Descrença

Apesar de ser otimista por natureza.

Apesar de lutar desde que me conheço por gente por uma sociedade mais fraterna e igualitária.

Apesar de conhecer inúmeras pessoas que tem o mesmo otimismo (até mais) que eu e lutam a décadas por essa tal sociedade igualitária.

Apesar de acreditar que a democracia é o melhor dos regimes que o homem conseguiu criar até agora.

Apesar de acreditar que nossa sociedade precisa de um mínimo de regramento e esse regramento deve ser garantido por aquilo que chamamos de justiça.

Apesar de acreditar que as divergências podem ser o caminho para construções mais elevadas de relacionamentos.

Apesar de acreditar que o voto deve direcionar nossas escolhas para aqueles que queremos enquanto gestores públicos.

Apesar de confiar sobremaneira em muitos daqueles que estão nas estruturas lutando para que esses princípios se sobressaiam.

Apesar de tudo isso o que vejo em nossos dias é a negação desses princípios elementares.

Estamos vivendo um momento em que a exceção é a regra: na presidência, um golpista que usou de mecanismos escusos acobertados pela “justiça” e pela grande mídia. E agora cumpre tudo aquilo por que tanto lutou: o distanciamento cada vez maior entre os desiguais, preservando e aumentando as chances dos que tem muito e cortando e reduzindo os direitos dos que tem pouco.

Em nossa cidade um prefeito que se sustenta no poder graças a uma liminar concedida pela Justiça Comum e até agora não apreciada por aqueles que deveriam fazer isso. Um prefeito que elimina duas secretarias importantíssimas para a cidade; elimina toda a política social implantada para aqueles que mais precisam delas, cortando as coordenadorias específicas; eliminará com certeza o cartão material escolar e o cartão do servidor; corta diversos cargos sob a alegação de que “precisa economizar”, mas (como já era esperado) traz os seus para debaixo de suas asinhas.

O mais triste é que os processos crime contra ele agora só serão julgados pelo Tribunal de Justiça, já que, por conta dessa mesma “justiça”, assumiu a cadeira de prefeito mesmo pesando sobre suas costas todos os delitos já vastamente conhecidos.

Mas a tirania não tem limites.

Nesta semana demite uma funcionária (Daniela Roger) que está afastada do trabalho por conta de um tratamento de câncer. A menina foi chamada para assinar a rescisão e (claro) não pode ir pois está em tratamento.

Esse tipo de mal não acaba. Pelo contrário alastra-se cada vez e mais em nosso meio. O que importa são os objetivos pessoais, por mais escusos que sejam. Afinal, na justiça sempre se dá um jeitinho.

O texto abaixo é de Marcos Pardim, homem da cultura e de uma sensibilidade maior que todos nós juntos. Replico o texto por considera-lo profundo e demarcador das diferenças entre políticas vividas em nossa cidade. Mas infelizmente não acredito que as coisas mudarão. Mesmo que o pedido incisivo de Pardim venha a ser atendido, o mal já está feito. Não será a revisão do feito que mudará tal feito. O mal já se manifestou. A tirania já está posta.

Espero que esse fato não seja mais um daqueles que daqui a algum tempo as pessoas se esqueçam e voltem a catalogar Geraldo Garcia como “o bom moço”, título alias que o Sr. Lenzi precisa nos explicar.

 

Postagem aberta ao Exmo. sr. Prefeito da Estância Turística de Salto, José Geraldo Garcia:

Senhor prefeito, agora a pouco recebi uma notícia monstruosa. Soube que a sua administração exonerou uma funcionária comissionada que há algum tempo está afastada para se tratar de um câncer. Monstruosidades, por obviedade semântica, são cometidas por monstros. Decerto que há entre nós, os seres humanos, gente capaz de ser monstro. Não sei se foi o senhor que autorizou esta monstruosidade. Se foi, peço-lhe a dignidade e a decência (as mesmas que eu disse que lhe faltavam em meu discurso de despedida do extinto Teatro Verdi, quando me demiti da coordenação, em 1989) de desautorizar. Política ainda, tenho a esperança, permite ética. Solidariedade é também um gesto ético. Alteridade, então, nem se fala. Se não foi o senhor, desautorize o seu subalterno que foi capaz de tal monstruosidade. Câncer, qualquer pessoa sabe, não é uma gripe, um resfriado. Eu já perdi pessoas queridas por conta desta doença. Minha mãe e uma de minhas irmãs faleceram vitimadas por esta devastadora doença. Ela, a doença, é por si só demasiadamente perversa. Não é preciso mais perversão de ninguém. Pare, respire, reflita. Há de existir dentro de Vossa Excelência alguma réstia de humanidade. Faça-a agir, senhor prefeito. A humanidade agradece.

