A agonia do “Estado de Minas”

Do Tijolaco

De Chatô a Aécio, a longa agonia do “Estado de Minas”, por Ângela Carrato

chato

Para quem completou ontem 38 anos desde que sentou pela primeira vez a escrever numa redação de jornal, em O Globo,  ver morrer um jornal não é uma novidade, mas é sempre uma tristeza. Trabalhei em dois que se foram –Ultima Hora e Tribuna da Imprensa e vi o velhoJB encolher o tamanho das folhas até desaparecer do papel e o Jornal dos Sports, que a gurizada do colégio disputava para ver as tiras do Henfil e, depois, o resultado dos concursos da Escola Técnica Federal e do vestibular da Cesgranrio, suando frio até encontrar o nome lá.

Anteontem, publiquei aqui as histórias doDiário de Notícias e as ideias nem sempre tão loucas de Jânio Quadros, depois a morte do jornal, narradas pelo eterno professor de milhares de jornalistas, Nílson Lage. Pelas mãos dele chega a mim, hoje, outro precioso relado da morte – ainda não de todo morrida – de outro grande jornal, O Estado de Minas, feito pela jornalista – e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG – Ângela Carrato.

Hoje, os jornalistas fizeram nova manifestação na porta da empresa, na esperança d receberem o décimo-terceiro salário. A crise atinge boa parte do que sobrou dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand em Minas, Brasília e Rio de Janeiro. Em apoio a eles, sem pedir licença, reproduzo o texto de Ângela, publicada na página do Estação Liberdade, projeto que ela mantém no Facebook com o jornalista Geraldo Elísio Lopes.

O amigo do Aécio e a pá
de cal nos Diários Associados

Ângela Carrato

Álvaro Teixeira da Costa, o principal dirigente dos Diários e Emissoras Associados em Minas Gerais, tinha razão. Se Aécio Neves e os tucanos não vencessem as eleições de 2014, as coisas iriam ficar feias para a empresa. Certo disso fez sua parte. Além da linha editorial chapa branca dos veículos do grupo – jornais Estado de Minas e Aqui, TV Alterosa e portal Uai – ter exaltado o PSDB e combatido sem trégua o PT e seus apoiadores, valendo-se de tudo quanto é esquema sujo, ele próprio se superou. Transformou uma das dependências da TV Alterosa em Comitê Tucano, usou a intranet para convocar funcionários a participar de atos de campanha pró-Aécio na em2Praça da Liberdade, pressionou e coagiu quem não rezasse por sua cartilha, além dele próprio ter estado presente ao ato.


Segundo consta, Álvaro foi o segundo a abraçar Aécio no palanque, logo após o dirigente estadual do PSDB. A situação se repediu meses depois, quando em plena manifestação contra a presidente reeleita, Dilma Rousseff, também na Praça da Liberdade, o dirigente Associado disputou, quase a tapa, o privilégio de ser o primeiro a abraçar Aécio. Mas, igual ao seu candidato, ficou em segundo lugar.

Tamanho empenho se explica: os 12 anos de governos tucanos em Minas Gerais foram determinantes para garantir uma razoável sobrevida ao grupo. Sem o dinheiro público injetado mensalmente na empresa pelos tucanos, dos quais não faltam acusações de prover de negócios escusos com a comercialização do nióbio de Araxá, o descalabro administrativo há muito seria do conhecimento público.

SALÁRIO ATRASADO E TRUCULÊNCIAS
Fartos de todo tipo de pressão e enganação, os funcionários dos Associados denunciaram ao Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais que a empresa não tinha pago o 13º salário. A denúncia se somava a outras protagonizadas pela empresa em 2015: atrasos no pagamento de férias, tickets refeição, plano de saúde e nos depósitos do FGTS. Antes de decidirem pela paralisação, por 24 horas, na segunda-feira (28), os funcionários tentaram todo tipo de negociação. Não conseguiram quase nada. Receberam apenas 25% do salário devido e não têm data para receber o restante. A empresa se recusa a dialogar e tem se valido de truculência para tentar dissuadir as manifestações.

Pelo que se sabe, a crise nos Associados é muito mais ampla do que alguns imaginavam. O prédio da avenida Getúlio Vargas, em Belo Horizonte, devido a complicações com o extinto Banco Rural, está indisponível. O imóvel onde funciona a TV Alterosa, na avenida que leva o nome de Assis Chateaubriand, fundador do grupo, já foi vendido e a emissora em breve terá que desocupá-lo. A maioria dos bancos e financeiras se nega a fazer qualquer empréstimo ao grupo e o governo não é mais o do Aécio, para pagar a conta do descalabro administrativo dos herdeiros do que restou do império de Chateaubriand.

A credibilidade, principal ativo em qualquer empresa de mídia, também está em baixa nos Associados. As tiragens do Estado de Minas e do tablóide Aqui há muito vem minguando, com os anunciantes igualmente abandonando o barco. O parque gráfico da empresa, que chegou a ser o maior e mais moderno de Minas Gerais, hoje perde feio para o do concorrente O Tempo. Mas se os tucanos tivessem vencido as eleições, nada disso seria problema.

em1ROUBALHEIRA E PRIVILÉGIOS
Já na década de 1950, o jornalista Samuel Wainer, fundador da Última Hora, um dos mais ácidos críticos de Assis Chateaubriand, dizia que os Associados viviam permanentemente com buracos no caixa. Mais ainda: enfatizava que os dirigentes Associados caracterizavam-se pela roubalheira e privilégios enquanto os funcionários iam de mal a pior. O segredo para tanto era o puxa-saquismo aos poderosos de plantão, o achaque e a perseguição aos adversários e inimigos e a falta permanente de escrúpulos. Receita que os herdeiros de Chateaubriand em Minas Gerais seguiram à risca.

