Ciro Gomes: ‘Mil vezes um Bolsonaro do que um enganador como o Doria’

do HuffPost Brasil

“Existe um conflito distributivo no País e quem está mandando com o Temer é o baronato, o baronato financeiro.”
Em entrevista exclusiva ao HuffPost, Ciro Gomes confirma: quer ser o presidenciável da esquerda em 2018.

“Tá rindo de quê?”

Na “mais grave crise de toda nossa História” não tem espaço, segundo o ex-governador, ex-prefeito de capital e ex-ministro Ciro Gomes, para rir. É este, segundo ele, o motivo pelo qual ele é sempre chamado de pavio curto.

Em discurso para uma plateia de militantes do PDT, o partido ao qual é filiado depois da passagem por seis partidos, o mais expressivo dos irmãos Gomes questionou o presidente do partido Carlos Lupi sobre o motivo de sair sorrindo nas fotos.

“É pedido da mãe, ele já explicou que é por isso que tem que sair sorrindo nas fotos. Não tem como rir com os números que temos hoje”, disparou.

Já tirando do papel a proposta de concorrer à eleição presidencial de 2018, Ciro, com ajuda de um ato falho, expôs aos militantes a estratégia para conquistar o lugar hoje ocupado pelo presidente Michel Temer.

Ninguém vai achar que vamos crescer em pesquisa antes do tempo, não vai acontecer. As pesquisas só colocam os mais conhecidos e tal. Não tem problema. Se a gente fizer o que temos que fazer, se tivermos clareza e começarmos a ajudar o povo a entender o problema e o caminho da solução, não tenho dúvida, eu arrisco cumprir essa honrosa missão que Lula (ex-presidente), opa, o Lupi (presidente do PDT) está me dando. O Lula não quer deixar e o Lupi está me dando.

Em seguida, ele emendou: “Nada contra o Lula, apenas acho que está na hora de encerrar essa briga PT e PSDB e colocar um projeto novo.”

O tal projeto é a única saída possível, na visão do candidato derrotado à presidência em 2002 pelo PPS e ainda associado à ex-namorada atriz Patrícia Pillar, para a mais grave crise, como ele define o momento atual.

No fim do discurso aos militantes, em Guarulhos (SP), Ciro concedeu uma entrevista exclusiva ao HuffPost Brasil na qual admitiu abrir mão da possibilidade de se candidatar caso o ex-presidente Lula decida concorrer ao cargo, embora não concorde com a candidatura do petista.

Ciro, inclusive, não concorda com muita coisa. Não está de acordo com as reformas, promete revogar a PEC do teto de gastos, discorda da estratégia para anistiar o caixa dois. Nem o discurso do não-político do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), Ciro aceita: “Mil vezes, na minha opinião, um Bolsonaro do que um enganador desse tipo”.

Aqui estão os principais trechos da entrevista:

HuffPost Brasil: Tem espaço para uma candidatura sua e do ex-presidente Lula?

Ciro Gomes: Acho que não há espaço para duas candidaturas em um momento como este. Se tomarmos por exemplo como sintoma da nossa força potencial, salvo o carisma do Lula, a organicidade hoje está reduzida à seguinte proporção: do centro à esquerda, já supondo que o partido da Marina seja um partido de esquerda, o que eu já tenho grande dúvidas sobre isso, nós [esquerda] temos hoje 100 deputados, em 500. Nós temos 100 contra 400. Nesses partidos todos, são cinco partidos, quatro candidatos. Isso na minha opinião, é irresponsabilidade com o País. É evidente que nesse momento todo mundo tem direito. E quem sou eu, muito menor que o Lula. Mas eu acho que aquilo que eu falei, o mais do mesmo, ou essa radicalização PSDB e PT já exauriram o ciclo. É preciso dar passagem, não digo para uma candidatura como a minha, mas é preciso dar passagem para um novo projeto.

Que tipo de projeto?

Um projeto que tenha coragem de confrontar essas premissas estúpidas que estão destruindo a economia brasileira e o maior sintoma disso são 20 milhões de pessoas, 13 milhões de desempregados e sete milhões em condições precárias.

Você se refere às reformas do Temer?

