Expulso de Casa

Observa-se na atualidade um crescimento bastante significativo nas truculências de relacionamentos quando o tema é política. Aparentemente certos segmentos e pessoas estão perdendo a tranquilidade e o bom senso no trato dessas questões, e atos políticos estão se transformando em notícias policiais. O difícil é saber de onde vem essa truculência: da animosidade generalizada que se observa na sociedade há algum tempo ou estritamente das disputas políticas.

Todavia, isso não é novidade para quem é mais vivido ou ainda conhece um pouco de história.

Do passado, talvez o maior exemplo seja Getúlio Vargas, que preferiu o suicídio a ter que ver seu projeto político e social ser dizimado pela elite da época. Não menos traumática foi a história de João Goulart – o presidente deposto pelo golpe de 1964. Sobre o último ainda pairam dúvidas das causas de sua morte.

Assim como não é novidade nas esferas nacional e estaduais, também não é novidade nos ambientes municipais – estes cheios de histórias, “causos” e folclores. Em nossa cidade grandes embates nem sempre tratados enquanto discursos e propostas, fazem parte de nossa história. Se formos para as cidades mais próximas, certamente teremos muitos exemplos, como nossa irmã, Itu, conhecida por oferecer à história momentos de muita disputa e violência.

E parece que em nossa cidade esse tempo está voltando.

Pessoalmente considero que a violência nunca deixou o cenário político, seja local, regional e os do estado e país. Acontece que na maior parte das vezes a violência é calada ou mesmo tolerada e não divulgada – principalmente quando não interessa a nenhum dos lados envolvidos.

A relação de políticos com o crime organizado, com milícias paramilitares ou mesmo com “bate-paus” não é exclusividade dos do Rio de Janeiro ou do Nordeste. Em nossa cidade, veladamente essas relações existem e vez ou outra em nossa história os fortes boatos de que essas relações produziram efeitos, são ouvidos pelos quatro cantos dela. Desde os tempos de outrora…

A mais recente, sem dúvida, foi o caso das ameaças sofridas pelo nosso prefeito Juvenil Cirelli em redes sociais e pessoalmente em uma das padarias da cidade quando foi até ela para tomar seu café, na manhã da saída da tradicional romaria de Salto a Pirapora.

Pessoalmente vivi recentemente, junto com minha companheira, momentos terríveis por conta de duas invasões em nossa residência. Num intervalo de cerca de 35 dias nossa residência foi invadida duas vezes por bandidos encapuzados e armados que, em busca de dinheiro, deixaram nossa casa de “pernas para o ar”, além de nos amarrarem e me agredirem. Nas duas vezes fizeram questão de destacar que sabiam quem eu era e o que eu fazia. Nas duas vezes a voz de um dos bandidos marcou-me profundamente a ponto de ter quase certeza que foram as mesmas pessoas. Na última vez uma coisa interessante: levaram de minha casa cadernos que continham relatórios de pesquisas que realizamos nos últimos anos, além, é claro do que está descrito nos boletins de ocorrências firmados na delegacia de polícia. Os cadernos das pesquisas não registrei no B.O. pois só fui perceber o que era dias depois, quando me preparava para mudar de residência.

É…. mudar de residência. Esse foi o maior dos efeitos causados por essa violência desmedida.

Morávamos em uma casa que, pela nossa vontade, seria a última de nossas vidas: gostosa, tranquila, com bom espaço interno e metade do terreno de 360m2 como quintal, onde tínhamos várias espécies de árvores, plantações, jardinagem e até galinhas… Comprada com financiamento pela Caixa Econômica Federal em 2009 (ainda tenho muitas parcelas a pagar), transformou-se rapidamente em um lugar muito querido pelos dois.

Todavia, depois das duas invasões, nenhuma tranquilidade mais existiu. Entre uma e outra invasão, chegamos a encomendar um sistema de segurança com câmeras, sensores e monitoramento. Mas sequer deu tempo de instalar e a segunda invasão aconteceu.

No final de semana do feriado de 1º de maio, mudamos. Abandonamos nosso “porto seguro” porque seguro já não era mais e fomos para outro local. Normalmente esses momentos são de alegria e grandes expectativas, já que uma nova vida se projeta (sei pois já passei por isso também). Porém desta vez o gosto foi amargo: um gosto de frustração, trauma e agressão. Um gosto de expulsão do seu espaço. Eles conseguiram isso…

Até hoje não temos ideia de quem são os bandidos, quais os motivos que tiveram e principalmente porque tão seguidamente. Apesar de todos os esforços tanto da Policia Civil e Militar, além do forte apoio da GCM, essas indagações aparentemente ficarão sem respostas concretas. O que fica são as divagações. E nesse campo tudo é possível.

A mais simples é a de que tenham sido usuários de drogas ilícitas que foram atrás de recursos para pagamento de dívidas ou até para compra de drogas. A mais complexa, de crime encomendado. De minha parte, acredito que qualquer uma delas seja possível diante do que estamos vendo em nossa realidade e do que conhecemos de nossa história e seus sujeitos.

Porém são só divagações. O que fica realmente é o gosto amargo da frustração, do bloqueio e da agressão… que espero sinceramente passe o mais rápido possível.

Meu afastamento de uma série de compromissos, de familiares, de amigos, de meu blog e da rede como um todo tem como causa essa agressão vivida e revivida em 35 dias. Não existe estrutura pessoal que suporte tal violência e continue a viver normalmente. Não seria eu uma exceção a isso. O que espero e faço um esforço tremendo para acreditar é que o fator motivador tenha sido o mais simples….

 

3 thoughts on “Expulso de Casa”

  1. Lamentável esta situação por vocês vividas…Meus Sinceros votos que tenham PAZ, TRANQUILIDADE E Contimuem com MUITO AMOR. .. em sua nova moradia.

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