Em 1964, os dirigentes dos Associados em Minas não foram apenas apoiadores do golpe civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Foram conspiradores de primeira hora. Tornaram-se tristemente célebres as reuniões entre políticos e empresários no edifício Acaiaca, no centro de Belo Horizonte, onde, na época funcionava a principal emissora de televisão do grupo, a Itacolomi.

Uma vez no poder, os dirigentes dos Associados perseguiram seus concorrentes na mídia – entre 1964 e 1970, quase uma dezena de jornais foram fechados ou fecharam em Belo Horizonte – além de terem pedido a prisão de centenas de jornalistas, intelectuais, sindicalistas, estudantes e militantes de esquerda. Esta, aliás, é uma das razões para o êxodo de jornalistas mineiros nas décadas seguintes ao golpe. É também uma das principais razões para a péssima qualidade, com as raríssimas exceções que se conhece, que passou a caracterizar o que sobrou da imprensa mineira de então.

Hegemônico durante a década de 1970, os desejos dos Associados foram prontamente atendidos pelos governadores biônicos da Arena, o partido de apoio à ditadura. O último deles, Francelino Pereira, bancou a construção do novo parque gráfico da empresa, que funciona na avenida Mem de Sá. Os Associados não pagaram. Francelino não cobrou e ficou por isso mesmo.

em4APOIO DE AURELIANO E FRANCELINO
Tancredo Neves, o avó do Aécio, nos dois anos em que esteve à frente do governo de Minas (1983-1985) também fez vistas grossas para a dívida, mais interessado que estava em chegar à presidência da República. Hélio Garcia, que assumiu o governo com sua renúncia para disputar o Colégio Eleitoral, chegou a estabelecer os termos da negociação: a dívida seria paga através de publicidade nos veículos do grupo. Igualmente não funcionou. Até porque o assessor especial de Garcia era ninguém menos do que o filho de um dos dirigentes dos Associados.

A dívida foi parar no Tribunal de Contas do Estado (TCE), mantida, claro, a sete chaves. Quando da briga política entre o governador Newton Cardoso (PMDB) e os Associados, em 1987, Newton foi alertado por assessores que poderia através dela dar um xeque-mate na empresa que fazia aberta campanha de difamação contra ele. Na época, Newton chegou a entrar em negociações com Gilberto Chateaubriand, que se julgava herdeiro do grupo, com o objetivo de comprá-lo. Mas a Justiça frustrou Gilberto Chateaubriand, ficando Newton Cardoso apenas com um percentual de cotas condominiais.

Quanto à dívida, preferiu também dar tempo ao tempo. Da parte dos Associados, o que garantiu sua sobrevivência na época, longe dos cofres públicos de Minas Gerais, foi o apoio publicitário que recebeu dos então ministro das Minas e Energia, Aureliano Chaves, e do vice-presidente do Banco do Brasil, Francelino Pereira, sem os quais certamente teria encerrado suas atividades.

“SE A RUA GOIÁS NÃO DEU, NÃO ACONTECEU”
Newton foi sucedido por Hélio Garcia que novamente não só fez vista grossa para a dívida dos Associados, como lhe garantiu régia publicidade. Se a empresa tivesse um mínimo de seriedade, teria aproveitado o momento para se reorganizar. Mas não. Os dirigentes continuaram levando vida de nababos, com a empresa e os funcionários no vermelho. A arrogância era tamanha que a frase mais repetida pelos dirigentes dos Associados, diante da mais leve crítica, era: “se a rua Goiás não deu, não aconteceu”. Rua Goiás era onde funcionava a sede da empresa, antes de se mudar em 2000, para o moderno e amplo prédio, agora indisponível.

No governo de Eduardo Azeredo, recentemente condenado a 20 anos de prisão pela atuação no Mensalão Tucano, os Associados voltaram aos “bons tempos”, mandando e desmandando em Minas Gerais. Convencidos como os próprios tucanos, que Azeredo seria reeleito, tiveram que amargar a vitória de Itamar Franco (PMDB). Fato que explica a permanente indisposição da empresa contra Itamar que respondeu reduzindo substancialmente a publicidade oficial para o grupo.

Diante da intransigência de Itamar, os Associados se valiam das verbas do amigo tucano Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República, que nunca mediu esforços para destruir o seu criador político. Contavam também, desde aquela época, com o apoio do neto do Tancredo que à frente da Câmara dos Deputados, colocou-se à disposição para resolver os problemas envolvendo buracos no caixa da mídia brasileira, vide a aprovação da PEC que permitiu a presença de capital estrangeiro no setor, medida até então vedada pela Constituição.

PAGAMENTO FIXO GARANTIA FLUXO DE CAIXA
Tão logo assumiu o governo de Minas, Aécio se transformou em “amigo de infância” dos dirigentes Associados. Almoços, jantares, noitadas e, obviamente favores, privilégios e publicidade farta sempre estiveram presentes no cardápio destes encontros. Um pagamento fixo chegou a ser estabelecido para garantir o fluxo de caixa da empresa, que o maquiava através de cadernos e publicações especiais. No Aécio governador nunca se viu, nem de longe, a mais leve sombra de mágoa com o que os Associados fizeram com seu avó, quando candidato ao governo de Minas. Para quem era muito jovem naquela época, basta lembrar que qualquer informação sobre a campanha de Tancredo nas páginas dos Associados só era publicada se fosse paga e, mesmo assim, a peso de ouro.

