“Paixão de Cristo” ocorrerá nos dias 3 e 5 de abril no Pavilhão das Artes

Da Prefeitura de Salto

“Paixão de Cristo” ocorrerá nos dias 3 e 5 de abril no Pavilhão das Artes

Os ensaios acontecem aos sábados e domingos, a partir das 16h30, no espaço conhecido como “Buracão”

A 21ª edição do espetáculo “Paixão de Cristo” realizado pela Prefeitura da Estância Turística de Salto ocorrerá na sexta-feira, dia 3, às 20h30, e no domingo, dia 5 de abril, às 19h30, no Pavilhão das Artes – Praça Archimedes Lammoglia.

Diferente dos anos anteriores, quando o espetáculo ocorria nos finais de semana que antecediam a Páscoa, neste ano a apresentação ocorrerá no feriado da Sexta-feira Santa e no Domingo de Páscoa.

Segundo o Secretário Municipal de Cultura, Marcos Pardim, os motivos são de ordem administrativa e orçamentária. “Uma vez que por dois anos tivemos o projeto rejeitado pelo Ministério da Cultura com alegação do parecer dos técnicos analista indicando que o espetáculo acontecesse na Semana Santa por questões históricas e teológicas. Para o próximo ano já inscrevemos a Paixão de Cristo no Ministério da Cultura e no Ministério do Turismo para obtenção de recursos”, adianta.

A alteração das datas para este ano permitirá comprovar a realização do espetáculo, dentro das exigências do Ministério da Cultura. “Essa alteração foi realizada dialogando com os padres da Igreja Católica, definindo as datas de maneira consensual”, explica.

O espetáculo – Os diretores Marcos Stefano, Chicó Ferreira e Renato Bispo destacam que o foco do espetáculo será o companheirismo dos apóstolos com Jesus Cristo. “Na edição deste ano, os apóstolos terão mais cenas e falas, também incluiremos novas cenas que em breve divulgaremos”, adianta o ator e diretor, Renato Bispo, que é um dos responsáveis pelo espetáculo.

Renato destaca que o espetáculo contará com 26 cenas e terá também a inclusão da cena do lava pés, da multiplicação dos pães e a cena em que Jesus é batizado por João Batista.

O elenco principal é formado por: Enio Scalet (Jesus), Solange Ferreira (Maria), Elis Braz (Maria Madalena), Eloisa Helena Dario (Verônica), Rosa Maria (Maria de Cleófas), Rafael Medeiros (João), Paulo Coelho (Pedro), André Almeida (Judas), Sérgio Rodrigues (João Batista), Hélio Rodrigues (Pilatos), Ananda Leão (Lívia), Eder Perucchi (Centurião), Orion Lalli (Demônio), Lyandra Fernandes (Anjo), Lua Alves (Anjo), Eduardo Valente (Caifás) e Johnny Pedro (Anás).  Já a participação dos grupos contará com a presença de Paulo Matulevicius, Stúdio de Dança Viviane Guerreiro, Escola Girassol, BlowUp, Construção 7 e Conservatório Municipal.

A abertura da Paixão de Cristo contará com a participação das bandas saltenses “Kerigma” e “WeeCrazyband”.

Estrutura – Como nos anos anteriores, o local contará com a instalação de quatro módulos de arquibancadas que irão comportar um público de 1.637 pessoas que somadas ao número 1400 pessoas nas arquibancadas fixas totalizam 3.037 pessoas sentadas. Na praça também será instalado o camarote para abrigar até 160 pessoas e será utilizado pelas autoridades e convidados.

Serão instalados dois telões de LED com transmissão simultânea. “O palco e a estrutura tem projeto assinado por um engenheiro para dar conta de atender todos os itens de segurança pública exigidos por lei, inclusive os serviços de Bombeiros e Brigadistas”, explica o Secretário Marcos.

Além disso, o público poderá desfrutar do serviço oferecido pela praça de alimentação que contará com três barracas de entidades e cinco de ambulantes cadastrados.

Faces Ocultas – 17 anos!

Tive o privilégio de assistir ontem o espetáculo em comemoração aos 17 anos da Cia. de Danças Faces Ocultas.

Simplesmente deslumbrante!

Não só pelo prazer de ver seus bailarinos maravilhosos se apresentando, mas também pelo que significam 17 anos de uma companhia de dança.