Atenciosamente

Marcos Antonio Pardim, um simples cidadão saltense.

 

Decepção nossa de cada dia

Sempre acreditei que a política é o melhor caminho para melhorarmos a vida das pessoas. Não existe (pelo menos até agora) nada parecido que dê conta de entender todos os problemas vividos pela comunidade e a partir dai propor soluções comunitárias usando como instrumento as políticas públicas.

Continuo acreditando.

Mas, como em tudo o que o homem cria, sempre existem no mínimo dois lados, as decepções acontecem sempre.

Acabo de abrir a página de nossa prefeitura para acompanhar as notícias do novo governo e é assustador o baixo nível daqueles que lá estão, tentando desmoralizar o governo que de lá saiu.

Dentre as reportagens publicadas, uma revirou o fígado: “Prefeito e Secretário descobrem prédio do CEMUS sem equipamento”.

Ao abrir a notícia dei-me conta de que se trata da creche do Jd. Soberano, entregue no final de dezembro a população. Naquela oportunidade o prefeito Juvenil explicava que a construção é resultado de um convênio com o governo do Estado e prevê, além da construção, todos os móveis e equipamentos. O convênio diz claramente que atingidos os 80% da obra seria aberto um novo crédito para a compra dos equipamentos. Juvenil ainda explicava que a obra já ultrapassara os 80% e que o pedido do novo crédito já havia sido feito, estando o município aguardando um retorno do governo do Estado. Falava ainda que a caixa d’água teria nova manutenção pela construtora, já que havia recebido água pela primeira vez naquela semana e pequenos vazamentos sempre são descobertos nessa operação.

Isso tudo dito à população ali presente.

A notícia vai mais longe nas calúnias: afirma que na transição isso não foi repassado ao novo secretário e sua chefe de gabinete. MENTIRA!!!

Estava presente nessa reunião de transição e todos os detalhes foram passados aos dois: senhor secretário e senhora chefe de gabinete, da mesma forma que fora passado à população pelo prefeito Juvenil. Além dos detalhes dessa obra, com todas as informações descritas acima, falamos ainda de outra obra em andamento (Jd. Icaraí), que obedecerá os mesmos procedimentos, mas que não havia atingido ainda os 80% de construção e que, portanto, a nova administração deveria ficar atenta para a continuidade do processo.

O que mais assusta é ver pessoas que conheço há anos prestar-se a esse papel. O novo secretário, uma pessoa bastante conhecida e tida como “bom moço”, amigo de todos. A chefe de gabinete que por anos trabalhou comigo na direção do CEMUS I e que tenho como uma profissional exemplar e uma educadora de mão cheia. Inacreditável que essas pessoas se sujeitem a isso….

Certamente nos próximos dias veremos notícias dando conta de que o sr. prefeito fez grandes articulações com o governo do estado e conseguiu recursos para mobiliar e equipar a nova creche…..podem esperar!!!

Infelizmente a política nos dá essas decepções….O que mais me entristece é verificar que pessoas que até ontem eram próximas, hoje mentem descaradamente!

Se você quiser ter o desprazer de ler a notícia, clique aqui.

Na transição, dinheiro em caixa

No último domingo, dia 01 de janeiro, aconteceu em Salto a transição de governo.

Apesar de todas as nuances jurídicas que envolvem a manutenção ou não do atual governo, o certo é que no dia 01 de janeiro a justiça garantiu o mandato do atual prefeito.