Temer está agravando os problemas. Existe um conflito distributivo no País e quem está mandando com o Temer é o baronato, o baronato financeiro. O mundo produtivo brasileiro e o mundo do trabalho estão passando o pão que o diabo amassou sem precedentes, por isso que há uma fresta aí para a gente conseguir repactuar o Brasil. Quem produz na roça, quem produz na fábrica, quem está no comércio sabe que as coisas estão profunda e definitivamente erradas no País e o trabalhador, então, nem se fala. Para além do que está acontecendo com um desempregado de família no Brasil, existem hoje ameaças graves sobre a precarização no mercado de trabalho, sobre os aposentados e pensionistas. Se passa na cabeça de alguém que seja razoável um país como o nosso tão desigual estabelecer idade mínima de 65 anos independentemente do trabalhador engravatado, que dá expediente no ar condicionado, e aquele outro que é operário da construção civil e está trabalhando de sol a sol no semiárido do Nordeste ou nas carvoarias do Pará… Isso não tem cabimento, é uma desumanidade completa.

O teto de gastos não tem validade sem a reforma…

O teto de gastos é uma perversão que vai se revelar insustentável. Portanto, tenha clareza que se depender de mim, isso será revogado. O que não quer dizer que o valor que está ali não seja um valor que tenha que presidir as relações de um governante com as finanças públicas. Sou ex-governador, ex-prefeito de uma capital, ex-ministro da Fazenda, não tenho um dia de déficit. Tem que tem saúde fiscal. Para o País enfrentar os seus problemas, é preciso ter sanidade fiscal, mas nunca preservando 50% do orçamento livre para a despesa mais perversa que são R$ 700 bilhões para juros este ano. Isso cortando em educação e saúde de um país que já tem condições tortas e desumanas na oferta de saúde, especialmente para o povo.

Após o impeachment, houve uma fragmentação muito forte da esquerda. Como repactuar os partidos com os movimentos sociais?

A única fórmula, por exemplo, de eu entrar em uma dinâmica da reunificação é estabelecer um método e o método há de ser um programa. Eu não aceito mais esse pragmatismo que se relevou uma tragédia que o PT impôs, com todo o respeito ao PT. O PT não é meu inimigo, não é meu adversário, pelo contrário. Em 1989, votei no Covas no primeiro turno e no Lula no segundo e venho votando. O Lula queria porque queria que o (Henrique) Meirelles fosse ministro da Dilma. Tivemos um golpe de Estado e o adversário golpista nomeia o Meirelles ministro da Fazenda. Tem uma coisa errada e eu sei que está errada. Chega de conciliação e isso não quer dizer ruptura nem briga, quer dizer experimentar outro caminho, outro modelo, outra premissa. Estou estudando e isso me deixa muito enraivecido e isso me faz parecer pavio curto, mas nós estamos aí massacrando a nação de 200 milhões de pessoas.

Como mudar?

Com política e democracia. Quando o PT lançou o Lula em 1989, o PT tinha 12 deputados. Quando o PSDB lançou o Fernando Henrique em 1994, o PSDB tinha 17 deputados. O problema não é esse [governo de coalizão], é a ideia. Como unir uma grande maioria do povo brasileiro e a democracia garante isso ciclicamente.

É um erro o governo de coalizão?

Esse modelo é uma mentira do Fernando Henrique que o Lula replicou. A Dilma caiu por isso; porque resolveu conciliar com bandido, com Eduardo Cunha. Meu irmão [Cid Gomes] era ministro da Educação, chamou o Eduardo de ladrão e ela ficou com ele. Olha onde eu estou e meu irmão. Antes era teórico, agora é experimental. Repare bem, Fernando Henrique perdeu para o Lula e a Dilma caiu por causa desse projeto. Isso está correto? Esse é o caminho certo para o fracasso.

No seu discurso, o senhor ressaltou que o eleitor não se vê representado. Na sua avaliação, este é o fomentador da onda conservadora que faz que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), despontem nas pesquisas?

Sou um democrata de verdade, sou um democrata visceral e o que as pessoas veem como uma coisa ruim, eu vejo como uma coisa boa. Se há uma parcela do eleitorado que se afina com o que o Bolsonaro interpreta, representa e diz, essa fração tem todo direito que um democrata deve garantir sem qualquer tipo de queixa de se expressar na política. Evidente que no debate, eu estando presente, vou arrancar muitas máscaras. Esse João Doria se apresentar como não político, ele está esquecido que foi presidente da Embratur no governo do Fernando Collor, ele está esquecido – e eu tenho uma memória implacável – de que a empresa dele vivia de milhões de reais de dinheiro público repassado por correligionários deles, de governo do PSDB. Isso que é não-político? Mil vezes, na minha opinião, um Bolsonaro do que um enganador desse tipo.