Sobre a apresentação, a Cia. parece um bom vinho: quanto mais anos se passam, melhor fica. Seus bailarinos aprimoram suas técnicas a cada espetáculo e isso é visível para os mais leigos no conhecimento da técnica da dança, como eu. Desde aqueles que estão a mais tempo na cia. e são considerados os principais até os mais recentes, observa-se uma aplicação e disciplina invejáveis.

Foi muito bom rever as três coreografias (parte delas) que foram criadas para comemorar os cinco – POEMAS BRASILEIROS – os dez – RUBRAS FACES – e os quinze – CARMEM – anos da cia. Bom também poder relembrar, quando saboreava estas, de todos os marcantes trabalhos do Faces Ocultas. FOLCLOREANDO, ELIS, 1964, VELA PRA QUALQUER SANTO, AFRICA EM NÓS, são trabalhos marcantes e inesquecíveis. Lembro-me de quando secretário da educação solicitava diversas dessas apresentações para os eventos da educação e eles sempre solícitos me atendiam e embebedavam de alegria e prazer àqueles que os assistiam. E na apresentação de ontem essas lembranças foram rememoradas e me senti bem, pois foram momentos que marcaram minha vida e a vida de muitos que tiveram esse privilégio.

O novo trabalho – CASA VAZIA – trouxe em si toda a técnica aprimorada e refinada de seus bailarinos. Uma coreografia intensa onde cada gesto e cada peça apresentada, juntas ou separadas, levavam a questionamentos e reflexões intensas e internas. Como diz uma parte do texto de apresentação: “…as coisas não conhecem começo nem fim, não chegam a acontecer de fato e, justamente por isso, estão sempre recomeçando.” “As coisas….que não chegam a acontecer de fato…sempre recomeçando”. Parece um pouco o processo da vida, quando desejamos que “as coisas” aconteçam, lutamos por elas, mas elas “…não chegam a acontecer de fato”…por isso a insistência do recomeço, uma qualidade humana que nos leva sempre para frente, apesar de as vezes acharmos que estamos como caranguejos, andando de lado.

E essa parece ser a tônica do Faces Ocultas. Sempre recomeçar para sempre acontecer!

No intervalo das apresentações conversava com Ismenia e ela me dizia: 17 anos de uma cia. de dança particular, sem incentivo público ou particular permanente é um feito que pouquíssimos grupos atingem. E frisava: não só no Brasil, mas no mundo. Normalmente, dizia ela, as companhias particulares são montadas a partir de um espetáculo ou dois e depois disso deixam de existir. A exceção está naquelas que conseguem investimentos consistentes e permanentes e que acabam ou sendo públicas, como o Balé Cidade de São Paulo, ou sendo de uma empresa, como algumas que conhecemos de expressão nacional.

Esse com certeza é a maior qualidade do Faces Ocultas: a persistência e a permanência. Conduzidos pelo “Ari” (Arilton Assunção) desde seu início, tem no firme e único propósito de dançar a base de sua sustentação. E para isso não mede esforços. Para isso luta diuturna e incansavelmente, junto com seus “fiéis escudeiros”.

Sem dúvida, muito mais do que comemorar um aniversário, a Cia. Faces Ocultas comemora a consolidação de um objetivo, de uma ideia, de um eterno recomeço, iniciado há 17 anos atrás e consolidado em cada trabalho realizado.

Parabéns queridas e queridos bailarinos do Faces Ocultas. Parabéns Ari e seus escudeiros. Tenho muito orgulho de poder dizer que os conheço e conheço suas histórias. Tenho muito orgulho de poder dizer que vocês são da minha querida terrinha. Tenho muito orgulho de poder acompanhar a evolução de seus trabalhos e a repercussão mundial deles.

PARABÉNS!!!!

P.S. – Como gostei muito da coreografia “1964”, que na dança mostrou os horrores da ditadura implantada a partir daquela data, não poderia deixar de destacar uma pequenina falha no texto do fôlder de apresentação, onde chama o golpe de 1964 de “revolução”, coisa que sabemos não ter havido.