Duas foram as principais notícias daquele dia: a eleição da mesa diretora da Câmara de Vereadores que surpreendeu na última hora, já que existia uma certeza de que o vereador jornalista seria o presidente. Mas como tudo em política nada está resolvido antes da hora, o vencedor foi o vereador Luizão.

A segunda notícia, também ofuscada por uma série de fofocas, inclusive publicadas, foi a entrega da Prefeitura com recursos significativos em caixa. Mais de 28 milhões de reais foram deixados nos cofres públicos pela administração Juvenil e Jussara, para seus sucessores.

Evidente que essa notícia foi explorada das mais variadas formas e preconceitos. Uma delas a confusão de muitos dizendo que “se tinha tanto porque não fez isso ou aquilo…”. É sempre bom lembrar que os recursos públicos tem definições e entradas específicas. E, portanto, não podem ser usados como se gostaria. Regras existem e precisam ser obedecidas.

Para se ter uma ideia do que falamos, dos pouco mais de $ 28 milhões, quase $ 22 milhões são recursos cuja utilização são específicas: são as chamadas “verbas carimbadas”. Convênios, contratos específicos com governos federal e estadual, verbas da saúde, da assistência social, da educação, etc….compõe esse valor que dará ao futuro governo uma capacidade bastante interessante de investimentos nessas áreas. A diferença, quase $ 7 milhões, são recursos correntes, ou o que se chama “dinheiro em caixa”. Esses recursos são os que fazem frente a todos os tipos de despesas da prefeitura que não sejam “carimbadas”: pagamento de fornecedores, de manutenções, consumos, contratos de prestação de serviços, etc….

Fazendo uma avaliação temporal, $ 7 milhões representam 1/3 de receitas de um mês comum na prefeitura, considerando os valores recebidos em 2016. Ou seja, o governo Juvenil deixou para seu sucessor a garantia antecipada de receitas correntes correspondentes a dez dias de um mês comum.

Isso somado aos diversos projetos já definidos, temos uma garantia bastante robusta para o início do atual governo poder administrar a cidade com tranquilidade.

No mês de dezembro as receitas superaram todas as previsões e de forma bastante positiva puderam garantir que as finanças da prefeitura chegassem ao final do ano mais equilibradas do que se esperava. Destaque para os valores da repatriação que foram depositados nos cofres da prefeitura na noite do dia 30 de dezembro. Só desse depósito a prefeitura pode contar com $ 2,4 milhões.

Lembrando que “repatriação” são os recursos oriundos das negociações com pessoas e empresas brasileiras que tinham recursos em outros países. O governo brasileiro em 2016 conseguiu arrecadar $ 50 bilhões entre principal, juros e multas. Em novembro foram repassados $ 5 bilhões para os municípios referentes a parte do principal arrecadado. Numa discussão que durou quase dois meses, os municípios conseguiram mais um repasse de $ 5 bilhões no final do exercício correspondentes aos juros e multas cobrados dos valores repatriados. Tanto em novembro quanto em dezembro, Salto recebeu dessa distribuição o valor de $ 2,4 milhões.

Diante da crise aguda vivida em 2016, as mais variadas ações colocadas em prática pela administração Juvenil-Jussara, contribuíram para que seus efeitos fossem os menores possíveis na cidade. Evidente que efeitos tivemos, mas nenhum que atingisse as ações essenciais da administração municipal.

Feliz 2017 para todas e todos!!!

 

 

Assumindo o papel

Neste sábado bonito, cheio de sol e véspera de natal, acordei com uma leveza comum do dia a dia de quem tem muitos amigos e sabe que sempre poderá contar com eles. Muitas mensagens de “feliz natal” aparecem a todo momento nos grupos das redes sociais e isso anima a acreditarmos cada vez mais na vida e nas pessoas.

Mas….e tem sempre o “mas”, por uma questão de costume vou até a garagem pegar o jornal da semana (Salto ainda tem esse problema: só temos jornais uma vez por semana…..ah…e um tabloide as quartas-feiras) e, quem sabe, encontrar mais mensagens de otimismo e alegria.

