Silêncio não. Podemos chamar de complacência: “ele é um bom moço e certamente mostrará a verdade”. Pois é …. estamos esperando até hoje.

Mas quando, por má gestão (não disseram, mas tinham o melhor preço, só entregaram documentações erradas…), perderam a licitação das publicações oficiais, escancarou-se a opinião a respeito desta administração: a cada edição falácias e julgamentos irreais são publicados. A cada notícia percebe-se a intenção: no editorial do futuro secretário de comunicação de Sorocaba, o mesmo escreve que finalmente colocou-se uma “pá de cal” nas pretensões do atual prefeito em impedir o mandato do futuro. Esquece-se ele (será?) que juridicamente o futuro prefeito tem ainda muitas preocupações e corre sim o risco de não terminar o mandato.

Abaixo da notícia sobre os carnês do IPTU, mais uma manchete provocada pelo grupo que irá assumir e assinada pelo jornal: “Geraldo teme ‘apagão’ de internet e telefonia da administração em janeiro”. Pois é…. nem ele e nem o jornalista leram o Relatório de Gestão entregue na semana que passou.

Outra pérola para a defesa do grupo: “Geraldo diz que prefeitura adiou transição entre secretários atuais e futuros”. Essa é de cair o queixo…………

Em meados de novembro fizemos seis audiências públicas de prestação de contas, onde cada secretaria expos os trabalhos realizados e o que ficará para a próxima gestão. Questionamentos foram feitos e todas as dúvidas apresentadas. Além disso, publicamos um relatório completo (ainda está na página da prefeitura…. depois de 01 de janeiro não sei…) sobre o que foi feito e o que fica para a continuidade. A administração futura foi convidada, como todos os cidadãos de Salto. Óbvio, não comparecerem.

Temendo que antes da diplomação alguma coisa impedisse a posse, deixaram para indicar os futuros secretários no dia seguinte à sentença do TSE e da diplomação feita pelo Cartório Eleitoral local. Ai, querem tirar o atraso….. como se nada mais a atual administração tivesse para fazer. Queriam reuniões no mesmo dia do anúncio do novo secretariado. Oras…..me poupem!!!

Quem está atrasado, senhores????

Simplesmente patético e deprimente!!!

A verdade, senhores. A única coisa que esperamos da imprensa é a verdade….simples assim!

 

Em causa própria

 

Do Luiz Nassif

por Maurício Stycer

 

Da Folha de S. Paulo

Graças à sua atividade como jornalista na área de defesa do consumidor, Celso Russomanno conquistou notoriedade suficiente para dar início a uma carreira política. Nos últimos anos, a relação entre essas duas atividades se tornou explícita, uma alimentando a outra.

Depois de ser derrotado na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2012, Russomanno trocou um programa local por um nacional na Record. Por quase dois anos, então, entrou de segunda a sexta na casa dos espectadores vespertinos da emissora. Foi eleito o deputado federal mais votado do Brasil em 2014.

Concluída a eleição deste ano, Russomanno reocupou seu lugar no “Programa da Tarde”. Com uma agenda política clara, ele já explicitou que, entre os seus objetivos, está o de voltar a disputar o governo municipal de São Paulo em 2016.

Não aprecio o tom muitas vezes autoritário que o jornalista usa para cobrar satisfações de quem supostamente lesou o consumidor. A postura de “justiceiro” provoca ainda mais incômodo quando o “xerife” questiona serviços públicos ineficientes, municipais ou estaduais. Como distinguir, nestas horas, o que é defesa do consumidor de campanha política?

Como outros comunicadores com carreira política, Russomanno respeita a legislação, afastando-se da TV dentro dos prazos fixados para quem vai disputar eleições. A questão que se coloca é se a legislação não deveria ser revista, de forma a limitar mais o uso dos meios de comunicação por quem vive esta dupla jornada, entre a televisão e os palanques.

