Covardia ou traição?

 

Fomos surpreendidos neste final de semana com a desistência da candidatura a deputado do nosso ex-prefeito. Em nota publicada no Jornal Tapera, alega a dificuldade criada pelo seu partido, o PP, quando se coligou com outros grandes partidos nas eleições proporcionais provocando com isso um coeficiente eleitoral necessário maior para se eleger. Além disso, fala em “poucos recursos” para uma campanha que necessitaria de muitos votos.

No mínimo estranhas as causas apontadas. Primeiro porque as contas apontadas na nota são todas de prognósticos, já que a proporcionalidade se dá na contagem dos votos. Mas mesmo considerando o prognóstico correto, evidenciou-se que a escolha do partido pelo ex-prefeito foi no sentido da facilidade eleitoral e não da convicção política. E segundo, em relação aos “poucos recursos” talvez a maior surpresa, já que era público e notório o apoio incondicional dos irmãos de Indaiatuba.

Por conta dessas estranhezas é que algumas reflexões são importantes.

Em primeiro lugar, a figura do todo-poderoso, daquele que veio para resolver todos os problemas e por conta disso está acima de qualquer organização, grupo ou mesmo partido e suas ideologias. Na política, vivida no Brasil, isso é possível até certo limite. E em se tratando de eleições proporcionais esse limite é menor ainda. Quem entra em uma eleição proporcional pensando em se eleger por conta própria, já entrou equivocado. Nas eleições proporcionais quem não se sujeitar ao grupo, não se sujeitar aos interesses coletivos para, a partir dai colocar os seus, tem poucas chances de sobreviver, não só nas eleições, mas também no próprio grupo.

Depois a surpresa dos “poucos recursos”. O que aconteceu com o apoio incondicional? Por que será que o apoio de Indaiatuba se reduziu? Aqui, mais uma lição das eleições: apoia-se aqueles que tem base, aqueles que demonstram diante de um eleitorado definido, que consegue ser o preferido desse eleitorado. Certamente as pesquisas encomendadas não deram ao ex-prefeito essa capacidade nas terras onde mais interessa vitória aos apoiadores.

A certeza de que seria eleito e a decepção de verificar que não é bem assim pode ser outro motivo. A política não é uma ciência exata. Todos trabalhamos com perspectivas a partir de ações realizadas. Achar que fulano ou beltrano está eleito é uma aposta altamente arriscada, principalmente em se tratando de eleições proporcionais. Se o ex-prefeito entrou somente com o objetivo certeiro da vitória (como em 2004), cometeu um erro grave.

Diante de tudo isso o que fica para reflexão é a certeza de que a história é cíclica. Em 2004 ele tinha total certeza de que seria eleito e se atirou completamente nas eleições. Apoiado por um grupo composto por várias forças, não titubeou (como em anos anteriores havia titubeado) porque o cenário era totalmente favorável à vitória. Em 2008, mais ainda. E então, provavelmente a prepotência e o excesso de confiança tomaram conta e fez o que fez em janeiro de 2012. E se atira em uma eleição, com um boi de piranha jogado no rio, para medir se o que fez era correto. Percebeu que não e correu para debaixo das asas dos irmãos de Indaiatuba que, no início, lhe deram acolhida e esperanças. Mas os apoiadores tem outra característica: o pragmatismo. Eles procuram sempre o mais certo dos caminhos para colocar seus recursos, seja quem for o prejudicado com isso. Inclusive os que se acham todo-poderosos.

Será que agora ele sentiu na pele o que sentimos em janeiro de 2012? Será que agora ele se sentiu traído como fomos em 2012?

Em 2012 fomos traídos, porém não abaixamos a cabeça. E fomos para a disputa sem hesitar um só momento, pois nosso objetivo era continuar trabalhando pela cidade. E apesar da traição, juntamos forças e vencemos as eleições, sem medo de perdê-la, se assim fosse o interesse da cidade. Não fomos covardes diante da incerteza. Acreditamos em nosso projeto.

Um projeto de governo que se iniciou em 1982, com a primeira candidatura do PT em Salto, com o companheiro Merlin e a eleição de um vereador. Em seguida, 1988 e 1992 representei nosso partido nas eleições do executivo e me lembro da felicidade de, mesmo em último lugar em 1982, termos eleito dois vereadores. A alegria foi pelo avanço do projeto na cidade. Recursos? Só os pessoais de um grupo altruísta e cheio de ideais.

Nas eleições seguintes, Juvenil (representando todo o coletivo petista) foi construindo um caminho que abriu as possibilidades concretas de participarmos de maneira efetiva e contundente do grupo que venceu as eleições de 2004, onde por pequena diferença nas pesquisas e grandes negociações, Juvenil foi o vice na chapa. E em nome do projeto (que se tornou muito maior que nosso coletivo), sujeitou-se a ser vice por dois mandatos, na certeza de que a construção feita seria respeitada e, finalmente, de forma consensual e homogênea, o PT e todas as forças por ele representadas, seria governo na cidade. Mas o ego e a ganância de alguns foram maiores que o projeto negociado para a cidade. E a traição foi o caminho.

Agora, o ex-prefeito, diante de um dilema político corriqueiro, toma a mesma decisão tomada outras vezes em sua carreira: desiste. Desiste porque não quer perder, desiste porque não quer sentir o gosto da derrota, porque antes dos ideais e dos interesses da cidade, está sua imagem, seu individualismo limitador de decisões. Que político em sã consciência não sabe que derrotas estão pelo caminho? Não fosse assim, Lula não seria presidente do Brasil, Juvenil não seria prefeito de Salto e tantos outros exemplos, em todas as esferas da política nacional e internacional. Mas o individualismo e, por consequência, o medo, falam mais alto no caso em análise.