em5Como uma mão lava a outra, os Associados proibiram qualquer crítica, por mais leve que fosse, aos governos de Aécio Neves e de seu sucessor, Antônio Anastasia. Razão pela qual os mineiros não ficaram sabendo dos abusos, desmandos e descalabros cometidos pelos tucanos. Abusos que começam com o acobertamento do pai dos Mensalões no Brasil, denunciado em 2007, passam pela privatização da Cemig, através da empreiteira Andrade Gutierrez, envolve a construção da Cidade Administrativa – uma obra que consumiu mais de R$ 2 bilhões aos cofres públicos -, a entrega dos recursos minerais do Estado às empresas estrangeiras e culmina com a quebra do próprio Estado de Minas Gerais, com um rombo de mais de R$ 7 bilhões nas contas públicas. Isto sem falar em centenas de obras paradas, no desmantelamento das áreas da saúde e educação, na contratação, sem concurso, de quase 100 mil funcionários, além da demissão e perseguição de professores e na prisão de jornalista que não rezava pela cartilha aecista.

Num primeiro momento, os Associados, como a maioria da mídia tradicional brasileira, tentou jogar nas costas da presidente Dilma Rousseff a responsabilidade pela má situação financeira em que se encontra. Pediu auxílio aqui e acolá e foi atendido. Em várias oportunidades, o concorrente O Tempo, do empresário Vittorio Mediolli, autorizou que a sua empresa, a Sempre Editora, emprestasse papel para que o ex-grande jornal dos mineiros não deixasse de circular. Mediolli, inclusive, esteve perto de comprar o Estado de Minas, mas teria desistido da transação, pelo que se sabe, no momento em que Álvaro Teixeira da Costa tentou se incluir no pacote.

SILÊNCIO CÚMPLICE
Também no meio acadêmico mineiro, onde se imagina que domine o livre pensar, a influência dos Associados sempre esteve presente. Lá, o que prevaleceu, todos estes anos, com as exceções de praxe, foi um silêncio cúmplice, quando não oportunista por parte de professores e alguns autointitulados pesquisadores, eternos candidatos e candidatas a intelectuais provincianos.

A única razão para se lamentar a situação a que os Associados chegaram é o sofrimento e a insegurança que centenas de funcionários e suas famílias estão experimentando. Fora isso, é no mínimo ridículo argumentar que o jornal Estado de Minas, por exemplo, constitua um patrimônio a ser preservado. Que patrimônio é esse que sempre trabalhou contra os interesses da maioria da população de Minas e do Brasil? Que patrimônio é esse que sempre esteve ao lado dos golpistas (do passado e de hoje) e caracteriza-se pelo desrespeito permanente aos seus funcionários e aos cidadãos?

Para cúmulo da ironia, quando a direção dos Associados aciona, como fez nesta terça-feira (29) o batalhão de choque da Polícia Militar para intimidar funcionários em greve que reclamam pacificamente os seus direitos trabalhistas, das telas dos cinemas em Belo Horizonte, Chatô, em cartaz, contempla o que pode ser o capítulo final do império que criou.

Como toda crise oferece também oportunidades, está na hora dos funcionários dos Associados aproveitarem a reunião intermediada pelo Ministério do Trabalho, marcada para esta quarta-feira (30), para exigir transparência e conhecer qual é realmente a situação da empresa. Só a partir daí, poderão pensar em soluções cabíveis para receberem o que lhes é devido.

A intermediação é fundamental, porque a atual direção dos Associados não mais reúne condições para seguir dando as cartas, pois ela é o problema. Fora isso, as alternativas não são nada animadoras: tapar o sol com a peneira ou continuar capengando à espera que Aécio ou alguém do seu quilate seja eleito e restaure os “anos dourados”. Pelo visto, quem fizer tal aposta vai esperar sentado.

 

Canetada de Aecio provoca demissao de 60.000

Do VioMundo

 

O STF determinou que 59.412 servidores públicos, efetivados em 2007 pelo então governador Aécio Neves, fossem desligados a partir do último dia 4. Mas se um estádio de futebol lotado de funcionários públicos mineiros desaparece, a mídia tradicional não tem nada com isso

Por Faustino Rodrigues, especial para oViomundo

O Brasil tem 5.037 municípios com uma população de até 50 mil habitantes. Isso equivale a mais de 90% de um total de 5.561 municipalidades. Os números contrastam e revelam que uma parte significativa da população brasileira vive em cidades que, para os nossos padrões, são consideradas pequenas. Sua existência é quase inacreditável para um paulistano típico, nascido e criado em uma das maiores cidades do mundo, em meio a outros 10 milhões de pessoas.

Os números acima revelam. Porém, os jornais, não. Essa semana vivemos mais um capítulo do imbróglio mineiro da lei 100. O Supremo Tribunal Federal determinou que quase 59.412 servidores públicos, efetivados em uma canetada, em 2007, pelo então governador Aécio Neves, hoje senador e atual presidente de seu partido, o PSDB, fossem desligados[1]. O STF alega inconstitucionalidade no processo de admissão do funcionalismo público que, como se sabe, se faz exclusivamente por concurso público, de concorrência ampla em praticamente todos os seus setores e instâncias – federal, estadual e municipal[2]. O senhor Aécio parece que não entendeu.

Devido à carência da cobertura jornalística, os números de servidores efetivados em 2007 são incertos. Mas, já se fala em cerca de 76 mil. Descontando os aposentados e desligados por motivos diversos, o saldo da dispensa determinada pelo STF é de 60 mil. Como visto no primeiro parágrafo deste texto, se reuníssemos todos esses servidores em um mesmo lugar, teríamos mais uma cidade brasileira. Para deixar os nossos números mais interessantes, uma comparação bem popular: à exceção do Flamengo e Coritiba, no dia 17 de setembro, em Brasília, nenhum outro jogo do Brasileirão 2015 chegou à cifra dos 60 mil.