A manchete principal:

CARNÊS DO IPTU CHEGARÃO ATRASADOS E COM VENCIMENTO A PARTIR DE 31/01/17.

Imaginem o que aconteceu: toda aquela alegria que vinha desde o dia anterior imediatamente se transforma, primeiro em surpresa (como assim, atrasados?) e depois que li o conteúdo da matéria, em asco, nojo e revolta.

Vejam um dos trechos da matéria: “Comumente, a impressão era feita no mês de novembro e a entrega ocorria em dezembro, para pagamento nos primeiros dias do ano. ”

Comumente quando, cara pálida???

Este governo, desde que assumiu, sempre encaminhou o carnê do IPTU em janeiro. Sabe por que? Porque assim a lei manda. Não bastasse o Código Tributário Municipal ser taxativo nessa questão em seu art. 174, o Código Tributário Nacional assim também define, em seu art. 144 e outros.

Uma questão natural: não posso ser cobrado de algo que ainda não devo.

O fato gerador do IPTU é 1º de janeiro de cada ano. Como posso cobrar alguém, enviando a sua casa um carnê, antes da data que ele começa a dever?

O tal “comumente” destacado na reportagem é do governo de 2005-2012, onde essa prática foi adotada e passou ilesa, sem nenhum contribuinte reclamando por conta disso. O discurso era chamativo: “aproveite seu 13º para pagar o IPTU”. E assim uma grande ilegalidade era cometida.

Evidente que o pano de fundo disso tudo não é a data que se cobrará ou que se enviará o carnê do IPTU para os moradores da cidade. O que está por traz disso é a retomada de uma linha jornalística que deixou de existir nos primeiros meses do atual governo: a defesa de um grupo político específico. O grupo dos tijolos que nunca existiram, o grupo do rombo de quase 30 milhões de reais por “compensações do INSS”, o grupo que pagou mais de 2,5 milhões para um escritório de advocacia fazer o serviço das compensações. Esse é o principal objetivo.

Não importa se por quatro anos seguidos cumpriu-se a lei e os carnês foram encaminhados como sempre deveriam ter sido. O que importa é taxar isso de “atraso” e que por conta desse “atraso”, a prefeitura poderá ter “problemas” em suas receitas, como declarou o prefeito ficha suja: “o envio tardio poderá repercutir na receita orçamentária do município em 2017”.

Não se preocupe que os problemas que terás nas receitas orçamentárias de 2017 não serão causados pelo IPTU, mas pela política recessiva e excludente do atual governo federal e estadual, que vocês têm orgulho de terem como padrinhos.

Até que os editores do jornal tentaram durante esses quatro anos manter as aparências em relação à atual administração: críticas veladas, comentários mornos e sem sal. Mas quando era para mostrar os fatos dos rombos da administração do outro grupo, silêncio. Não: não sejamos tão injustos. Silêncio não. Podemos chamar de complacência: “ele é um bom moço e certamente mostrará a verdade”. Pois é …. estamos esperando até hoje.

Mas quando, por má gestão (não disseram, mas tinham o melhor preço, só entregaram documentações erradas…), perderam a licitação das publicações oficiais, escancarou-se a opinião a respeito desta administração: a cada edição falácias e julgamentos irreais são publicados. A cada notícia percebe-se a intenção: no editorial do futuro secretário de comunicação de Sorocaba, o mesmo escreve que finalmente colocou-se uma “pá de cal” nas pretensões do atual prefeito em impedir o mandato do futuro. Esquece-se ele (será?) que juridicamente o futuro prefeito tem ainda muitas preocupações e corre sim o risco de não terminar o mandato.

Abaixo da notícia sobre os carnês do IPTU, mais uma manchete provocada pelo grupo que irá assumir e assinada pelo jornal: “Geraldo teme ‘apagão’ de internet e telefonia da administração em janeiro”. Pois é…. nem ele e nem o jornalista leram o Relatório de Gestão entregue na semana que passou.