Político, por mais individualista que seja se não respeitar o coletivo e não se sujeitar a ele, não tem futuro. E o que estamos vendo é exatamente o oposto de um político: estamos vendo alguém que treme diante da simples possibilidade de perder.

O que se conclui do questionamento do título é que provavelmente as duas situações foram vividas nesse episódio: traição e covardia. Traição dos apoiadores e covardia de um candidato que coloca o temor da derrota acima da possibilidade da discussão, do enfrentamento sadio de uma campanha, das alternativas e projetos para a cidade e região. Projetos não acontecem somente depois de eleito. Eles devem ser rico material de discussão politica em uma campanha. Mas aparentemente para o ex-candidato a campanha deve ser só uma confirmação do que seu ego exige: vitória e somente vitória. Fora desse contexto, o medo impera.

 

Entrevista de Fernando Haddad ao El Pais

 

Do El Pais

São dez e meia da manhã do último dia de 2013 quando o prefeito petista Fernando Haddad, 50, recebe a reportagem do El PAÍS na sede da Prefeitura de São Paulo, no centro da cidade. O semblante de esgotamento e o par de tênis nos pés permitiriam confundi-lo, facilmente, com um maratonista da São Silvestre, corrida que naquele momento passava pela porta da administração municipal. Mas o aparente cansaço do administrador da maior cidade da América Latina tem outras causas. É o resultado de um ano intenso, permeado por derrotas políticas que devem trazer um impacto significativo nas finanças e nos investimentos de 2014.

Em junho, uma série de protestos contra o aumento de 20 centavos na tarifa de transporte público ganhou força depois de uma violenta repressão policial. Sob pressão popular, Haddad e o governador Geraldo Alckmin (que gerencia o sistema de trens e metrô) anunciaram a volta da tarifa para os 3 reais.

Mas os protestos continuaram e impactaram a imagem de Haddad: o número de pessoas que consideram seu governo bom ou ótimo caiu de 34%, no início de junho, para 18%, em novembro, segundo pesquisa Datafolha. E quando a situação parecia melhorar, veio um novo golpe: ao tentar reajustar o IPTU, imposto que incide sobre os imóveis, Haddad foi barrado pela Justiça após uma ação comandada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que tem como presidente Paulo Skaf, provável candidato pelo PMDB nas eleições para o Governo de São Paulo neste ano.

O resultado dos dois golpes foi um congelamento de ao menos 800 milhões de reais que seriam usados pela prefeitura para seus investimentos de 2014. Um impacto definido por um Haddad especialista na doutrina de Karl Marx como a vitória da Casa Grande perante a Senzala, uma referência ao livro do sociólogo Gilberto Freyre, que analisa a formação do Brasil. “Para aqueles que acreditam que o nosso problema de bem estar social é falta de investimento público, [a derrota do IPTU] trará consequências.”

Pergunta: Como é ser prefeito da maior cidade da América Latina?

Resposta: Uma experiência desafiadora. Mas há também a sensação de que você consegue dar resposta aos problemas, desde que você tenha alguma determinação para mudar a realidade da cidade. Em geral, os prefeitos que deixam uma marca na sua cidade foram os que tomaram as providências que todo mundo sabia que precisavam ser tomadas, mas eram postergadas em função de circunstâncias conjunturais. A questão da mobilidade é clássica no mundo inteiro. Todo mundo sabe que deve priorizar o transporte público, mas tomar a decisão de priorizá-lo é difícil porque incomoda aqueles que estão comodamente utilizando o transporte individual. Já tínhamos anunciado na campanha que faríamos, mas impulsionados pelas manifestações de junho, fizemos em seis meses o que faríamos em quatro anos [com o aumento das faixas exclusivas de ônibus], o que resultou em um incremento na velocidade do ônibus, superior a verificada em Nova York e Paris, que tomaram a mesma decisão.

P: Mas as pesquisas mostram que pessoas não deixaram o carro em casa, que o número dos que usam ônibus não aumentou muito.

R: Mas deixou de cair. Vinha caindo consideravelmente. Essa mudança não se faz em meses.

P: Há uma forma de estimular as pessoas a deixarem o carro?

R: É a perseverança. O trânsito em São Paulo piorou menos em 2013 do que em 2012, quando não se investiu um centavo em transporte público. O trânsito aumentou 11% de 2011 para 2012, sem uma faixa, sem um corredor. E de 2012 para 2013, 7%. Óbvio que é uma mudança de cultura, talvez geracional. No meu tempo, o presente de quem entrava na faculdade era um carro. Outro dia, meu filho me disse que pensava em se desfazer do carro, em função dos custos associados. Paga-se muito mais de seguro de carro em São Paulo do que de IPTU.

P: Esse é um valor percebido por um grupo mais crítico. A população, em geral, ainda não vê assim.

R: Mas os 70% que usam transporte público entendem.

P: E isso não deveria se refletir em apoio ao seu nome?

R: Vamos dissociar essas duas coisas. O apoio à medida [implementação das faixas] foi medido por dois institutos de pesquisa, e está na casa dos 90%. Uma coisa é aprovar a medida, outra coisa é aprovar o político. Estamos num ano muito atípico do ponto de vista de aprovação aos governantes, de maneira geral. A aprovação da nossa reforma educacional é na casa dos 90%. De mobilidade, 90%. Se perguntarem sobre as medidas para combate à corrupção, certamente vai ser de 100%. E isso tudo pode não se refletir em apoio político.

P: Isso é uma sina em São Paulo, onde poucos prefeitos reelegeram sucessores?

R: É um contexto geral de mau humor em relação à política, que é mais grave em São Paulo. Porque a cidade vive uma crise financeira há 20 anos. São Paulo está investindo menos da metade das capitais do Sudeste [Belo Horizonte, por exemplo, investe três vezes mais]. Não tem como. Tem uma hora que a política tem que fazer a concessão à matemática.

