NÃO ESTAMOS EM UM LEILÃO.

Nesta semana uma surpresa atingiu nossa cidade: o sindicato que representa a categoria dos trabalhadores do serviço público municipal rejeitou 16% de aumento para a categoria.

Isso mesmo: REJEITOU 16% de aumento.

Não vou aqui discorrer sobre o que representa 16% na atual conjuntura econômica, pois todos nós sabemos. Também não colocarei aqui os inúmeros acordos coletivos realizados nos últimos meses e seus percentuais de aumento, pois também todos nós sabemos que praticamente nenhum ultrapassou a marca de 10% entre recuperação salarial e aumento real.

O que quero aqui é recuperar a história desse número. Como ele surgiu, para afirmar que a política salarial em discussão não está em uma sala de leilões procurando verificar “quem dá mais”.

Em 2013, primeiro ano da atual administração, negociamos e tivemos a aprovação para um aumento escalonado, onde os menores salários tiveram 11% de aumento real e os maiores tiveram 1% de aumento real – todos acrescidos do INPC do período. Considerando todas as faixas, tivemos um aumento real médio de 3%, somados a mais de 6% de reposição.

Mas não ficamos nisso, até porque a relação de trabalho envolve outras importantes questões. E um dos grandes avanços alcançados foi a política salarial futura, ou seja, definiu-se naquele acordo qual seria a forma de cálculo do aumento de 2014. O definido foi: a variação do INPC do período mais o aumento da receita corrente líquida da prefeitura de 2013 enquanto aumento real.

Essa é a origem dos 16%. O número foi construído e APROVADO EM ASSEMBLEIA em 2013.

Agora, o sindicato, achando que estamos vivendo o passado, simplesmente rasga o acordo feito em 2013 e exige outro índice saído de “mentes iluminadas” pela lógica do leilão.

Grave, muito grave essa postura de, quando interessa, rejeitam-se aprovações de uma assembleia e rasga-se um acordo assinado entre as partes e quando não interessa (veja o caso da mudança do regime), finca o pé em assembleias passadas para não discutir o futuro.

Grave, muito grave, colocar toda uma categoria nessa posição de “moleque” (no sentido mais pejorativo que ela possa ter) que, de acordo com o humor ou a forma com que “levanta de manhã”, muda radicalmente de posição.

Grave, muito grave, para uma prática negocial, rasgar-se um acordo feito não considerando o que assinou.

Grave, muito grave, uma diretoria de sindicato sujeitar-se aos caprichos de uma assessora que não é da categoria, mas que monopoliza todas as assembleias e encaminha as votações de acordo com sua vontade pessoal.

Dirão alguns: mas a assembleia estava muito representativa. Sim, estava mesmo. Sabem por quê? O sindicato pediu oficialmente à Prefeitura que dispensasse os professores que estariam em HTC (Horário de Trabalho Coletivo) para que os mesmos pudessem participar da assembleia. E a Prefeitura, no espírito democrático que lhe direciona, aceitou o pedido. Só que dos mais de 600 professores que estariam no HTC, cerca de 200 participaram da assembleia.

Vê-se que o poder de mobilização do sindicato está um tanto quanto fragilizado.

Soubemos de pessoas que saíram da assembleia perguntando: mas e os 16% vem ou não vem? Por ai se percebe o nível de conscientização dado pela assessora aos que a ouviam.

E então? Qual é afinal a atual situação?

Não existe mais os 16%.Não existe mais o acordo assinado em 2013. O sindicato rasgou esse acordo quando rejeitou suas decisões. O sindicato escolheu jogar fora o que assinou para entrar na lógica do leilão e tentar com isso novos números. Uma irresponsabilidade que certamente terá reflexos na vida de mais de 2500 famílias.

A Prefeitura deixou claro que respeitaria o acordo feito. Tanto que propôs a continuidade dessa política para 2015. Mesmo com todas as dificuldades que terá neste ano de 2014 com suas receitas, principalmente pelos efeitos ainda não conhecidos da liminar contra a política do IPTU, a Prefeitura honraria o acordo assinado em 2013. Não só isso: continua afirmando que mudando o regime previdenciário, mais 8% serão repassados aos salários dos trabalhadores. Não só isso: afirmou manter e avançar em várias cláusulas não econômicas, como cesta básica, uniformes, reforma administrativa e outras.

Mas o sindicato resolveu rasgar o acordo… E agora o que temos é nada, infelizmente.

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9 comentários sobre “NÃO ESTAMOS EM UM LEILÃO.”

  1. Os professores q foram dispensados e não apresentarem a declaração do sindicato, estes irão perder o htc, isso o sr. Wilson não declara aqui.
    E a categoria tem todo direito de discordar de acordos pré estabelecidos, pois as negociações de decídio para recomposicao salarial são anuais.
    Sr. Wilson será que a prefeitura está realmente honrando com a palavra? As contas não batem, estão esquecendo alguma, talvez no bolso, talvez na gaveta, talvez esteja no fundo do cofre da prefeitura, mas não é pouco essa diferença, não precisamos citar valores, os senhores já sabem.
    Paguem o que queremos e fiquem quietos.

    1. Primeiro, meu caro, não estamos em DISSIDIO….

      Segundo, a chamada “diferença dos números” que você cita foi explicada e documentada para o Sindicato. Explicarei em outro artigo. Achei que esse tema havia sido vencido, pois o leilão chegou em 20% e a diferença alegada era maior que essa.

      Terceiro, discordar hoje do que assinou ontem você considera normal? Lamento…

  2. Lamentável o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais aceitar ser manipulado por pessoa(s) que sequer pertencem a categoria.
    Independente da decisão final, LAMENTÁVEL.

  3. Chamar os servidores de “moleques” não pegou bem companheiro secretário. E para um gestor essa postura apelativa de chorar pela dispensa dos professores dispensados do HTC invoca a compaixão pública.

  4. Se a prefeitura não está cumprindo com seu papel do acordo feito em 2013, logo os servidores podem sim exigir outro valor além do que foi assinado.
    O tcu está errado então?
    Vocês contaram com o ovo do iptu, no fim essa galinha tá difícil sair alguma coisa.
    Bom carnaval pro sr.

    1. Desculpe, Juan, mas não se trata do TCU – Tribunal de Contas da União. Trata-se do TCE/SP – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Outra coisa: onde a Prefeitura não está cumprindo o acordo assinado em 2013? Até agora todas as ações encaminhadas foram acompanhadas pelo Sindicato. Se você está falando dos números QUE O TCE/SP ERROU, espero que o Sindicato tenha colocado a sua disposição toda a documentação que encaminhamos. Lá você verá perfeitamente que quem errou não foi a Prefeitura, mas o TCE/SP. Tanto que no “leilão”, o Sindicato chega a um número inferior ao que seria, se o TCE/SP estivesse certo.

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