Os impactos do vale-cultura

Do Luis Nassif

Em entrevista ao programa Seu Jornal, da TVT, o ator e secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura afirma que o serviço criado pelo MinC deve proporcionar acesso a produções e bens culturais para 18 milhões de trabalhadores

Por: Revista do Brasil

Vale-cultura será ‘um divisor de águas’, diz Sergio Mamberti

 

São Paulo – Cerca de 70% da população brasileira nunca foi a museus ou a centros culturais. E pouco mais de metade dos brasileiros nunca vai a cinemas. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o preço é o maior obstáculo. Mudar essa realidade é um dos objetivos do vale-cultura.

O serviço a ser criado a partir do Ministério da Cultura, recentemente aprovado pelo Congresso e sancionado no final de 2012 pela presidenta Dilma Rousseff, institui um tíquete de R$ 50 que o trabalhador assalariado poderá consumir em atividades ou bens culturais, como livros.

O projeto deve ser regulamentado até 26 de fevereiro e deve estar pronto para ser posto em prática até o mês de julho.

O secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, o ator Sérgio Mamberti, disse em entrevista ao vivo ao Seu Jornal, da TVT, que a expectativa é proporcionar o acesso a atividades culturais a cerca de 18 milhões de trabalhadores. As empresas que aderirem ao programa terão isenção de 1% no Imposto de Renda e o usuário pagará R$ 5 ao mês pelo cartão com crédito de R$ 50.

Segundo Mamberti, participam da elaboração do projeto vale-cultura o MinC, que conduz o processo, os ministérios do Trabalho e Emprego e da Fazenda, Casa Civil e integrantes da sociedade civil que atuam no setor, por meio de uma consulta pública. Leia a seguir alguns trechos da entrevista.

 

Qual é o conceito que rege o vale-cultura?

Ele é apenas um dos pontos do Plano Nacional de Cultura, que tem o objetivo de garantir ao trabalhador acesso a bens e serviços culturais. Hoje a política de cultura do ministério vai nessa direção, e o vale- cultura, uma proposta do primeiro mandato do presidente Lula, é uma confirmação disso. Tínhamos a Lei Rouanet, que permitiu fomento à produção cultural. Agora o vale-cultura inverte um pouco essa lógica, será um investimento no direito do cidadão de consumir bens e serviços culturais.

 

Como o vale-cultura vai movimentar a área?

Parte da população, com R$ 50 mensais, poderá ter um acesso que normalmente não teria, e certamente isso vai fazer com que a gente tenha preços diferenciados nas bilheterias de cinemas, teatros etc. Estive lendo nos jornais que companhias produtoras de teatro estão pensando em voltar a promover espetáculos de terça a domingo, uma vez que as empresas que aderirem ao vale-cultura para seus funcionários poderão fazer pacotes para preencher a terça, a quarta e a quinta, que normalmente não tinham agenda. É um momento muito especial.

O MinC, nas gestões de Gilberto Gil, Juca Ferreira, Ana de Hollanda e agora de Marta Suplicy, vem trabalhando com a participação efetiva da sociedade. Já fizemos duas grandes conferências nacionais de cultura e hoje temos um plano nacional. A cultura começa a assumir realmente um papel estratégico na construção desse novo Brasil, na qual estamos empenhados.

 

O vale-cultura é um divisor de águas?

Eu queria muito agradecer esta oportunidade de estar no Seu Jornal, porque aqui é a TV do trabalhador, e o vale-cultura é direcionado a ele. Então, a gente convida o trabalhador para dar uma passada pelo nosso site (www.minc.gov.br) e contribuir com sugestões. Acho que esse é o grande divisor de águas para o Brasil. Pela primeira vez a população vai ter esse acesso através de um subsídio do governo e uma política pública vai incrementar não só a cadeia produtiva da área, a economia criativa, como também criar para o trabalhador uma nova perspectiva de ter seus direitos culturais ao seu alcance.

 

E quanto aos chamados Pontos de Cultura, o que representam para a gestão da ministra Marta Suplicy?

Os Pontos de Cultura sempre foram uma marca fundamental do ministério. Eles foram criados dentro do governo do ministro Gilberto Gil, na gestão do secretário Célio Turino. Foi uma revolução no ambiente cultural. Não só no Brasil. Os Pontos de Cultura se espalham pela América do Sul e por outros países que assimilaram essa ideia. É um processo muito rico. A meta do Plano Nacional de Cultura prevê que tenhamos 15 mil pontos em 2020 – hoje são 3 mil e tantos no Brasil.