P: O problema é a dívida de 56 bilhões de reais, que não dá margem para investimento?

R: Não é só isso. Tem os precatórios. O Supremo declarou inconstitucional o parcelamento dos precatórios, isso já está se refletindo nas contas municipais. Tem um problema novo, o do congelamento da tarifa de ônibus. E um mais novo ainda, que é a suspensão de uma prática comum a todos os governantes que me foi sonegada, que é a atualização da planta de valores do IPTU.

P: E por que o senhor acha que, agora, pela primeira vez, foi negada a atualização do IPTU?

R: Eu não sei.

P: É uma questão política?

R: Não sei. Eu acompanho finanças públicas desde criancinha, vamos dizer. Eu nunca vi uma decisão dessa, de negar uma prefeitura de atualizar a base de cálculo.

P: Está claro, há um problema…

R: Não há um problema. Havia um, agora são quatro (risos).

P: O seu cenário é muito pessimista pelo jeito. Quais são as soluções possíveis? Reajuste da tarifa de ônibus em junho?

R: Antes das manifestações de junho, eu já havia dado uma declaração de que eu era a favor da municipalização da CIDE [Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico], um tributo que incide sobre a gasolina, para baratear o preço da mobilidade em São Paulo. No mundo inteiro discute-se isso. Em Bogotá, por exemplo, tem uma espécie de CIDE municipal. O prefeito tributa a gasolina e subsidia o transporte público. Eu entendo que 2014 é um bom ano para discutir esse tema, em termos nacionais.

P: Mas em um ano eleitoral?

R: Justamente. É em ano eleitoral que se discute esse tipo de coisa. Se o Brasil quer o barateamento da tarifa, então temos que discutir a fonte desse barateamento. Por que você vai prejudicar outros setores do governo para baratear o transporte? Saúde, educação, moradia? Essa pergunta será feita aos candidatos. Ninguém que é pessimista pode entrar na política. A política já é tão difícil sendo o que ela é. O pessimista tem de fazer outra coisa… Tem que ser jornalista (risos).

P: Mas a prefeitura teve que congelar boa parte da verba por mais um ano. Como implementar os projetos?

R: A suspensão da tarifa e a falta de correção da tabela do IPTU implicam na redução do investimento na cidade. Mal ou bem, essas decisões foram tomadas. Foi o resultado do campo de forças que atuou sobre a cidade. Uma cidade que já investe metade do que as demais capitais do Sudeste investem vai ter mais restrições de investimentos. Esta cidade que pede mais creche, mais qualidade do transporte, mais leitos hospitalares, que se façam mais cirurgias eletivas, precisa encontrar um padrão de financiamento. Isso passa por muitas ações, pela repactuação da dívida do município com a União, que ao contrário do que se vem retratando, está bem encaminhada.

P: Mas existe um consenso no mundo econômico de que repactuar a dívida da prefeitura com a União pode gerar um endividamento e prejudicar o ajuste fiscal do país.

R: Discordo desse entendimento. Primeiro, porque não tem impacto fiscal no curto prazo. Segundo, nós estamos buscando um reequilíbrio do contrato. Não é farra fiscal. A União não pode enriquecer às custas dos entes cujas dívidas foram renegociadas. Não posso pagar uma dívida de 17% [de juros] para a União, enquanto ela rola as dívidas dela a 10%. Numa Federação, um ente não pode lucrar às custas de outro. Acho incrível um economista sério defender um contrato totalmente desequilibrado como este. O que estão dizendo é o seguinte: já que você assinou um contrato infeliz, paciência. Você vai colaborar com o esforço fiscal da nação porque você fez um mau negócio. Mas esse negócio foi feito entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-prefeito Celso Pitta (nos anos 2000). É uma excrescência do ponto de vista jurídico.

P: O senhor acredita, então, que isso pode mudar neste ano?

R: Eu confio na regra de bom senso. Não há como prevalecer o entendimento de que um contrato totalmente desequilibrado deva ser mantido porque um grupo de fundamentalistas entende que isso coloca em risco a estabilidade financeira do país. Estamos falando de um município!

P: Mas que é o maior município do país…

R: O que é pouquíssimo perto da União.

P: Mas a mudança do indexador afetaria outros municípios e Estados.

R: Mas é justo que a mudança do indexador ocorra. Não é razoável imaginar que Alagoas, por exemplo, um dos Estados com os piores indicadores sociais, talvez do mundo, subsidie a União. Esquece São Paulo. Para Alagoas é justo?

P: Mas, de qualquer forma, ainda estamos falando de uma expectativa de mudança. E, de concreto, ainda não tem verba.

R: Quando uma bola está na marca do pênalti, tenho uma boa expectativa de que vai sair o gol.

P: Tem o Roberto Baggio para mostrar que ela sempre pode ir para fora….

R: Óbvio que pode. Mas com uma bola na marca do pênalti, uma expectativa de gol não é otimismo exacerbado.

P: Mas o senhor conta com mais verbas da União? Ela já aumentou em 3.000% para os investimentos na saúde na sua gestão…

R: São Paulo se mantinha isolado. Nós estamos aderindo a todos os programas federais. Na área da saúde, educação, cultura, mobilidade, do Minha Casa, Minha Vida. Agora, óbvio que nós temos constrangimentos. Quando o programa federal exige contrapartida, o aumento da arrecadação própria do município é essencial para honrar essa contrapartida. Por isso a nossa preocupação com o IPTU é tão grande.

P: Como assim?