A anistia ao caixa dois deve ser adotada na reforma política?

Evidente que não. Isso é um escárnio com a população brasileira. Tecnicamente, você pode até estabelecer uma distinção. Mas não estamos em um momento técnico, muito menos de tecnicalidade polêmica. Neste momento, o que a sociedade brasileira quer, espera e exige é que a punição deixe de ser só para ladrão de galinha e pequenos, pobres, negros, periféricos do Brasil, para alcançar os corruptos e caixa dois definitivamente é um sintoma de corrupção.

Como ficaria a reforma política?

Sem dúvida, com dois caminhos: organizar a relação de dinheiro e política e introduzir o recall, instrumento em uma democracia direta com referendo em que você possa desconstituir um mandato, não porque corrompeu, mas porque mentiu ou está fazendo o oposto do que prometeu.

Afinidades eletivas

da Carta Capital

editorial de Mino Carta

A aliança tucano-peemedebista que levou ao golpe de 2016 já estava definida durante o governo de FHC. Protagonistas, os mesmos de sempre

FHC
Porque uma quadrilha de figuras tão incompetentes até na predação consegue impor sua vontade? Porque somos o que somos, o país da casa-grande e da senzala

Mauricio Dias, companheiro de mil aventuras, na qualidade de jornalista excelente é repórter antes de mais nada e, como tal, habilita-se até a investigar sua própria memória. O recorte que ilustra estas páginas sai das lembranças de Mauricio para oferecer uma contribuição preciosa à história do Brasil dos últimos 20 anos.

História arejada durante o governo Lula e nos começos do governo Dilma, e deplorável antes e depois, até o estado de exceção dos dias de hoje carregados dos piores presságios. Há uma ligação clara entre o antes e o depois, uma continuidade inexorável e profundamente daninha ao País, que, de 2003 a 2012, viveu uma temporada esperançosa.

Alguns dos protagonistas do período que, carente de meio, tem começo e fim, figuram no recorte de O Globo, primeira nota de uma coluna da edição de 19 de maio de 1997. O tucanato acaba de comprar votos no Congresso para garantir a emenda constitucional da reeleição e quem socorre os pássaros que não voam são graúdos, onipresentes peemedebistas.

Os mesmos de sempre, com exceção de Iris Rezende. O qual, de todo modo, não parecia talhado para o Ministério da Justiça. Infinitos, contudo, são os caminhos da política nativa.

Fernando Henrique deu início à sua definitiva ascensão ao se tornar ministro de Itamar Franco e a aproveitar-se de ideias de terceiros em busca da estabilidade. Elegeu-se em 1994 na esteira do êxito das medidas econômicas.

Foi quando Antonio Carlos Magalhães garantiu com um sorriso de Gioconda, em entrevista a CartaCapital: “Ele não é tão de esquerda assim”. O príncipe dos sociólogos preparava-se ao papel de preferido da casa-grande, amado até o delírio no estado mais reacionário do Brasil, São Paulo, obviamente.

Soube como se cuidar, e partiu para uma política econômica neoliberal e os braços de Bill Clinton. Já no primeiro mandato o País quebrou em consequência da bolha russa, e nem por isso, à sombra da bandeira da estabilidade, ele deixou de conduzir a campanha da reeleição alcançada pela emenda dos votos comprados.

Doze dias depois de assumir o segundo mandato, desvalorizou o real, cometeu o maior estelionato eleitoral da história e novamente quebrou o Brasil. Nem por isso transitou pela cabeça de quem quer que seja a ideia de sapecar-lhe o impeachment. Não se iludam, a Constituição foi então respeitada porque convinha à casa-grande, mesmo que Roberto Marinho e sua Globo tivessem perdido na operação uma cordilheira de grana.

A privatização das comunicações, obra mestra do segundo mandato, foi bandalheira ciclópica. Tudo, com FHC no comando, é grandioso. Tive a oportunidade de ouvir os grampos das conversas entre os organizadores da festança, Luiz Carlos Mendonça de Barros e André Lara Resende, enquanto Pérsio Arida corria por fora.

“A gente entrega aos italianos, e depois dá um jeito como a gente sabe fazer”, dizia um. “Se for preciso, a gente chama a bomba atômica”, dizia outro. Ou seja, batemos à porta do gabinete presidencial, ali está o melhor de todos para dar jeitos.