Outra pérola para a defesa do grupo: “Geraldo diz que prefeitura adiou transição entre secretários atuais e futuros”. Essa é de cair o queixo…………

Em meados de novembro fizemos seis audiências públicas de prestação de contas, onde cada secretaria expos os trabalhos realizados e o que ficará para a próxima gestão. Questionamentos foram feitos e todas as dúvidas apresentadas. Além disso, publicamos um relatório completo (ainda está na página da prefeitura…. depois de 01 de janeiro não sei…) sobre o que foi feito e o que fica para a continuidade. A administração futura foi convidada, como todos os cidadãos de Salto. Óbvio, não comparecerem.

Temendo que antes da diplomação alguma coisa impedisse a posse, deixaram para indicar os futuros secretários no dia seguinte à sentença do TSE e da diplomação feita pelo Cartório Eleitoral local. Ai, querem tirar o atraso….. como se nada mais a atual administração tivesse para fazer. Queriam reuniões no mesmo dia do anúncio do novo secretariado. Oras…..me poupem!!!

Quem está atrasado, senhores????

Simplesmente patético e deprimente!!!

A verdade, senhores. A única coisa que esperamos da imprensa é a verdade….simples assim!

 

Tendências Jornalísticas

jornais

Recentemente assisti a um filme chamado SPOTLIGHT. O mesmo resume a história do THE BOSTON GLOBE, jornal que levantou o tapete da igreja católica no tema pedofilia.

O filme procura mostrar o contexto dos jornais impressos que, no início dos anos 2000 já sentem a perda de leitores para a internet. Nesse contexto, a grande busca do jornal é de notícias que vendam. Em um dos departamentos do jornal, chamado de Spotlight, trabalhavam quatro jornalistas que faziam jornalismo investigativo. Debruçavam-se sobre um assunto e percorriam todos os caminhos para descobrir as verdades escondidas, até o desfecho com reportagens e artigos impressos escancarando o que descobriam.

Na mudança do editor chefe, o mesmo pede a essa equipe que investigue alguns casos esquecidos de abusos por parte de padres da igreja católica com jovens (a chamada pedofilia). Resumindo: a equipe não só desmascara mais de uma centena de padres na cidade de Boston, como deflagra um processo onde várias cidades e países fazem as mesmas “descobertas”. Em Boston, o arcebispo acobertava todos os casos juntamente com um escritório de advogados que se enriqueceu às custas dos acordos que foram feitos com as vítimas. A punição dada pelo vaticano ao arcebispo foi sua transferência para Roma.

E o que o tal jornal ganhou com tudo isso, naquele momento em que a crise batia a porta? Credibilidade de seus leitores: esse era o grande objetivo apontado no filme. Se até hoje eles tem, não sou capaz de dizer, mas não deixa de ser um objetivo nobre.

Além desse caso, um mais antigo, Watergate, provocou a renúncia do presidente Nixon.

Por aqui, o que percebemos é uma tendência inversa desses dois exemplos. A grande mídia impressa brasileira faz questão de contar suas verdades escondendo inúmeras outras. Um exemplo pequeno pode ser colocado quando do último furacão que passou pelo Haiti e pela Flórida: a morte da Flórida foi muito mais notícia que as 900 ocorridas no Haiti. Assim como esse exemplo, o recente processo de impeachment da presidenta Dilma é outro que certamente a história mostrara como um dos maiores resultados da tendência daqueles que “mandam” na mídia nacional.

Não estou aqui dizendo que o jornalismo norte-americano é correto e o brasileiro não. Longe disso. Poderia citar uma série de exemplos negativos de lá também, como positivos daqui do Brasil. Para não ficar no “poderia”, dois deles: do lado ianque, alguns jornais e TVs que defendem a todo custo a candidatura Truman (aquele que chama brasileiros de porcos) para a presidência de lá, tendo a Fox como liderança; por aqui podemos citar o trabalho monstruoso que Luiz Nassif fez para desmascarar as falácias de uma das maiores revistas nacionais, a Veja.

Ainda sobre a disputa de ideologias capitaneadas pelos meios de comunicação, podemos citar um exemplo de domingo (16/10/16), quando o jornal ESTADO DE SÃO PAULO, publica um editorial onde difama de forma vil e mesquinha a figura do presidente Lula. Coisas do tipo: “…a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior. ” Ou ainda: “… seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa.”.