R: Porque ao contrário do que a Fiesp alardeou, nós não vamos perder só 800 milhões de reais. Aliás, 800 milhões só não é dinheiro para a Fiesp. Para São Paulo é muito dinheiro. Nós não vamos perder só os 800 milhões, vamos deixar também de fazer obras que exigem a contrapartida. Por exemplo: a União paga a construção de creche para os municípios. Só que, para isso, eu preciso de terreno. Mas como não tenho terreno público em São Paulo, eu preciso desapropriar. E se eu não tenho o dinheiro próprio para a desapropriação, o dinheiro federal não vem. O principal problema são os casos em que preciso desapropriar, como o Minha Casa, Minha Vida, e os corredores de ônibus.

P: Houve bairros com aumento de 29%, como no caso da Vila Mariana (classe média alta), e redução de 10% em bairros como Guaianases (de baixa renda). Não se poderia ter mantido esses bairros sem desconto, para que outros não tivessem tanto reajuste?

R: A planta genérica de valores não é uma peça política. É uma peça técnica, elaborada na secretaria de Finanças. Uma lei municipal exige que no primeiro ano de mandato todo prefeito atualize. Eu estava cumprindo a lei. Eu estava fazendo o que todos os prefeitos fizeram no seu primeiro ano. É justo atualizar a base de cálculo do tributo. Se uma jurisprudência como essa se firma, o que eu não acredito, vai ter repercussões em todos os municípios.

P: Não faltou diálogo, sabendo ainda que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pode se candidatar a governador em 2014?

R: Não faltou diálogo, sobrou oportunismo. É minha opinião sincera.

P: No mundo da política não existem bondades, o jogo não é fraternal…

R: Debate sobre tributo no Brasil sempre se ganha a posteriori, a priori é muito difícil ganhar. Quando prometeram que os preços das mercadorias iam cair com o final da CPMF (tributo criado para financiar a saúde, extinto posteriormente), lembra? Nós estamos esperando até agora. Os empresários embolsaram lucros maiores e a saúde pública foi prejudicada.

P: Já que estamos falando de lucro… O senhor deu uma declaração que gerou polêmica recentemente. Disse que a Casa Grande, representada pela Fiesp, venceu a Senzala, que é a população pobre de São Paulo. O senhor acha que há uma luta de classes?

R: Veja bem, nós estamos num dos países mais desiguais do mundo. Não sei por que lembrar isso ofende alguém. E combater as desigualdades é equilibrar a contribuição que cada um dá para a sociedade se emancipar das mazelas materiais que sofre. Não vejo ofensa nisso.

P: É difícil ter uma visão mais marxista numa sociedade tão conservadora quanto São Paulo?

R: Não estou falando de marxismo aqui. Estou falando de Estado de bem-estar social. Como é que São Paulo admite conviver com a miséria que ainda existe aqui, a cinco quilômetros do centro? Como se admite conviver com tanta miséria ainda?

P: Mas também existe um paulistano que rejeita a miséria, que quer uma cidade mais humana. Como o senhor percebe isso?

R: Sempre fui da opinião que São Paulo não é uma cidade conservadora, é uma cidade onde atuam fortemente forças conservadoras. A cidade é melhor do que parece. Agora, muitas vezes esse desejo, essa vontade de mudança, fica subordinada aos donos que impedem essas forças de se manifestarem mais livremente. Por isso que é uma cidade tensa. Ela quer aflorar, mas não deixam. É o cabresto da Casa Grande. (risos).

COMBATE À CORRUPÇÃO

P: Existe uma ação da prefeitura, com apoio consensual, que é a Controladoria Municipal. O senhor falou em trabalhar leis internacionais para punir as construtoras, envolvidas na máfia dos fiscais. Como esse assunto foi encaminhado? No Brasil, não se pune o corruptor.

R: Ainda há muitas distorções que estão sendo corrigidas. Entra em vigor em janeiro uma lei que permite a multa administrativa severa dos corruptores. É uma lei nacional, que pretendemos aplicá-la exemplarmente em São Paulo. Há um projeto de lei desde 2004 no Congresso Nacional, encaminhado pelo ex-presidente Lula, que criminaliza o enriquecimento ilícito. Hoje isso não é crime. Posso te garantir uma coisa: se no Brasil for feito o trabalho que a controladoria do município fez, de cruzamento de dados patrimoniais, com declaração de Imposto de Renda, uma parcela da Casa Grande seria encarcerada. Pode ter certeza.

P: O combate à corrupção resvalou no seu governo, com o nome do Antônio Donato (secretário de Governo que pediu afastamento ao ser apontado como receptor de propina no esquema de fiscais da prefeitura com construtoras). Como o senhor vê isso?

R: Só três pessoas podiam prejudicar essa investigação até a sua conclusão exitosa: eu, o controlador e o Donato. Éramos as únicas três pessoas da prefeitura que, por dever de ofício, tinham que acompanhar, desde março, o passo a passo das ações conduzidas. Teve uma determinada circunstância, num determinado dia, que foi crucial. O controlador chegou para mim e para o Donato e falou: ‘olha, tá mapeado o problema.’ Expôs todo o problema, que veio a ser conhecido seis meses depois. Disse: ‘nós temos duas condutas a tomar, ambas com amparo legal. Um processo administrativo disciplinar por enriquecimento ilícito em que esses servidores serão demitidos. E outro muito mais delicado: levar o problema para o Ministério Público, tentar uma ação judicial que abra uma investigação com autorização legal, com quebra de sigilo telefônico, bancário, fiscal e todas as consequências inerentes a essa decisão’. Qual foi a posição minha e a do Donato? Vamos pelo caminho mais difícil, mas que vai resultar na verdade, em saber como essas pessoas acumularam até aqui 80 milhões de reais em patrimônio pessoal.

P: E por que o senhor acha que o nome dele foi envolvido?

R: Ah, aí tem que perguntar para quem envolveu… Eu estou dando um testemunho de quem presenciou a cena. A decisão foi tomada ali. Naquele minuto. Ninguém ali piscou. Muita gente não faria isso.