José Murilo de Carvalho, em seu Construção da ordem, demonstra como os bacharéis coimbrenses do século XIX, filhos da elite agrária brasileira, ao voltarem para o Brasil, encontram-se praticamente distantes de qualquer possibilidade de uma atuação profissional que garanta o mesmo “prestígio” político e econômico de seus pais, de sua tradicional família. E assim ingressam no serviço público – contribuindo, quiçá, para a compreensão do motivo de alguns de seus salários serem tão exorbitantes (mas isso é conversa para outro texto). Faz-se, então, a fama de um funcionalismo público, alvo de muitos comentários jocosos, que, a despeito da qualificação profissional, garante uma estabilidade econômica invejável por muitos. Debalde a constante instabilidade da política e economia tupiniquim, ter o salário garantido no final do mês é uma grande vantagem.

Nada mais do que normal que estes funcionários efetivados na canetada do senador mineiro adquiram dívidas – como a da casa própria – e planejem o seu futuro, as vezes o futuro de uma família em função do cargo concedido por uma autoridade política e administrativa como o próprio governador[3]. Com tal chancela, pensa-se, minimamente, que ele sabe o que está fazendo. Aliás, admite-o como uma figura extremamente preocupada com a máquina pública e com a qualidade dos serviços à medida em que procede de tal maneira. Para alguns, designados por eternos contratos, sempre renovados, isso soa como uma calma e fina canção mineira como a de Milton Nascimento.

Mas, não. Não foi muito difícil para o STF determinar a inconstitucionalidade da tal lei 100. E, agindo constitucionalmente, determina a sua revogação, bem como a devolução dos cargos indevidamente ocupados ao governo do estado de Minas Gerais, que, por sua vez, deve tomar providências para a sua ocupação através de concurso ou novas designações contratuais. É difícil discordar do STF. Mas, é difícil não se comover com as vidas que aí estão em jogo – vítimas da irresponsabilidade administrativa de uma pessoa. A mídia nacional, entretanto, parece não se preocupar muito.

A última segunda-feira, dia 04 de janeiro de 2016, foi o primeiro dia do oficial desligamento dos funcionários da lei 100 – a maioria alocados na educação pública estadual. Sendo eu juiz-forano, digo que saiu uma nota aquém do destaque merecido no principal diário da cidade, o Tribuna de Minas. Na Folha de São Paulo, nada. No periódico da família Frias um assunto como este perde fácil a disputa para notícias sobre o parlamento venezuelano e novos valores da passagem de ônibus em algumas capitais. Pelo lado da família Marinho as atenções estão para o crack chinês e o seu fortíssimo indício de que a crise econômica não é só no Brasil, exigindo de seu jornalismo novas estratégias políticas de abordagem do tema. Até mesmo no mencionado jornal da Zona da Mata mineira as informações quanto a um acidente na avenida JK, em Juiz de Fora, adquirem mais destaque por mais tempo – aliás, manifesto a minha solidariedade às vítimas.

Resumindo, se um estádio de futebol lotado em mais de 90% de sua capacidade com funcionalismo público mineiro desaparece, a grande mídia brasileira não tem nada com isso. Pode-se exterminar toda uma cidade que isso não é importante. É óbvia a responsabilidade do político tucano, com imagem recentemente abalada pelas declarações de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, funcionário de Alberto Youssef, na já familiar Lava-Jato. É igualmente óbvia a sua responsabilidade, enquanto gestor de uma unidade federativa, pelo destino de quase 60 mil pessoas efetivadas por uma canetada, bem como dos recursos públicos movimentados neste caso. A quem interessa a desinformação?

Em clima de denúncia política, ingerência na administração pública é algo praticamente irrelevante – a não ser que se possa associar a atividades relativas a bicicletas, como pedaladas e ciclovias. Além de responder às denúncias de corrupção feitas pelo mesmo delator que o PSDB outrora atribuía tanta autoridade, há que responder também por incompetência. Dizia Wanderley Guilherme dos Santos que se as instituições políticas falham, resta o caráter.

No caso mineiro, com a administração nas mãos de Aécio, as instituições falharam. Sobrou apenas seu caráter – o mesmo acusado por Ceará. Agora, questiono-me fundamentado nos preceitos mais éticos do jornalismo se o princípio de Wanderley não poderia ser transposto para os veículos de informação. Eles, com suas instituições, não falhariam ao não veicularem com a devida importância algo de tamanha relevância para o Brasil? E, se falharam, resta-nos o caráter destes jornalistas? Se, sim: que dó.

Faustino da Rocha Rodrigues é jornalista, professor e cientista social

 

[1] http://www.iof.mg.gov.br/index.php?/institucional-2/missao/anexoextra31.html

[2] http://www.tribunademinas.com.br/mais-de-73-mil-servidores-de-mg-sao-desligados-pela-lei-100/

[3] https://www.youtube.com/channel/UC4IapcuhDt8EXjcRcbacZCA

Foto de capa: Marcos Oliveira/Agência Senado

 

“Pode Fechar a Porta”

Do VioMundo

Rogério Correia: “Se com a delação dos R$ 300 mil da UTC o doutor Janot não abrir inquérito contra o Aécio, o Ministério Público Federal pode fechar a porta”

publicado em 04 de janeiro de 2016 às 22:50

Janot e Aécio

por Conceição Lemes

Na última quarta-feira de 2015, 30 de dezembro, o repórter Rubens Valenterevelou na Folha de S. Paulo duas bombas:

*Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, Carlos Alexandre de Souza Rocha afirmou que, no segundo semestre de 2013 (entre setembro e outubro) levou R$ 300 mil a um diretor da UTC Engenharia no Rio de Janeiro, que lhe disse que a soma iria para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O “Ceará”, como é conhecido, era entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef.