A conexão física e moral entre aquele passado e o nosso presente já se firma, indissolúvel, para que a aliança tucano-peemedebista se exprima agora em perfeita sintonia. Leiam os nomes estampados no recorte.

O tempora, o mores… Registro com surpresa: quem seria o colunista global autor da nota exemplar na prática do jornalismo honesto? Alguns dos colunistas que enfeitam o jornalão carioca no momento, passados 20 anos, desempenham com notável dedicação o papel de porta-vozes do governo ilegítimo gerado pelo golpe.

O Globo

Juntos no assalto à Constituição, o Legislativo entregue a uma turba de trapaceiros notórios e o Judiciário dos pançudos, empolados togados, coniventes. A mídia trata de exibi-los como salvadores da pátria. Pergunto aos meus desalentados botões: uma situação dessas seria possível em outro país que se diz democrático e civilizado?

Agitados, respondem: nunca, em hipótese alguma. E logo fica claro por que: trata-se de figuras medíocres, primárias, vulgares, em boa parte iletradas. Observo: ao menos são espertos, matreiros. E os botões: qual é o seu metro para medi-los? Digo: eles chegaram aonde queriam. Pois é, soletram os meus interlocutores, eles se dão bem porque nós somos o que somos.

A maioria é inerte e resignada sem condições de ser diferente, jamais lhe foi oferecida a chance de ganhar a consciência da cidadania. Há séculos sofre em perfeito silêncio, como se o sofrimento fosse seu destino inescapável, determinação divina, quem sabe.

A chamada classe média, em larga porção, deixa-se manipular pela mídia, ao lhe faltar uma tradição burguesa, no sentido europeu, de interesse cultural e político. A classe média do apelidado de Velho Mundo ainda é a maioria da população, tem autonomia de escolhas, boa leitura, estudo eficaz.

Entre nós a minoria rica, às vezes exorbitantemente rica, se acha, como diriam meus netos, salvo raras exceções. Tão vulgares quanto os demais das classes inferiores, os nossos endinheirados ostentam, ignaros de que a elegância exige recato.

Bandalhos ruidosos, exibem desde grifes até rótulos de vinhos caríssimos, sem excluir a possibilidade de manter no charuto o anel da marca, sinal indiscutível de que aquele fumante mataria a raposa da caçada. Tão manipuláveis midiaticamente quanto aqueles que os invejam e não menos ignorantes.

A mediocridade rima com prepotência. Transcrevo passagens do discurso de Michel Temer, pronunciado no Dia Internacional da Mulher. É a ode do poeta de Anônima Intimidade à rainha do lar.

• Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, o quanto a mulher faz pela casa, o quanto faz pelo lar, o que faz pelos filhos. E, portanto, se a sociedade vai bem, quando os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada educação e formação em suas casas. E seguramente isso quem faz não é o homem, isso quem faz é a mulher.

• Ao longo do tempo, as senhoras, as mulheres, deram uma colaboração extraordinária ao nosso sistema. E hoje, como as mulheres participam intensamente de todos os debates, eu vou até tomar a liberdade de dizer que na economia também, a mulher tem uma grande participação.

• Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados do que a mulher. Ninguém é capaz de melhor detectar as eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor.

Tal é o presidente do Brasil, o primeiro mandatário. Não é deste mundo contemporâneo, Michel Temer é do país da casa-grande e da senzala. Será que percebe? Receio que não.

11,8 milhões de desempregados em 2016

do UOL

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O Brasil fechou 2016 com 11,8 milhões de desempregados, em média, o que representa um aumento de 37% na comparação com 2015, quando eram 8,6 milhões. É o maior registrado pela pesquisa, que começou a ser feita em 2012.

A taxa de desemprego no ano passado foi de 11,5%, em média, também a maior desde 2012. Em 2015, a taxa média de desemprego havia sido de 8,5%.

Somente no quarto trimestre de 2016, o Brasil tinha 12,3 milhões de desempregados, segundo o IBGE, o maior número desde 2012. É um aumento de 2,7% na comparação com o terceiro trimestre, e de 36% em relação ao mesmo período de 2015.

Desemprego é maior entre mulheres e jovens

Proporcionalmente, o desemprego é maior entre as mulheres. A taxa de desocupação entre elas foi de 13,8%, e entre os homens, de 10,7%.