P: Foi uma perseguição ao senhor?

R: Não, não lido com esse conceito. Eu só sou uma pessoa, até pela minha formação, que acredita que você explicando os dilemas que o administrador público vive, isso ajuda a empurrar para a direção correta a cidade. Possivelmente alguém consideraria melhor ir no caminho do menor risco para a administração. Nós optamos por um outro caminho. Por um jeito que é mais pedagógico, mais transparente e que envolve mais riscos.

P: Quer dizer, o grande mérito da Controladoria foi esse cruzamento de dados…

R: Em 90 dias desbaratamos uma quadrilha que atuava havia oito anos! Agora, veja que curioso, a mentalidade é tão distorcida no nosso país, que boa parte da imprensa local começou a me criticar por não ter feito os cálculos políticos da minha decisão. Como se a ética tivesse de ser subordinada ao cálculo político. E muitos prefeitos, que estavam interessados em criar as suas controladorias, recuaram diante da reação da imprensa à minha suposta ingenuidade. As distorções morais estão em todo lugar.

P: É verdade que o ex-presidente Lula chamou o senhor para conversar sobre o desgaste dessa ação na aliança com o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, que é importante para a reeleição da Dilma?

R: Nunca. Tem reuniões das quais eu participei que eu fico sabendo pela imprensa. (risos).

PROTESTOS

P: E na época dos protestos? Houve uma crítica de que a prefeitura demorou para atuar. Se disse que o ex-presidente Lula estava insatisfeito com a sua postura. É verdade?

R: Sobre esse assunto eu conversei com o presidente Lula. E ele sempre entendeu o problema como um problema que não era local. Ele foi um dos primeiros a fazer essa afirmação: ‘não é a tarifa’.

P: E hoje como o senhor avalia o que aconteceu em 2013 no país? Eu queria a resposta do cientista político, não do prefeito.

R: Eu acho que o estopim pode ter sido a tarifa. Deixa eu fazer algumas considerações, já que você está perguntando para um cientista político você tem que me dar tempo (risos). A minha campanha eleitoral se baseou numa tese que se provou vencedora. Mas que explica muito, na minha opinião, as manifestações de junho. Eu dizia que a vida do brasileiro tinha melhorado da porta de casa para dentro. Mas não tinha melhorado da porta de casa para fora. Quis dizer que a vida do trabalhador: renda, acesso à crédito, acesso ao consumo, à educação, à saúde… tudo tinha melhorado, da porta para dentro. Mas que os serviços públicos, da porta para fora, não tinham acompanhado esse ritmo de mudança. A tarefa nossa, portanto, seria essa. Tínhamos que melhorar para o usuário do SUS [Sistema Único de Saúde], para o usuário de escola pública. Acho que junho é um pouco o resultado disso. Com um ingrediente, na minha opinião, que explica muito a forma que a coisa assumiu: a violência policial.

P: A violência foi o elemento catalizador?

R: Eu acho que ali houve uma resposta da juventude, que disse: ‘nós não vamos aceitar um retrocesso democrático no país e se formos para a rua para nos manifestar é um direito nosso’. Acho que aquela quinta-feira, 13 de junho, é um turning point. Existia um movimento [pela redução da tarifa] que não era novo, que não tinha grande expressão e, de repente, uma violência muito grande resultou numa situação inédita.

P: A Polícia Militar foi inábil?

R: Eu entendo que o Estado ainda não estava preparado do ponto de vista da sua organização, da formação democrática que as forças de segurança têm que ter. Nós saímos da ditadura militar, o Brasil está avançando enormemente na democracia, é uma das democracias mais vibrantes do mundo. Mas eu entendo que do ponto de vista da segurança pública existe ainda um componente mal resolvido de interface com a política, de se criminalizar protesto, por exemplo. Isso é uma coisa muito comum em uma ditadura, onde se criminaliza os opositores do regime. Numa democracia não se aceita. O que me pareceu é que houve uma reação muito forte da sociedade em relação a esse resquício do período autoritário.

P: O senhor acha que a polícia deve ser desmilitarizada?

R: Eu não estudei esse assunto. A tendência mundial é a da desmilitarização. Isso é uma tendência no mundo e quanto mais evoluído o país, mais essa é a regra.

P: Agora, olhando quase seis meses depois, teria alguma coisa que o senhor teria feito diferente em relação às manifestações? A prefeitura demorou para agir?

R: Demorou-se muito tempo? Acho que não. Na quinta-feira, 13 de junho, houve aquele evento, aquela enorme repressão e na quarta-feira foi feito o anúncio.

P: Mas as manifestações já tinham sido reprimidas com violência outras vezes antes, tudo vinha crescendo…

R: Antes daquela quinta-feira, as vítimas retratadas pela própria imprensa estavam mais do lado da polícia. A foto da quarta-feira, 12 de junho, em todos os jornais, é a de um policial sangrando e não a de um manifestante ferido. Não estava claro o que de fato estava acontecendo. Na quinta-feira muda tudo. O que eu vi depois de quinta é que o debate ali estava completamente interditado. Já não era possível debater o assunto. Ainda tentamos. Mas ali já não havia mais nenhum espaço para o debate.

P: Uma das soluções que vieram foi a Comissão Parlamentar de Inquérito do ônibus (quer seria feita na Câmara Municipal, pelos vereadores, para abrir as planilhas de gastos do transporte público). Isso andou muito pouco.

R: Eu não vejo condições de um aprofundamento desse tipo de debate numa CPI. CPI em geral é muito boa para apurar uma denúncia. Um fato concreto. Uma auditoria, na minha opinião, só uma auditoria internacional licitada como nós vamos fazer. Estamos no meio do processo de licitação. Como a sociedade está demandando mais transparência, resolvi que não vou licitar o sistema, sem antes auditar.