* “Ceará” prestou depoimento em 1º de julho de 2015. Portanto, seis meses atrás.

“A cada dia surge uma nova evidencia do comprometimento do Aécio em esquemas de corrupção”, diz, de saída, em entrevista exclusiva ao Viomundo o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). “Aécio sempre foi patrocinado por grandes empresas, misturando frequentemente a sua vida privada com esses financiamentos.”

“Agora, o senador Aécio quer aparecer como arauto da ética e da moral no Brasil”, prossegue Correia. “Só que  ele não tem a menor condição de sê-lo”.

Rogério Correia tem se dedicado a desmascarar os malfeitos de Aécio Neves.  Após ler a reportagem de Rubens Valente, ele postou no seu twitter alguns dos escândalos denunciados.

Rogério, Aécio e Janot-001

Os valores são da época em que ocorreram os fatos.

A título de curiosidade, nós resgatamos as denúncias mencionadas no twitter do deputado petista.

Depois, atualizamos os valores, utilizando o índice oficial de inflação, o IPCA- IBGE, de novembro de 2015, já que o de dezembro ainda não foi divulgado.

Mensalão tucano – Diz respeito à eleição de 1998. A mídia geralmente omite que o então candidato a deputado federal Aécio estava na lista, como tendo recebido R$ 110 mil reais, e que o esquema extrapolou Minas, irrigando até a campanha de reeleição de Fernando Henrique à presidência (na íntegra, aqui).

aécio e mensalão

Eduardo Azeredo era candidato à reeleição pelo governo de Minas Gerais pelo PSDB. Perdeu para Itamar Franco, na época no PMDB. Há pouco, Azeredo foi condenado a 20 anos de prisão, mas vai recorrer. Tudo indica vai se safar.

Lista de Furnas – Foi o esquema de Furnas que sustentou a campanha eleitoral dos tucanos de 2002. “Aécio amealhou R$ 5,5 milhões apenas para ele. Nas provas, também tem o dinheiro que foi para José Serra e para Alckmin, relembra o deputado petista.

Em 25 de janeiro de 2012, a procuradora criminal Andréa Bayão Pereira, que atuava no Ministério Público do Rio de Janeiro, concluiu o seu trabalho  sobre a Lista de Furnas, comprovando a existência do esquema de caixa 2. Confira no final deste post a íntegra dos dois documentos muito importantes: o DOC Nº4, da Polícia Federal, autenticando a Lista de Furnas; oDOC Nº 5, com a conclusão da doutora Andréa Bayão.

Lava Jato – É a denúncia reportada por Rubens Valente. Segundo delação premiada, “Ceará”, a  mando do doleiro Alberto Youssef, entregou R$ 300 mil entre setembro e outubro de 2013 a um diretor da UTC, no Rio Janeiro. O diretor disse-lhe que o dinheiro era para o senador Aécio Neves.  Para efeitos do cálculo da correção monetária, usamos setembro de 2013.

Rádio Arco-ÍrisEm 17 de abril de 2011, Aécio foi parado pela polícia numa blitz de trânsito no Leblon, cidade do Rio de Janeiro. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusou. A carteira de habilitação, vencida, foi apreendida. Levou duas multas.

O carro que dirigia pertencia à rádio Arco-Íris, localizada na Grande Belo Horizonte (MG), que é do senador e da irmã Andrea Neves.

Durante todo o período em que Aécio governou Minas (janeiro de 2003 a abril de 2010), Andrea comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social da Secretaria de Governo. Uma de suas funções era decidir sobre a alocação de recursos de toda a publicidade do Estado de Minas Gerais. No decorrer das gestões do irmão-governador, o seu núcleo aplicou, a título de publicidade, dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual na rádio Arco-Íris e em outras empresas de comunicação dos Neves.

“A Andrea injetou milhões lá.  Nós não sabemos quantos exatamente, porque nunca deixaram investigar”, diz Correia. “O máximo que conseguimos apurar foi uma estimativa, em 2010, de R$ 1,4 milhão.”

Cláudio – Aécio fez dois aeroportos em Minas à custa de dinheiro público para beneficiar a família.O de Cláudio, da família da mãe, é o mais conhecido. É aquele que ficava fechado o tempo inteiro e o tio do Aécio guardava a chave para que outros não o utilizem. Mas tem também o de Montezuma na área da fazenda do pai (detalhes aqui e aqui) .

No twitter de 30 de dezembro, Rogério Correia listou apenas o de Cláudio.

Em post publicado em 21 de julho de 2014, Fernando Brito, no Tijolaço, escarafunchou a história e descobriu que o “aecioporto” de Cláudio custou tanto quanto um aeroporto comercial no Ceará:

O “aecioporto” construído no município de Cláudio, junto à fazenda de Aécio Neves, custou, como está publicado, R$ 13,4 milhões, isso na data da licitação, em dezembro de 2008.

Fora o “milhãozinho” que o titio de Aécio achou pouco pelo terreno, sem contar a valorização da área não desapropriada.

O valor, corrigido de janeiro de 2009  para maio de 2012, pelo IGP-M, equivale a R$ 17,9 milhões.

No Ceará, um aeroporto comercial – o de Aracati – voltado para o turismo, com uma capacidade para atender Boeings 737 em até 1200 vôos por ano (o de Cláudio, segundo a Folha, recebe um avião pequeno por semana) custou R$ 19 milhões em obras civis, em valor de 2013.

(…)

O custo total da obra, operada por parceria com a TAM, ficou em R$ 19 milhões, em valores de 2012.

