Depois de vazar planilhas da Odebrecht, Moro impõe sigilo

Do Luiz Nassif

Jornal GGN – Depois do vazamento de uma ‘superplanilha’ da Odebrecht, o juiz federal Sérgio Moro decretou sigilo sobre o documento, que cita dezenas de políticos de diferentes partidos que seriam supostos destinatários de valores e doações da empresa. A planilha foi apreendida na Operação Acarajé, um desdobramento da Lava Jato, na casa de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.

Na lista, consta uma sucessão de transferências para deputados, prefeitos, senadores, governadores e partidos políticos. Inicialmente, os autos da Acarajé estavam sob sigilo, mas Moro tirou o sigilo como tem feito desde o início da Lava Jato. Ao constatar que o documento tem ‘registro de pagamentos a agentes políticos’, Moro voltou atrás e deixou a planilha sob sigilo, alegando que é “prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos”, já que a Odebrecht “realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos”.

Do Estadão

Juiz da Lava Jato pede manifestação urgente da Procuradoria para ‘eventual remessa’ do documento que cita dezenas de políticos e partidos ao Supremo Tribunal Federal

O juiz federal Sérgio Moro decretou nesta quarta-feira, 23, sigilo sobre a superplanilha da Odebrecht que cita dezenas de políticos e partidos como supostos destinatários de valores da empreiteira. O magistrado pediu ao Ministério Público Federal que se manifeste sobre ‘eventual remessa’ da documentação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A superplanilha foi apreendida em fevereiro na Operação Acarajé, desdobramento da Lava Jato, na residência do empresário Benedicto Barbosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.

O documento aponta uma longa sucessão de transferências para deputados, senadores, prefeitos, governadores e agremiações políticas.

Inicialmente, a Acarajé estava sob sigilo. Depois que a operação foi deflagrada, em fevereiro, o magistrado afastou o sigilo dos autos, como tem feito desde o início da Lava Jato.

Nesta quarta-feira, ao constatar que a lista contém ‘registros de pagamentos a agentes políticos’, Moro restabeleceu o sigilo nos autos.

“Prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos. Não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos”, argumentou o juiz.

“De todo modo, considerando o ocorrido, restabeleço sigilo neste feito e determino a intimação do Ministério Público Federal para se manifestar, com urgência, quanto à eventual remessa ao Egrégio Supremo Tribunal Federal para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado.”

O DESPACHO DE SÉRGIO MORO

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PEDIDO DE PRISÃO PREVENTIVA Nº 5003682-16.2016.4.04.7000/PR

REQUERENTE: POLÍCIA FEDERAL/PR

ACUSADO: ZWI SKORNICKI

ACUSADO: FERNANDO MIGLIACCIO DA SILVA

ACUSADO: JOAO CERQUEIRA DE SANTANA FILHO

ACUSADO: MONICA REGINA CUNHA MOURA

ACUSADO: MARCELO RODRIGUES

ACUSADO: MARIA LUCIA GUIMARAES TAVARES

ACUSADO: VINICIUS VEIGA BORIN

ACUSADO: BENEDICTO BARBOSA DA SILVA JUNIOR

ACUSADO: MARCELO BAHIA ODEBRECHT

DESPACHO/DECISÃO

Juntada na data de ontem, nestes autos, parte do material apreendido nas buscas e apreensões.

Em decorrência de notícias da imprensa, constato que, aparentemente, na residência de Benedicto Barbosa da Silva Júnior foram apreendidas listas com registros de pagamentos a agentes políticos.

Prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos. Não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos.

De todo modo, considerando o ocorrido, restabeleço sigilo neste feito e determino a intimação do MPF para se manifestar, com urgência, quanto à eventual remessa ao Egrégio Supremo Tribunal Federal para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado.

Curitiba, 23 de março de 2016.

 

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