Por esses dois pequenos trechos dá para notar a alta tendência de quem o escreveu. Mesmo admitindo que o governo Lula teve seus problemas (muito parecidos com todos os demais), chama-lo de “gangster” ou ainda “…para sequestrar a democracia…”, contador de lorotas que iludiu toda uma nação e ainda nações estrangeiras, é no mínimo forçar uma realidade que nunca aconteceu. Mas, como dizem, hoje a fogueira já está acesa… o que são mais alguns gravetos para mantê-la, não é mesmo?

E como estou discutindo tendências jornalísticas, não posso deixar de expressar meus pensamentos sobre as locais. Basicamente três jornais e três rádios fazem o grosso de nossa mídia informativa. Além disso, as redes sociais continuam sendo um misto de boas informações, lazer, futilidades e fofocas. As rádios, além dos gêneros musicais bastante populares, não tem uma interferência decisiva nas questões de fundo da cidade. As redes sociais aceitam de tudo e por isso o filtro do discernimento tem que estar sempre ligado.

Os jornais, tem características bastante peculiares: um, é palanque político, pois seu proprietário é vereador e essas eleições mostraram que esse palanque é bastante produtivo, já que foi o vereador mais votado desta eleição. Outro, tentando achar seu espaço nos céus da informação, consegue um patrocinador que lhe aumenta sua vida útil, mas inicia seu caminho com algumas trapalhadas significativas, como a manchete onde classifica “as escolas de Salto” com um rendimento ruim no IDEB. Isso algumas semanas antes das eleições. Na verdade, a notícia falava das escolas estaduais que estão em Salto, e isso o leitor só descobre na notícia completa, já que a manchete de primeira página generaliza, dando a impressão que TODAS as escolas de Salto foram mal no IDEB. As municipais foram muito bem…isso não foi manchete.

Em relação as eleições, parece que os mesmos tiveram uma linha uníssona: preservar o candidato do PP e potencializar as notícias negativas do candidato Juvenil (no quesito “venda de jornal” parece que acertaram).

Um dos maiores exemplos que podem ser colocados para provar isso foi o tratamento dado por todos eles quando diziam que juridicamente ambos os candidatos estavam na mesma condição: com processos de impugnação na justiça eleitoral. Esqueceram-se de dizer que no caso do candidato do PP o pedido de impugnação era da própria justiça, via Ministério Público e que tal pedido foi acatado, portanto o mesmo ficou na condição de INDEFERIDO até alguns dias atrás. E no caso do candidato Juvenil, a justiça DEFERIU sua candidatura e alguém do grupo do PP entrou com recursos para tentar o indeferimento, que até agora foi frustrado. Nenhum dos jornais se preocupou em explicar a diferença entre INDEFERIDO COM RECURSO e DEFERIDO COM RECURSO. Minto: na véspera das eleições o Tapera fez isso.

Além disso, todas as acusações que pesam sobre o candidato do PP até agora não foram detalhadas por nenhum deles. Evidente que não estou pedindo que os mesmos tenham um setor como o The Boston Globe somente de investigações, mas um pouco de boa vontade e conduta jornalística poderia produzir excelentes matérias a respeito. Mas ainda há tempo, já que o candidato do PP terá muitos processos a responder pela frente, inclusive criminais.

No Jornal de Quarta após o debate ocorrido no Tapera, aparece uma foto dos três candidatos a prefeito, menos o do PP e a pergunta: “…o que será que eles estão tramando?…” “Alguma coisa contra o Geraldo? ” Uma tentativa de humor, mas que mostra a tendência do jornal. Estive no debate e os três candidatos estavam juntos porque o do PP não se aproximou deles, ficou em outro canto do salão com seus pares. Poderia ter outra foto do candidato do PP sozinho, com algo do tipo “sentindo-se um estranho no ninho? ”. Mas tramar é coisa ruim, como pode ser visto no dicionário e o “bom moço” não pensa coisas ruins.

As duas últimas pérolas acontecem no último sábado e no Jornal de Quarta de hoje.