Falando em uso da televisão em benefício próprio, não posso deixar de registrar dois casos recentes em que a Globo serviu de forma inusitada como plataforma para divulgação de produtos de artistas da casa.

No último domingo (2), Regina Casé informou ao público que o tema do seu programa, o “Esquenta”, seria a China. A escolha foi um pretexto para falar de “Made in China”, comédia coproduzida pela Globo Filmes.

Não é a primeira vez que o programa promove atrações da Globo. A novidade, neste caso, é que o filme é dirigido pelo marido de Regina Casé, Estevão Ciavatta, e conta com a própria apresentadora no elenco.

Regina não escondeu do público a sua ligação com o diretor e o filme. A transparência, ainda assim, não foi capaz de diminuir o incômodo pela falta de cerimônia com que ocupou o auditório do seu programa para defender interesses privados.

A situação lembra outra, que ocorre na novela “Império”. A atriz Letícia Birkheuer interpreta uma jornalista, Érika, assistente do blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti). A personagem começou a chamar a atenção por frequentemente aparecer com modelos diferentes de óculos.

Letícia não precisa de óculos, mas sugeriu à figurinista da Globo adicionar o acessório a sua personagem. “Foi mais ou menos uma ideia minha e do figurino também. Eu achei que ia dar um ar mais sério para a Érika se ela usasse óculos. Aí, a figurinista gostou e todo mundo amou no final. Foi ótimo”, explicou ao site da emissora.

O detalhe é que os óculos são de uma linha que leva o nome da própria atriz. Ou seja, com o consentimento da emissora, ela está desfilando produtos da sua marca.

Kill the Messenger – Fim do mito da imprensa livre

 

Do Jornal do Brasil

 

Filme revela pressão do poder e encerra mito da imprensa livre

 

Há muito mais verdades sobre o jornalismo norte-americano no filme Kill the Messenger, que descortina o que se passa na grande mídia, a partir da campanha nacional de difamação contra o trabalho do jornalista investigativo Gary Webb do que no filme All the President’s Men, uma celebração ao trabalho dos repórteres que cobriram o escândalo Watergate.

Os meios de comunicação apoiam cegamente a ideologia do capitalismo corporativo.

 

 

Louvam e promovem o mito da democracia estadunidense. Deste modo são suprimidas liberdades civis da maioria e o dinheiro substitui o voto. Os meios de comunicação prestam deferência aos líderes de Wall Street e de Washington não importa o quanto os seus crimes possam ser perversos. De modo servil, os meios de comunicação veneram os militares e a aplicação de leis em nome do patriotismo.

 

Os meios de comunicação selecionam especialistas e peritos, quase sempre indicados e sugeridos a partir dos centros de poder, para interpretar a realidade e explicar a política. Em geral divulgam press releases oficiais redigidos pelas corporações para preencher o seu noticiário. E para distrair os leitores, recheiam os furos de notícias com fofocas da vida de celebridades,com notícias triviais ou esportivas e com futilidades.

 

 

O papel da grande mídia é promover o entretenimento ou se fazer de papagaios repetindo a propaganda oficial para as massas. As corporações, que contratam jornalistas dispostos a serem cortesãos e são proprietárias da imprensa, alugam profissionais para serem benevolentes com as elites e, em contrapartida, os promovem a celebridades. Estes jornalistas cortesãos, que ganham milhares de dólares, são convidados a frequentarem a intimidade dos círculos do poder. Como diz John Ralston Saul, romancista canadense, são hedonistas do poder.

 

Quando Webb publicou, em 1996, uma série de reportagens no jornal San José Mercury News denunciando a Agência Central de Inteligência (CIA) como cúmplice no contrabando de toneladas de cocaína a ser vendida nos Estados Unidos para financiar a sua operação na luta dos contra da Nicaragua, a mídia se voltou contra ele que passou a ser visto como se fosse um leproso. Ao longo do tempo e das várias gerações de jornalistas, é longa a lista de profissionais leprosos que vai de Ida B. Wells a I.F. Stone e a Julian Assange.