É um espaço de manifestação da cidadania muito importante, uma forma de o Estado subsidiar manifestações espontâneas da sociedade, e sempre muito criativas. É um projeto de difícil implantação, inclusive de se cumprirem parâmetros, mas pouco a pouco a gente tem procurado corrigir os erros que aparecem. Eu acho que nesses dois últimos anos viemos trabalhando no sentido inclusive de fazer um reajustamento, porque cresceu muito.

 

Como está o cumprimento do Plano Nacional de Cultura?

Está indo muito bem. Já temos 53 metas. Este ano já começaram a ser monitoradas. O próprio Congresso Nacional já se manifesta no sentido de acompanhar a execução dessas metas, que darão uma consistência institucional que a área da cultura nunca teve. A saúde tem, a educação tem, e nós da cultura não tínhamos isso. É um amadurecimento. Faz parte da lei a criação do Sistema Nacional de Informações de Indicadores Culturais, uma grande plataforma que está sendo instalada e vai permitir que a sociedade participe e contribua na construção desses novos dados, desses novos indicadores que estão agregando acervos, ou seja, é um momento de grande amadurecimento.

 

 

A cidade de São Paulo e a cultura renovada

Do Luis Nassif

 

Haddad e a Cidade: Novos Ventos da Renovação Cultural

Artigo de Hamilton Faria

O discurso de posse do prefeito Fernando Haddad parece ter ido além das intenções e do seu significado simbólico. A ênfase que deu a cultura não tem paralelo na história recente na cidade. Luiza Erundina não acentuou tanto o desenvolvimento cultural em sua posse e nos seus discursos oficiais, mesmo se levarmos em conta que Marilena Chauí foi a mais destacada secretária de cultura da cidade de São Paulo após a ditadura.

Relembremos o que diz Haddad em seu discurso de posse, no dia 1 de janeiro de 2013:
“Eu sei que as tarefas não são tão simples. Há muitas outras a serem citadas. Eu falei da produção de conhecimento, da produção de cultura, como essência da própria cidade, a cidade não funciona, não apenas sem os empreendimentos que são conhecidos de todos, mas sem produção de conhecimento e cultura. Nós temos que patrocinar um ambiente favorável para que isso floresça cada vez mais, para que a força de São Paulo se expresse na produção científica, na produção cultural. E muito fará a Prefeitura de São Paulo se seguir o seu caminho de promover a cidadania no âmbito da cultura e da ciência. Nós somos, além de um centro produtor de serviços, financeiros inclusive, além da capital financeira do país, nós somos um centro irradiador de cultura e de conhecimento para o Brasil e para o mundo. Temos em nosso território a maior universidade da América Latina. Não falta inteligência disponível nem criatividade disponível na cidade de São Paulo. Muitas vezes falta articulação, e aí também cabe ao poder público convocar as lideranças científicas e artísticas para promover o bemestar.

A cidade é, sobretudo o gozo, o encontro, o prazer da convivência, e a cultura e a ciência são ingredientes fundamentais desses eventos que tanto prazer causa a cada um de nós.

Eu sou daqueles que acredita não apenas que haja amor em São Paulo. Eu acredito que esse amor está pronto para se manifestar com cada vez mais força, com cada vez mais presença em nossa cidade.”

Praticamente dez por cento do seu discurso é dedicado à cultura. Algumas questões chamam a atenção de imediato: a primeira delas é o reconhecimento de que São Paulo é um centro produtor não apenas de serviços, de empreendimentos, mas que dispõe de inteligência e criatividade coletivas que podem levá-la ainda mais longe. Ora, nos últimos anos, o Estado não esteve na vanguarda de muitas iniciativas culturais relevantes. Estas estiveram com o SESC e com os institutos culturais dos bancos privados. Uma estrutura funcional defasada, equipamentos quase sem presença de equipamentos ativos nos bairros, a Lei Cultural que atende a poucos eleitos, que precisa urgentemente ser substituída, explica o quadro de a cultura estar em um lugar menor entre as políticas públicas, mesmo com a Virada Cultural, degrande visibilidade, mas de pequena expressão no campo do desenvolvimento cultural.