DENÚNCIAS LISTADAS NO TWITTER DE DEPUTADO SOMAM R$ 34, 8 MILHÕES

No período em que ocorreram as denúncias listadas por Rogério Correia no twitter, elas somavam R$ 21.110.000,00.

Nós atualizamos para novembro de 2015, usando o IPCA-IBGE. No aeroporto de Cláudio, optamos pelo preço da licitação em vez dos R$ 14 milhões registrados pelo deputado.

Resultados:

Mensalão tucano — R$ 336.430,28  

Lista de Furnas — R$ 12.252.258,70  

Lava Jato —  R$   358.335,81  

Rádio Arco-Íris — R$  1.961.864,80  

Aeroporto de Cláudio –R$ 19.967.583,88  

Total: R$ 34.876.473,47

Nós mostramos os valores atualizados a Rogério Correia.

“Isso é por baixo, e só a parte do senador”, atenta.

Não estão incluídas nessas contas, por exemplo, a parte da irmã Andrea Neves, as viagens do Aécio e amigos para cima e para baixo, inclusive para o  Rio de Janeiro, sendo senador por Minas, o aeroporto de Montezuma, o nepotismo à custas do povo mineiro, empregando parentes e mais parentes no governo do Estado.

“Quando destampar o superfaturamento na Cidade Administrativa, no Mineirão e o que ele fez para a Andrade Gutierrez na Cemig, esses R$ 34,8 milhões serão um grãozinho de areia perto do mensalão”, previne.

“Agora, de qualquer forma, os R$ 300 mil, recebidos da UTC, no bojo na Lava Jato, é fatal”, avalia o deputado. “Joga por terra o discurso de baluarte da moral e da ética do senador.”

ATÉ AGORA TODOS OS PEDIDOS DE INVESTIGAÇÃO  DE AÉCIO AO MPF DERAM EM NADA

Rogério Correia

O Viomundo é testemunha dos vários pedidos de investigação do senador Aécio Neves feitos pelo deputado Rogério Correia e colegas ao Ministério Público Federal.

Em 31 de maio de 2011, ele e os também deputados estaduais Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, e entregaram pessoalmente ao então procurador-geral da República, Roberto Gurgel,  representação denunciando Aécio e Andrea,  por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal (detalhes aqui ).

Gurgel fez questão de ir com os parlamentares até o setor de protocolo da Procuradoria Geral da República (PGR). Aí, a representação recebeu o número 1.00.000.006651/2011-19.

Gurgel manteve-a na gaveta por 2 anos e três meses. Na sua saída, em agosto de 2013, abriu inquérito contra deus e o mundo, menos contra os tucanos, em especial o Aécio Neves.

“Foi um ato político dele, partidário, mesmo”, denunciou, na ocasião, Rogério Correia. “Arquivou sem ao menos abrir inquérito para investigar. Agora só falta Gurgel assinar a ficha de filiação ao PSDB.

No início de 2014, Rogério Correia e outros deputados do PT estiveram pela primeira vez no gabinete do atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregando os documentos referentes ao envolvimento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na Lista de Furnas.

Assim como Gurgel, Janot não tomou providência.

No final de 2014, em delação premiada da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef tratou do assunto no termo 20 do seu depoimento, cujo tema principal era “Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB”.

O doleiro Youssef afirmou que o PSDB, por meio de Aécio Neves, dividiria uma diretoria em Furnas com o PP, por meio de José Janene. Afirmou ainda que ouviu que Aécio também teria recebido valores mensais, por intermédio de sua irmã, de uma das empresas contratadas por Furnas, a empresa Bauruense, do empresário Airton Daré, no período entre 1996 e 2000/2001.

Janot divulgou o teor da delação em 4 de março de 2015. Foi ao comentar para oEstadão o pedido de  arquivamento ao STF das investigações envolvendo Aécio Neves, presidente nacional do PSDBna Operação Lava Jato.

Janot alegou serem insuficientes as informações fornecidas pelo doleiro Alberto Youssef.  A justificativa principal: os dois citados por Youssef – o ex-deputado José Janene  e empresário Airton Daré tinham morrido– e não poderiam confirmá-las.

Só que, como bem alertou o jornalista Luiz Carlos Azenha, ao livrar Aécio Neves, Janot desconheceu a denúncia feita em 25 de janeiro de 2012  pela promotora da Lista de Furnas.

A promotora é a procuradora Andréa Bayão Pereira, atualmente está no Ministério Público Federal, em Brasília. Ou seja, trabalha com Janot.

Diante da decisão de Janot por “provas insuficientes”, em 31 de março de 2015,Rogério Correia e os deputados federais do PT Padre João (MG), Adelmo Leão (MG), Pedro Uczai (SC) e Fernando Marroni (RS) foram novamente à Procuradoria-Geral da República, em Brasília. Dessa vez, foram recebidos pelo próprio PGR.

Rogério Correia registrou:

Entregamos ao Dr. Janot as provas para abertura do inquérito contra Aécio Neves sobre o caso Lista de Furnas. O Procurador-Geral se comprometeu a fazer o estudo das provas apresentadas e estranhou o fato de que o processo da Lista de Furnas só tenha chegado à PGR agora, a partir de nossa intervenção.

Em um PS do Viomundo, Azenha observou:

Estranho. Afinal, no início de 2014, os deputados estiveram pela primeira vez no gabinete de Janot, entregando os documentos referentes ao envolvimento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na Lista de Furnas. Partindo do princípio de que o procurador-geral falou a verdade, o que aconteceu com eles? Foram para o lixo? Alguém os “guardou”? Estranho. Muito estranho.