P: Vai constar no critério de preferências mais linhas oferecidas?

R: Primeiro lugar, na minha opinião, é o custo disso tudo. Quando as pessoas falam: ‘corta do empresário’, vamos ver. No primeiro ano da minha primeira administração reduzimos o desembolso em 500 milhões de reais em 2013. A mesma prefeitura está atuando na renegociação dos contratos com os fornecedores, renegociação da dívida com a União, negociação dos precatórios, planta genérica de valores… Fazemos um grande esforço de saneamento para recolocar São Paulo na liderança do investimento público per capita do país.

P: É possível ter tarifa zero no transporte público?

R: Vamos fazer uma pergunta diferente: é possível aumentar o subsídio à tarifa até o ponto de chegar a 100%? A minha opinião é que sim, se tiver uma fonte de financiamento.

P: Que seria…

R: A municipalização da CIDE. Se os prefeitos forem autorizados a tributar a gasolina para subsidiar a tarifa, você poderia avançar no subsídio e diminuir o preço da tarifa no bolso do trabalhador.

P: Vai ter aumento de ônibus em 2014?

R: Não está planejado.

P: Isso é não?

R: Isso é não.

POLÍTICA

P: Estamos falando de arrumar a casa e, talvez, colher os frutos dessa arrumação muito tempo depois de quatro anos. Todas essas questões demoram um tempo até que se tenha verba para fazer o que realmente aparece aos olhos públicos. Não é um risco político?

R: É um risco político que eu decidi assumir, conscientemente. Eu vou te dar um exemplo da minha passagem pelo Ministério da Educação: seguramente, nós fizemos a maior reforma educacional da história. Mas nós ficamos dois anos discutindo roubo de uma prova do Enem, um livro que supostamente ensinava o brasileiro a falar errado… Ou seja: do que nós estamos falando? Você promove uma das maiores reformas, inclusive reconhecida pela Unesco, pela Unicef. E nós ficamos presos a esses acontecimentos que a imprensa julgou como os mais relevantes a serem discutidos. É difícil a comunicação.

P: No longo prazo esses esforços podem ser percebidos? O PT tem tempo de esperar esse longo prazo em São Paulo?

R: Veja bem. São Paulo precisa ser bem sucedida pela métrica que me interessa. A métrica que me interessa não é a reeleição. Você pode ser mal sucedido e se reeleger. Conheço vários prefeitos ruins que foram reeleitos. A minha métrica do sucesso não é a reeleição. É um projeto para a cidade. A cidade tem um projeto hoje? Não tem. Se essa cidade em 2016 tiver um projeto… E quando eu digo projeto não é o prefeito ter um projeto. É a cidade ter um projeto. Para mim, essa é a vitória da gestão. Para mim, o que significa mudar São Paulo é uma combinação virtuosa entre o projeto e o tempo. É um risco muito grande? É um risco muito grande.

P: Mas adianta ter um projeto e em 2016 não conseguir a reeleição e entrar um outro prefeito que vai assumir outro projeto?

R: Foi o que aconteceu com a Marta [Suplicy]. Por que a Marta, à maneira dela, vinha desenvolvendo uma visão de cidade que estava se impondo e que é diferente da São Paulo que nós conhecemos hoje. Na minha opinião, a cidade seria outra. Até porque eu participei da gestão dela e vi que estava se constituindo uma coisa nova em São Paulo. E ela perdeu.

P: E o senhor não teme isso?

R: Temo. Mas qual a alternativa que eu tenho? Maquiar? Não sei!

P: A Marta foi muito bem aceita na periferia e rejeitada nos bairros mais ricos. Ela também teve um embate com a classe média, onde está grande parte do conservadorismo. Não existe uma estratégia para trabalhar a conquista da classe média?

R: É difícil você convencer alguém de alguma coisa no primeiro ano de governo. Porque as pessoas não conseguem enxergar. É muito difícil, inclusive, comunicar coisas que estão sendo gestadas ainda. Então, tem que ter muita paciência para suportar esse processo. Trabalhar calado, aguentando e acreditar que tem uma coisa que vai desabrochar. Exige um exercício incrível.

P: A gente vê que a aposta do Kassab para a reeleição foi bem simples. Ele investiu na Cidade Limpa, investiu na zeladoria…

R: A do [José] Serra foi mais simples ainda! Se desincompatibilizou depois de um ano e se candidatou a governador… (risos)

P: Não seria mais fácil essa aposta mais simples?

R: É mais fácil! Mas, mutatis mutandis, você está me fazendo o tipo de pergunta que me causava uma certa indignação três meses atrás quando me perguntavam: ‘mas porque você está combatendo a corrupção desse jeito. Você não está percebendo que isso está trazendo prejuízo para o teu governo?’. É o mesmo tipo de cálculo, entendeu. Mas é o jeito que eu sei fazer.

P: Mas o senhor foi uma aposta do PT para tentar se renovar, trazer quadros novos, já que há preconceito da classe mais conservadora paulista com a questão sindical, trabalhista, historicamente ligada ao partido. O senhor é um intelectual, professor da USP. O ministro da Saúde Alexandre Padilha, que deve ser o candidato ao Governo de São Paulo neste ano, vem com o mesmo perfil…

R: Não tem ninguém que se pareça mais com um tucano do que eu. Branco, filho de imigrante, bem sucedido academicamente, três diplomas. E o que quer dizer isso? Na hora em que os interesses estão em jogo, é de que lado você fica que importa. Quer mais do que a Marta? Loira, de olhos azuis, quatrocentona, poliglota, estudou na França, nos EUA. O currículo da Marta dá de dez no de qualquer tucano. E daí? Mas ela fez Bilhete Único, CEU na periferia, corredor de ônibus.