O percentual de mulheres (50,3%) na população desocupada foi superior ao de homens (49,7%) no quarto trimestre em quase todas as regiões do país.

A exceção foi a região Nordeste, onde as mulheres representavam 48,7% da população desocupada.

Considerando o desemprego por idade, o IBGE informou que a taxa foi maior entre jovens de 18 a 24 anos (25,9%). Já no grupos de pessoas de 25 a 39 anos o desemprego foi de 11,2% e, no de 40 a 59 anos, de 6,9%.

Negros são as maiores vítimas

O desemprego entre pretos e pardos no final do ano passado foi maior que a média nacional, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (23).

Enquanto a taxa de desemprego no país foi de 12% no final do quarto trimestre, ela chegou a 14,4% entre pretos e a 14,1% entre pardos. Para os brancos, a taxa foi menor, de 9,5%.

Os dados fazem parte de um detalhamento da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada no final do mês passado.

O uso do termo “preto” costuma ser criticado nas redes sociais como supostamente preconceituoso, mas é a terminologia oficial da pesquisa do IBGE. O grupo mais genérico de “negros” reúne as cores específicas, “preta” e “parda”, explica o instituto.

Do total de 12,3 milhões de desempregados no último trimestre de 2016, a maioria (52,7%) era parda. Brancos representavam 35,6%, e pretos, 11%.

Na população total, os brancos representam 45,2%, os pardos, 45,1%, e os pretos, 8,9%, de acordo com a última contagem do IBGE, de 2015.

A pesquisa também mostrou diferenças no rendimento de pretos, pardos e brancos. Enquanto os brancos tiveram rendimento médio de R$ 2.660, acima da média nacional (R$ 2.043), pardos receberam R$ 1.480 e pretos, R$ 1.461.

 

Nota do blogueiro: a mudança na ordem da notícia foi proposital e de minha responsabilidade.

Estrangeiros esbaldaram-se com juro brasileiro em 2016

da Carta Capital

por André Barrocal

Realização de lucros baixou fatia deles na dívida pública e causou fenômeno inédito desde 2002

Juros
Ato de centrais sindicais em Brasília, em janeiro, contra a alta taxa de juros praticada no Brasil

Que os especuladores estrangeiros se lambuzam há tempos nos gordos juros pagos pelo governo aos credores da dívida pública, já é sabido. No ano passado, porém, aconteceu algo especial, a provocar um fenômeno não visto por aqui desde 2002.

Muito gringo resolveu embolsar de vez os deliciosos ganhos com o comércio da dívida brasileira, sem esperar para realizar lucros mais adiante. Diante disso, o Banco Central registrou mais dólares saindo do rentável negócio com títulos públicos do que entrando.

No total, 101 bilhões de dólares deixaram as aplicações em renda fixa e 74 bilhões ingressaram.

De 2015 a 2003, sempre houve mais entrada do que saída de dólares neste tipo de investimento. Fenômeno oposto ocorrera pela última vez em 2002 (1,1 bilhão de saída e 921 milhões de entrada).

Em decorrência de sua realização de lucros, a participação dos estrangeiros na massa de credores da dívida pública encolheu. Essa fatia era de 18% em 2015 e caiu a 14% em 2016.

Foi a primeira queda significativa desde que o Tesouro Nacional passou a publicar periodicamente dados sobre o perfil dos credores da dívida, em 2010. De 2010 para 2011, a participação gringa recuara imperceptivelmente (de 11,6% para 11,3%).

Subsecretario da Dívida Pública, José Franco Moraes diz que, além da realização de lucros nas aplicações com título público, houve uma segunda razão por trás da redução da parcela estrangeira na dívida brasileira. Uma tendência mundial de saída de dólares de países emergentes.

O aumento da participação internacional na dívida foi incentivada pelo Tesouro a partir do governo Lula. Suponha-se que os especuladores globais seriam menos gananciosos do que os nacionais, pois estão acostumados com juros pelo planeta bem menores do que os escorchantes daqui. Uma tentativa, portanto, de diminuir o custo de rolagem da trilionária dívida.

A dívida pública federal terminou o ano passado em 3,1 trilhões de reais, um crescimento de cerca de 400 bilhões em relação a 2015. Deste total, 25% estão nas mãos de entidades de previdência, 23% com bancos, 22% com fundos de investimento e 14% com estrangeiro. O resto se divide entre governos, seguradores, pessoas físicas e outros tipos de pessoas jurídicas.