Da segunda ida dos deputados do PT ao Rodrigo Janot à denúncia de Rubens Valente se passaram nove meses. E Janot, ao menos pelo que se sabe, não tomou nenhuma medida.

“Se agora, com a delação dos R$ 300 mil da UTC, o doutor Janot não abrir urgentemente inquérito contra o Aécio, o Ministério Público Federal pode fechar a porta”, afirma Correia. “Ficará comprovado o que se denuncia há tempos. O MP tem lado, age ideologicamente, o que inconcebível a quem atua nesse setor.”

O deputado defende, ainda, que o Senado abra procedimento investigativo contra Aécio Neves, assim como o senador se posicionou favoravelmente a fazer contra o colega Delcídio do Amaral (PT-MS). Para ele, Aécio tem de responder às acusações também no Senado.

Correia não é muito adepto da teoria da conspiração. Porém, o fato de a delação premiada de “Ceará” só ter vindo a público agora – o depoimento foi em 1º de julho de 2015 –, graças à reportagem de Rubens Valente, o obriga a considerar a hipótese de conspiração.

“Por que outras delações foram vazadas e esta, envolvendo o senador Aécio Neves, não?”, questiona.

“A preservação do senador Aécio Neves tem a ver com a intenção golpista das elites brasileiras com uma parte da Polícia Federal, da própria Justiça, do Ministério Público.  Se tivesse vazado antes, jogava abaixo qualquer perspectiva golpista que o Aécio negociava com as elites brasileiras”, considera.

“Imagina se em julho ou agosto, essa delação tivesse vazado como as outras, toda essa articulação golpista da direita teria ido para o espaço e nós poderíamos ter tido, durante o segundo semestre, um Brasil mais calmo, tanto do ponto de vista político quanto econômico.”

– O senhor acha que houve um conluio para essa delação não ter sido vazada?”

— Por que outras delações vazaram e esta, não? Insisto. Embora eu não seja muito adepto da teoria da conspiração, esse caso mostra um conluio entre parte da PF, do MPF e do Supremo, pois até agora não sabemos quem vazou as outras delações”.

– E a imprensa?

— Desse conluio golpista faz parte a imprensa, evidentemente.  Da mesma forma que vazaram outras delações para o Estadão, Globo, Veja bandida, Época, TV Globo, quem sabe se essa denúncia do “Ceará” sobre o Aécio não foi vazada e eles esconderam?  Isso gente também pode especular.

— Tem vazamento de tudo quanto é forma. No caso do Aécio, nem quando a gente denuncia, aparece na mídia.  No Brasil, temos um cartel de comunicação que tem intenção golpista também. Eles blindam o Aécio exatamente para manter a perspectiva golpista.

– E agora?

— Foi um tiro de misericórdia nesse golpismo. Com tudo o que já foi denunciado contra o Aécio, o Janot tem condições de abrir não só um, mas vários inquéritos contra o Aécio. E assim que o Ministério Público decidir investigar, o STF vai autorizar a abertura do inquérito, como já aconteceu nos outros casos.

— E quando instalar uma investigação contra o Aécio, outras irão junto. Em outubro de 2014, eu te disse: Quando o Aécio for investigado, ele será preso. Agora, te digo: Essa hora está chegando.

TSE Rejeita Contas de Aecio Neves

Do Brasil Pensador

TSE rejeita as contas de Aécio Neves e deixa PSDB, Gilmar e Moro em situação DELICADA

O site conexão Jornalismo publicou que o TSE rejeitou as contas do senador Aécio neves -PSDB/MG, por ter detectado pelo menos 15 irregularidades, que vão deste a omissão de doações como a da construtora Odebrecht (envolvida no escândalo Lava Jato), até a irregularidade de cálculos.

A ministra Maria Thereza Assis Moura pediu explicações ao candidato que há meses vem criticando as supostas pedaladas praticadas pelo governo Dilma Rousseff.

Diante desta rejeição das contas pelo TSE, o PSDB que faz oposição sistemática a Presidenta Dilma, chegando a sugerir o seu  impeachment ficou em uma posição delicada, não tendo o partido moral para cobrar a saída de Dilma , uma vez que seu candidato e partido fizeram igual ou pior.

Mas o PSDB de Aécio não é o único a ficar em saia justa. Diante desta rejeição das contas, o PSDB mineiro e o Senador fanfarão carregam também para a vala comum o Ministro do STF Gilmar Mendes que recentemente  mandou investigar as contas de Dilma e o Juiz Sergio Moro da operação Lava Jato.

Gilmar Mendes que chegou ao cargo de ministro da suprema corte pelas mãos do então presidente Fernando Henrique Cardoso- PSDB/SP, é visivelmente um opositor do governo Dilma dentro da corte e, caso não exija a mesma investigação contra Aécio Neves, ficará mais do que evidente que a balança de sua justiça pende apenas para o lado  da hipocrisia.

Já para o Juiz da Lava Jato Sergio Moro, fica a duvida na transparência das apurações feitas  pela policia federal, pois como explicar que o TSE rejeita as contas de Aécio Neves que omitiu doações da construtora Odebrecht, mas no entanto o senador não apareceu nenhuma vez nas apurações da PF sobre as doações da mesma construtora, ou se quer, foi citado e ouvido na referida operação.

Esta situação deixa aos cidadãos a seguinte pergunta que não quer calar: Nas apurações da Lava Jato ou a PF escondeu as doações de Aécio Neves, ou não apurou todos os envolvidos?.

Seja qual for a resposta a posição da eminente Ministra do TSE, mostra cada vez mais que aqueles que tentam o impitim do governo Dilma, não o fazem com o intuito de melhorar a situação do povo Brasileiro, mas apenas, o fazem com o intuito de esconderem o rabo da corrupção que deixaram para fora,  agora tentam esconder diante da exposição publica da corrupção que a séculos implode as instituições, deixando sempre a conta para que os brasileiros menos abastados paguem.