P: Foi um ano intenso. O senhor está cansado?

R: Sei lá. Oscila muito tua maneira de ver. Não sei. Já vivi anos difíceis na vida. 2005 foi um ano muito difícil na minha vida, quando assumi o Ministério da Educação. Tive anos na vida privada muito difíceis.

P: O senhor se arrepende?

R: Não. É um privilégio viver essa experiência.

O IDHM de Salto

Foi com muito orgulho que recebi a notícia do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios) de nossa cidade. O avanço que ele mostra nos últimos dez anos é a prova inconteste de que as ações realizadas nesse período em educação, saúde, cidadania e desenvolvimento foram acertadas e precisam ser radicalizadas.

Ao observar o desmembramento do índice, podemos notar que todos cresceram. E que o diferencial do crescimento está na educação.

A maioria dirá que as ações que possibilitaram esse crescimento foram dos últimos governos, como li neste final de semana. Sei também que uma conjugação de fatores nacionais propiciaram os avanços em nossa cidade. Maior prova disso é o crescimento de jovens no nível universitário, resultado inconteste de maiores investimentos federais em novas escolas e principalmente do PROUNI, além do FIES. Ainda no nível universitário, as portas abertas da cidade para centros universitários particulares e público (como o caso do IFSP/Salto) aliados aos investimentos desses particulares sem dúvida também contribuíram para isso. A economia crescente no país e a necessidade de novos profissionais para as empresas que chegaram e chegarão também impulsionaram os jovens a se preocuparem mais com sua formação.

Mas não posso deixar de destacar que nos dez anos apontados (2000-2010), seis deles, as áreas definidoras do crescimento do IDHM (saúde, educação, ação social e desenvolvimento) foram administradas por pessoas ligadas ao atual governo municipal e partidárias de um dos principais princípios de nosso partido: desenvolvimento com qualidade de vida para todos. Desde que Lula ganhou as eleições em 2002 e alterou as prioridades em nosso país, esse princípio passou a ser a “viga mestra” das políticas públicas. Quando entramos no governo municipal em 2005 e assumimos as áreas do desenvolvimento humano esse foi o princípio central.

As ações da Ação Social, capitaneadas pela atual vice-prefeita Jussara Vilaça, do desenvolvimento econômico com Juvenil e depois Daniel, da saúde com Servilha e Tuco, e da educação comigo e Fernanda, sempre tiveram essa preocupação: uma vida melhor e mais digna para todos e todas de nossa cidade. Apesar de ter certeza que poucos reconhecerão isso, eu não tenho dúvidas: os resultados do IDHM apresentados estão umbilicalmente ligados as ações locais que sempre tiveram sintonia com as nacionais.

Mas o governo municipal não era um só, como é agora?

Não, não era. A história começa mostrar que não, quando observamos os grandes avanços nas políticas sociais e uma necessidade urgente de ajustar as demais áreas, como a estrutura administrativa da prefeitura, por exemplo.

Neste final de semana tivemos a apresentação do PPA – Plano Pluri Anual – da Prefeitura Municipal. Nele, algumas constatações importantes, como a diferença de tratamento que se dará as questões de novos investimentos do poder público. Enquanto nos últimos anos a média de investimentos não ultrapassou 1% da receita liquida da Prefeitura, esse governo tem a ousadia de apontar que em quatro anos poderá chegar aos 10% de investimentos. Numa conta rápida, a partir do orçamento deste ano, podemos dizer que em 2013 a capacidade de investimento próprio da prefeitura foi de $ 2.400.000,00 (1% de 240 milhões do orçamento). A projeção para daqui a quatro anos, usando o mesmo valor é chegarmos em $ 24.000.000,00 (10% de 240 milhões).

Impossível? É uma questão de planejamento e gestão, qualidades pouco usadas na administração anterior quando se falava em finanças.

Mas, como acontece agora com o IDHM, certamente em 2017 poderemos falar sobre isso, constatando, tenho certeza, novas e importantes mudanças nos resultados de nossa cidade, a partir de planejamentos científicos e reais.

Quero aqui parabenizar todas e todos que contribuíram com o avanço de nosso desenvolvimento humano. Todos os profissionais que em suas áreas atuaram na busca dessa melhora. Todas as pessoas que acreditaram ser possível essa melhora e que acreditam que podemos melhorar ainda mais na próxima década (isso também pode ser planejado). Finalmente podemos perceber as diferenças existentes no governo de coalizão que vivemos nos últimos dois mandatos. Podemos ainda afirmar que o governo atual, unido em seus princípios e objetivos, certamente fara muito e mais para que nossa qualidade de vida e desenvolvimento avancem cada vez mais e melhor.

Parabéns Salto!!!! Parabéns povo saltense!!!!

O TAC das creches

Hoje, como faço normalmente todos os sábados pela manhã, antes de ir até o Prefeitura no Bairro que acontece no Bela Vista (CEMUS I), li nosso jornal bi semanal. Já nas manchetes algo chamava a atenção: um destaque a argumentações do ex-prefeito a respeito das afirmações feitas pelo prefeito Juvenil na coletiva de 15 dias atrás.

Continuei a leitura, observando novamente o editorial tecendo suas críticas à administração, as notícias todas veiculadas, com destaque para a conquista – a ser anunciada na segunda-feira – de duas novas creches com recursos do governo do estado. Nessa notícia, uma peculiaridade: a afirmação do prefeito e do governo do estado que essas creches foram em atendimento a reivindicações da atual administração, contrastada com a afirmação do assessor de um deputado estadual de que seria ele o responsável pelos pedidos agora atendidos.