 

Os ataques contra Webb foram renovados agora, em jornais como o The Washington Post, assim que o filme estreiou, há uma semana, em Nova Iorque. Estes ataques são como uma autojustificativa. Uma tentativa da grande mídia de mascarar a sua colaboração com as elites do poder. A grande mídia, assim como todo o establishment liberal, pretende apresentar o verniz de quem, destemidamente, busca a verdade e a justiça. Mas para sustentar este mito precisa destruir a credibilidade de jornalistas como Webb e Assange que procuram jogar uma luz no trabalho sinistro e criminoso do império que é mais preocupado com (esconder) a verdade do que com a notícia.

 

Os maiores jornais do país, inclusive o The New York Times, escreveu que a história levantada por Webb apresentava “provas escassas”. Funcionaram como cães de guarda para a CIA. Em 1996, assim que a denúncia surgiu, The Washington Post dedicou imediatamente duas páginas inteiras para atacar a argumentação e as provas de Webb.

 

O Los Angeles Times publicou três artigos enlameando a reputação de Webb e procurando destruir a credibilidade da sua história. Foi um repugnante, deplorável, vergonhoso capítulo do jornalismo norte-americano. Não foi o único. Alexander Cockburn e Jeffrey St. Clair, em um artigo publicado em 2004, How the press and the CIA killed Gary Webb’s career (Como a imprensa e a CIA mataram a carreira de Webb) detalharam a dinâmica da campanha nacional de difamação.

 

O jornal de Webb, depois de publicar um mea culpa sobre a série de matérias publicadas, demitiu-o. Webb nunca mais conseguiu trabalho como jornalista. Ele expôs a CIA como um bando de marginais contrabandeando armas e traficando drogas. E expôs os meios de comunicação, que dependem de fontes oficiais para a maioria de suas notícias e, portanto, são reféns de tais fontes, como servas covardes de poder.

 

É de conhecimento público, em parte devido a uma investigação do Senado conduzida pelo senador John Kerry, que Webb estava certo. Mas a verdade nunca foi assunto para aqueles que denunciaram o jornalista. Webb tinha cruzado a linha. E ele pagou por isto. Desorientado e apavorado com o risco de perder a sua casa oficialmente diz-se que cometeu suicídio em2004. Há quem diga que a CIA o matou.

 

O filme Kill the Messenger (O mensageiro) é dirigido por Michael Cuesta e estreia no Brasil no próximo dia 11 de dezembro. O ator Jeremy Renner (de Guerra ao terror) faz o papel de Gary Webb, o jornalista que sofreu implacável campanha nacional de difamação depois de publicar a cumplicidade da CIA no contrabando de cocaína para financiar os contra da Nicarágua. Antes, Brad Pitt e Tom Cruise foram sondados para o papel assim como Spike Lee foi convidado para dirigir a produção.

 

Sobre o filme, o economista Paul Krugman escreveu, em coluna recente, com o tema da redução de impostos e a propaganda ideológica que substituiu o jornalismo. Ele reforça a percepção de que a grande mídia hoje faz política; não jornalismo – ao contrário do fervor de suas recentes juras oficiais.

 

 

 

Abaixo, Krugman:

 

“… dizer aos eleitores, com frequência e bem alto, que o fato de sobrecarregar os ricos e ajudar os pobres provocará um desastre econômico, enquanto que reduzir os impostos dos “criadores de emprego” nos trará prosperidade a todos. Há uma razão por que a fé conservadora na magia das reduções de impostos se mantém, por mais que essas profecias não se cumpram (…): há um setor, magnificamente financiado, de fundações e organizações de meios de comunicação que se dedica a promover e preservar essa fé. Há mais verdade sobre jornalismo americano no filme Kill the Messenger, que narra o descrédito da mídia mainstream do trabalho do jornalista investigativo Gary Webb, do que há no filme Todos os Homens do Presidente, que celebra as façanhas dos jornalistas que descobriram o escândalo Watergate.”