Confira  a matéria na integra Click no Link abaixo.

TSE rejeita contas de Aécio que omitiu doação da Odebrecht

Possíveis origens da agressiva mentalidade tucana

 

Do Luiz Nassif

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Desde que perdeu as eleições, a oposição liderada por Aécio Neves está a beira de um ataque de nervos. FHC questionou a legitimidade da vitória de Dilma, o próprio Aécio convocou manifestações de rua. Lobão vai se destacando como o improvável general que comandará ou derrubará todos os generais da ativa comprometidos com a preservação da legalidade.

A imprensa alimenta diariamente a revanche dos derrotados. Petistas são impiedosamente atacados com base em delações deformadas em razão de terem feito na Petrobras as mesmas coisas que os tucanos fizeram na companhia. Mas como FHC tem amigos nas diretorias das empresas de comunicação, raramente algum tucano desonesto é chamado de corrupto nos jornais, telejornais e revistas. A paranóia do antipetismo publicado nos faz lembrar o feroz anticomunismo da Ditadura Militar. Os mesmos jornais e redes de TV que  saldaram o caráter democrático do golpe de estado de 1964 começam a exigir o Impedimento de Dilma Rousseff.

Não é difícil encontrar a origem mais antigo do comportamento da elite brasileira. No primeiro parágrafo de se livro Monções, Sérgio Buarque de Holanda afirma que:

“Durante os primeiros tempos da colonização do Brasil, os sítios povoados, conquistados à mata e ao índio, não passam geralmente de manchas dispersas ao longo do litoral, mal plantadas na terra e quase independentes dela. Acomodando-se à arribada de navios mais do que ao acesso do interior, esses núcleos voltam-se inteiramente para o outro lado do oceano.” (Monções, Sérgio Buarque de Holanda, Coleção Estudos Brasileiros, Editora da Casa do Estudante do Brasil, Rio de Janeiro, 1945, p. 11)

A conduta dos tucanos sugere que a mentalidade dos primeiros colonos ainda sobrevive. Isto explica porque a oposição se acomoda mais às Embaixadas das potências estrangeiras distantes do que ao interior do país onde Dilma Rousseff foi bem votada. Eles, os oposicionistas, parecem se sentir dispersos e sitiados pela mata e por índios hostis – muito embora os antepassados deles tenham derrubado a mata e exterminado os índios. Os petistas são identificados aos índios e, em razão disto, devem ser expurgados. Eles não devem ter um partido, tampouco podem governar o território ou fazer propaganda. É fato: os tucanos não conseguem conviver com os petistas assim como os colonos não conseguiam conviver com os índios.

Também não é difícil rastrear um componente ainda mais irracional na mentalidade de alguns líderes da oposição: o racismo. Sempre que questionam o resultado das eleições, os tucanos dão a entender que Dilma não tinha condições de ser eleita ou, pior, que a maioria do povo brasileiro não deveria ter o direito de investir ela de autoridade presidencial. No primeiro caso a presidenta é considerada um ser humano inferior, no segundo 56 milhões de brasileiros é que são tratados como Untermenschen. Para alguns tucanos, apenas os candidatos do PSDB são homens dignos e somente os eleitores do PSDB são seres humanos dignos e intelectualmente capazes (superiores). A proximidade entre tucanos e nazistas neste momento não é, portanto, um acaso. As ideologias de ambos os grupos são autoritárias e excludentes, não causando estranhamento o surgimento do vocábulo nazistucanos para nomeá-los.

As últimas aparições públicas de Aécio Neves sugerem que ele está a beira de um ataque de nervos. Acostumado às vitórias eleitorais fáceis, o candidato do PSDB parece estar sofrendo profundamente em razão da derrota. Ele é incapaz de demonstrar isto, algo que pode agravar sua situação. Afinal, como diz Orison Switt Mardem em obra hoje esquecida:

“O enfermo tem imaginação muito activa, e, consequentemente, é muito mais suscetível de receber sugestões do que em estado de saúde, assim como também propende a exagerar sua doença e temor da morte.” (Domínio dos Nervos, Orison Switt Mardem, Livraria Figueirinhas – Porto, Portugal, p. 207)

O precário estado emocional de Aécio Neves ficou evidente semana passada. Apesar de ter admitido a derrota no final da apuração, o candidato tucano convocou uma passeata para derrubar a presidenta e não foi a mesma. Ele ficou com medo de sofrer um atentado em São Paulo? Quem está usando a instabilidade emocional Aécio Neves para desestabilizar o Brasil?

Até o presente momento os petistas, que são mais numerosos e organizados do que os tucanos, não tem reagido às provocações da oposiç,ão nas ruas. Em algum momento, porém, as coisas podem desandar. Se continuarem os tucanos continuarem a provocar os petistas estes reagirão. Caso sejam atacados por petistas nas ruas, os tucanos provavelmente reagirão como os colonos reagiam quando atacados pelos índios: com extrema violência. Neste momento, seria melhor para todos que os tucanos mandassem Aécio Neves recuperar o domínio dos seus nervos. Também seria bom que os jornalistas parassem de estimular a barbárie e começassem a mostrar as sujeiras dos seus amigos tucanos.

O PT não é a fonte de todos os males do Brasil. O PSDB está bem longe de ser o partido ético e honesto. Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves numa eleição legítima e deve governar, pois a soberania popular precisa ser respeitada. Caso contrário, o país mergulhará no caos e os quem tem mais a perder – os produtores rurais, o empresariado urbano e aristocracia financeira – certamente serão os maiores prejudicados.