Mas Haddad deseja que a prefeitura crie um ambiente favorável para que a cultura floresça na cidade. Bravo! Este é o verdadeiro papel do Estado, que já se sabe, não é criador de cultura, mas facilitador de situações, de ambientes favoráveis, através dos incentivos, das políticas públicas e da ação cultural. Nesse sentido, torna-se mais que necessário pensar em uma lei não apenas de mercado, que sirva verdadeiramente à produção cultural da cidade e novos concursos para agentes culturais, principalmente destinados a trabalhar nas extensas e carentes periferias . Também ampliar o programa VAI – centuplicar o seu alcance, e Pontos de Cultura em cada ambiente vital da diversidade. Criar um ambiente cultural includente é também exigir das subprefeituras linhas de desenvolvimento cultural local que fortaleçam o protagonismo e a autonomia dos grupos, gerando a construção de diversidades a partir da localidade.

O secretário Juca Ferreira, pela qualidade de sua passagem no Ministério da Cultura, poderá ser o gestor com essa visão – a de “culturalizar” a diversidade dos bairros. Mais: o poder público, segundo o discurso de posse, convocará as lideranças científicas e artísticas para promover o bem-estar. Isto não é pouco em se tratando de São Paulo; aqui temos um poder público com baixa capacidade de convocação, aliás, a convocação não tem sido o forte da gestão estadual e municipal dos últimos anos. E isto significa acreditar no debate público, nas oportunidades de diálogo, na ação descentralizada, no conselho municipal de cultura, nas conferências, nas auscultas socioculturais etc.

O Manifesto 2000 da UNESCO – Por uma Cultura de Paz e Não-Violência afirma que devemos “Ouvir para Compreender”. Portanto, a escuta deve compor o rol das ações e políticas públicas e a sustentabilidade democrática. Por falar em sustentabilidade, a ação da Secretaria de Cultura deverá alinhar-se a um conceito amplo de cultura e não apenas à cultura-arte, à cultura- É vento!, à cultura-erudição – mas ampliar o seu conceito para o desenvolvimento humano e sustentável, estimulando diálogos com outros segmentos, com a natureza e a comunidade dos seres vivos.

O que está em questão não é apenas o desenvolvimento das artes, mas uma ética sensível da vida, composta pela linguagem e o imaginário e os modos de sensibilidade da arte. Desenvolver a arte é também desenvolver a nossa capacidade de criar imaginação, emoção e pensamento. Como diz o prefeito eleito – não faltam nem criatividade e nem inteligências disponíveis para a construção da cultura como cidadania. E ele sintetiza muito bem: cultura é “a essência da própria cidade”. Sem cultura e conhecimento a “cidade não funciona”.

Vamos além: o papel da cultura não é apenas tornar mais vivos o pensamento e o imaginário, mas construir sanidade, restaurando o tecido social degradado por um modo de vida insustentável; a corrupção na política revela a corrupção que grassa nas ações cotidianas dos cidadãos, quando buscam soluções fáceis para a convivência. Trata-se de construir uma saúde plena – da nossa vida diária de sobrevivência aos pontos mais altos do imaginário, considerando que numa sociedade que não deseja tocar em suas zonas de conforto, desregramento também é saúde. Assim, é saudável a nossa dose de loucura criativa. Está cada vez mais claro que a cultura, além de elevar o espírito, tem a capacidade de curar. Nesta chave – a cultura cura.

Parece que estamos diante de um ponto de inflexão e de novos alinhamentos institucionais: é o momento de aproveitarmos a oportunidade para se pensar culturalmente a cidade e não apenas fortalecer grupos de interesse presentes nas ações de “clientelismo cultural”. A Prefeitura, através do secretário Juca Ferreira deve estar atenta para os novos diálogos públicos, sua transparência e legitimidade, fugindo das pressões corporativas que levam em conta segmentos e não a diversidade ou a universalização dos direitos culturais.

Reencantar a cidade, criar ambientes favoráveis ao sensível, a novos paradigmas emergentes, a outros pensares fora das linhas da “normose cultural”, a cidade como um campo permanente de criatividade, enfim, formar mundos poeticamente habitáveis por seus cidadãos e todos os que possam fruir da sua magia – parece constituir o verdadeiro desafio da nossa urbanidade doentia.

Assim, pode-se acreditar mais na presença do Amor, desejo alvissareiro do novo prefeito, como uma poderosa força de coesão cultural da diversidade.

Ao que parece, a renovação cultural já começou com a eleição do novo prefeito.

Hamilton Faria é poeta, especialista em desenvolvimento cultural sustentável