Até que cheguei ao tal destaque da fala do ex prefeito. A primeira coisa a chamar a atenção foi o espaço dado a essa argumentação: duas colunas ocupando grande parte de uma de suas páginas. No conteúdo o esforço do ex prefeito em justificar o injustificável: de que seria possível sim atender o TAC no prazo definido nele. Argumentos e mais argumentos que não se sustentam na prática. O mais complexo é o “ajuste” que ele pensou para o prédio da antiga Abadia para “abrigar” 700 crianças em um só espaço. E o mais interessante disso foi dizer que com $ 300.000,00 faria o tal ajuste. Argumentos de quem realmente não conhece a estrutura e o dia a dia de uma creche, infelizmente. Tive a oportunidade de participar da construção de algumas creches na cidade, e o valor que o ex prefeito afirma para o “ajuste” na antiga Abadia, era mais ou menos o que se investia em equipamentos para uma creche que em média atendem 120 crianças. Outra coisa: como será que eles pensaram administrar um local com 700 crianças reunidas diariamente? Lembrando que estamos falando de crianças de até três anos de idade. Não acredito que seja impossível. Todavia a complexidade da gestão e o número de funcionários seria algo imenso. Para se ter uma ideia as creches que citei trabalham com cerca de 30 servidores. Usando a proporção, estamos falando de cerca de 175 funcionários no mesmo local. Mais: a logística de alimentação, de recreação e de outras atividades inerentes a uma creche, seriam imensas. Nada contra a ideia. O que questiono é sua praticidade e seu alto custo para o município.

Ai, a grande surpresa: no final da “notícia” o ex prefeito cita meu nome, dizendo que a negociação com o Ministério Público começou na época em que eu era secretário da educação. Bom, se começou, esqueceram de me avisar. Nem no dia em que fui demitido tocaram nesse assunto. Poderão alguns perguntar: mas você não sabia das ações do Ministério Público? Sabia sim. Até porque não é uma coisa exclusiva de Salto, e eu sempre acompanhei o que acontecia em todos os campos. Por várias vezes em minha função de secretário, alertei a administração dos problemas vividos por conta das pressões dos órgãos de justiça. Deixei (e só agora começam a ser usados) vários projetos de novas construções a serem executadas na cidade. Inscrevi Salto por duas vezes, no mínimo, no programa Pro Infância do governo federal que já financiou uma creche (Santa Marta) e agora financiará mais duas. Pedi inúmeras vezes que alguma coisa fosse feita com o advogado que abocanhava as sentenças que obrigavam o atendimento de crianças fora da fila de espera (só agora que Dr. Amilton está fazendo alguma coisa). O TAC, ex prefeito, tive conhecimento depois que ele foi assinado, e ai já não estava mais na secretaria.

Como diz nosso jornal o sr. é um homem de boas intenções, sem maldades e correto. Se isso realmente é verdade espero que reveja essa fala infeliz, tentando transferir para outros o que esses outros não fizeram e sequer participaram. Com a pequena experiência que adquiri trabalhando por sete anos na secretaria da educação, jamais assumiria esse absurdo de dobrar as vagas em creche em menos de dois anos. E tenho certeza, caro ex prefeito, que toda a estrutura da secretaria, caso fosse ouvida, teria a mesma opinião, porque os profissionais que conheci e que respeito muito não seriam tão irresponsáveis. E mais: depois que voltamos para a prefeitura, observar obras de creche paralisadas por falta de habilidade em negociar e em fazer as coisas acontecerem nos deram mais motivos ainda para procurar renegociar o TAC.

Minha postura, e tenho certeza que de todo o atual governo, não é a de ficar debatendo problemas passados. Mas infelizmente fui citado nominalmente. Não chamarei de calúnia, por hora. Chamarei de descuido, de falta de cuidado. Mas não poderia ficar calado sem, pelo menos em meu espaço, tentar esclarecer o que realmente aconteceu. Conversarei com meus amigos e companheiros para verificar outras possíveis ações. Por enquanto limito-me a me posicionar por aqui.

Juvenil discute com sindicalistas o governo municipal

Da Página do Juvenil

 

No sábado, dia 18, Juvenil esteve reunido com o Comitê Sindical, representado pelos sindicatos do Comércio, Construção Civil, Papel e Celulose e Metalúrgicos, que apresentou alguns questionamentos a respeito das mudanças e planos da atual gestão. Juvenil explicou que um dos maiores desafios de sua gestão é adequar as despesas ao orçamento da Prefeitura e que as principais ações nos primeiros meses foram a reestruturação administrativa e as obras do SAAE Ambiental para acabar com a falta d’água na região do Jardim Planalto.

“A reforma na administração passa pela extinção do privilégio de alguns. Temos 2600 servidores públicos e queremos levantar a autoestima, dando melhores condições de trabalho como, por exemplo, uniformes e equipamentos de proteção individual, pois são os funcionários que fazem a máquina andar”. O prefeito disse também que a área da saúde será o alvo principal dos próximos meses de Governo.

Foram debatidos temas como a falta de creche para cerca de 900 crianças, a implantação das Clínicas de Saúde com atendimento até as 22h, a criação de cargos nas clínicas e taxa de iluminação pública, novo código tributário, espaço para criação de novas indústrias, aterro sanitário, atualização do valor venal dos imóveis em Salto, projeto do Estádio Municipal Amadeu Mosca, Consórcio Ribeirão Piraí, entre outros.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Alexandro Garcia Ribeiro parabenizou o prefeito, enfatizou a importância da abertura do Governo em dialogar com os sindicatos e reforçou a necessidade dos representantes de cada categoria acompanharem as audiências e plenárias realizadas pela atual Administração.

Em relação a criação de um Posto de Saúde do Trabalhador, o prefeito recomendou aos representantes que agendem uma reunião com a secretária Municipal de Saúde, Claudia Meirelles, que poderá orientá-los sobre o assunto.