Educação subordinada ao mercado!

Causa mal estar observar os comentários de hoje e da última sessão de Câmara ocorrida na última terça-feira por conta da troca dos prédios do IFSP/Salto e a Abadia de São Norberto.

Desde o início das conversações entre o Ministério da Educação e a Prefeitura, o que está em pauta é a possibilidade de ampliações dos cursos oferecidos pelo IFSP/Salto para os jovens de toda a região. Tive a oportunidade de acompanhar o início das atividades do IFSP/Salto, quando da federalização daquele espaço pelo Presidente Lula. Na oportunidade já era evidente algumas limitações das dependências do prédio para cursos de extrema importância para Salto e região, principalmente no ramo industrial, por conta da prioridade que se deu à época de sua construção, que não foi esse segmento.

O que observamos em poucos anos foi uma expansão de cursos e de procura muito rápidos, impossibilitando ao Instituto ampliar seus cursos como sempre fora o desejo.

Quando o prefeito Juvenil sugeriu a troca ao MEC, não houve dúvida alguma do mesmo nessa parceria justamente porque tanto o MEC (impulsionado pela nova política educacional de ensino superior brasileira, desde o governo Lula) quanto o IFSP vislumbraram imensas possibilidades de expansão dos cursos existentes.

Outro argumento bastante forte: se houvesse a opção pela construção de um novo IFSP certamente Salto esperaria alguns anos, pois a política do MEC é expandir nas cidades onde não existem os Institutos pelo Brasil afora. Isso colocaria a possibilidade de um novo prédio a partir do MEC bastante remota no tempo. Mais um motivo pela valorização da troca, já que as reformas necessárias na Abadia correrão por conta dos orçamentos do próprio IFSP, evidente, subordinado ao do MEC.

O que isso representará em um futuro não distante? Muito mais possibilidades de estudos aos nossos jovens que procuram os cursos técnicos, tecnológicos e superiores, com um acréscimo fundamental: ampliando as possibilidades da criação de cursos que venham ao encontro das exigências técnicas do mercado local e regional, que está em franca expansão, como podemos ver.

Ou seja, a sociedade saltense como um todo ganharia e muito com isso, visto que respostas educacionais necessárias acontecerão.

E o atual prédio? Como está chamando nosso prefeito Juvenil, seria o “Quarteirão da Saúde”.

Seu objetivo é concentrar ali todos os serviços de saúde que hoje estão espalhados pela cidade, em sua grande maioria em prédios alugados. Além de facilitar a vida dos munícipes, já que o prédio em questão fica em frente a Rodoviária e do Terminal de Ônibus Urbano ali existente, diminuindo o vai-e-vem pela cidade dos que dependem dos serviços de saúde; também provocará economia significativa nos aluguéis hoje pagos pela Prefeitura.

Ai, alguns vereadores e articulistas surgem com argumentos no mínimo risíveis, para não dizer maldosos.

Um deles diz respeito ao “transtorno” que se provocará para o trânsito quando da criação do Quarteirão da Saúde, já que um número bastante grande de munícipes para lá acorrerão. Vamos imaginar que nada seja feito para amenizar esse problema (o que, sei, não é verdade). Novamente nos deparamos com prioridades: o que é mais prioritário? O atendimento do munícipe que precisa dos serviços de saúde, ou o dos carros que por lá passam?

Outro argumento e sem dúvida o pior deles é a comparação que fazem entre os valores dos prédios, alegando alguns vereadores e articulistas que a prefeitura “sairá perdendo economicamente” com a troca. Senhores, me poupem de tamanha dose de irresponsabilidade.

Quais serão os benefícios dessa troca? Melhor atendimento dos usuários da rede de saúde municipal, diminuição nos aluguéis pagos pela prefeitura, enorme ampliação no atendimento dos jovens que almejam cursos técnicos, tecnológicos e superiores. Isso não compensa a “diferença” econômica entre os prédios???

Interessante observar os argumentos, já que eles aparecem ao “sabor dos ventos”. Hoje é o econômico, já que os aspectos sociais são enormemente melhores. Em outras ocasiões se apela para o “social” quando a prefeitura tenta criar justiça social (a discussão da Planta Genérica de Valores é o maior exemplo). O que define o discurso e os artigos é ser contra o atual governo que busca em suas ações a melhoria de vida da maioria dos saltenses.

No caso específico, lamento em ver cidadãos saltenses tentando subordinar a ampliação das ofertas de cursos (mais educação para todos) às questões de valores de prédios.

A análise está feita e as vantagens para a cidade estão mais claras do que o maravilhoso sol deste sábado. Infelizmente interesses outros (que alguns ainda desconheço) querem criar problemas e travas nos avanços de nossa cidade.

Uma pena!

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