“GERALDO GARCIA VENCE NA JUSTIÇA ELEITORAL POR GOLEADA: 6 A 0”

“JUVENIL: A PERDA DE UMA OPORTUNIDADE”

Na primeira, o tom ufanista para demonstrar que o “cara é bom mesmo”. “…vence…por goleada…”. O bom moço finalmente tem seu reconhecimento e de forma massacrante. As injustiças foram debeladas……aí, num box pequeno ao lado, a opinião do editor, explicando mais ou menos que ainda não acabou.

Só um detalhezinho nisso tudo: evidente que seriam todos os juízes favoráveis ao reconhecimento da candidatura, visto que na justiça comum existe uma liminar suspendendo os efeitos da sessão de Câmara que rejeitou as contas do candidato do PP. Os juízes eleitorais não poderiam ter outra decisão. Mas é bom para o ego idolatrar algumas figuras….

Agora, a segunda é sem dúvida, até aqui pelo menos, a maior de todas as pérolas: um apelo para que Juvenil “…demonstre sua grandeza e desista da posição que mantinha. ” A posição em questão é o recurso que foi impetrado no TRE contra a decisão, já que ainda a justiça comum não se manifestou acerca da liminar em vigor. Alguns trechos:

Se tivesse renunciado ao recurso que ainda lhe restava, mereceria de grande parte dessas pessoas (que não votaram nele) a admiração e o respeito pelo seu gesto altruístico, ficando reconhecido pelo resto da vida como aquele que agiu de forma cristã, que perdoou aquele que um dia com ele rompeu”.

Outro trecho:

“Não vamos analisar as alegações apresentadas para impedir a candidatura de Geraldo. Pode-se até considera-las procedentes em alguns casos, mas não é isso que tem que se levar em conta nesta altura. ”

Mais um:

Quem conhece Juvenil Cirelli, sabe que é um homem de bons princípios, cristão, que não procura fazer mal àqueles com quem convive. ”

Para finalizar:

“A grande oportunidade se ofereceu a Juvenil e ele não a está aproveitando, ignorando que isso poderá lhe causar danos pessoais irrecuperáveis”.(…) “É hora de agir com sentimentos nobres, Juvenil, e não como político.”

Depois de respirar fundo, vou tentar comentar, deixando claro que são opiniões minhas, não conversadas com ninguém…somente com meu computador.

O primeiro trecho chama para a questão do “… ser cristão”, como aquele que perdoa. Esquece o articulista que a maior das qualidades de um cristão é a busca da justiça: “bem-aventurados os justos…” “sejais quente ou frio, pois os mornos vomitarei pela minha boca”. A discussão aqui não é de altruísmo, mas de justiça. A cidade foi vilipendiada. Provas existem aos montes, sem nenhuma dúvida. Aí o articulista quer que o candidato do PP seja perdoado por Juvenil, e se passe uma borracha sobre os acontecimentos que levaram a impugnação do mesmo, além de outros que também tem processos crime. E como “bom cristão” Juvenil precisa perdoar quem com ele rompeu, aqui trazendo à tona os acontecimentos de janeiro de 2012. A questão a muito tempo não é mais essa: a questão é que a cidade não merece um prefeito que fez o que fez com ela.

O segundo trecho é mais contundente ainda: Juvenil não pode levar em conta as acusações que recaem sobre o candidato do PP. Uma afirmação no mínimo infeliz: é só isso que precisa ser levado em conta agora. Afinal a LEI DA FICHA LIMPA foi aplaudida por todos e é somente isso que se espera ser aplicado, diante dos acontecimentos que agora não “…tem que se levar em conta…”.

Novamente a figura do “bom cristão” aparece no outro trecho. Posso falar tranquilamente sobre isso, já que tive a mesma formação de Juvenil na igreja católica. Nossa formação não admite injustiças, nossa formação não admite que autoridades se aproveitem de seus cargos em detrimento da população, nossa formação não admite indiferenças à injustiça. Simples assim.

No último trecho, uma afirmação muito preocupante: “…poderá lhe causar danos pessoais irrecuperáveis. ” O que isso quer dizer? Quais danos pessoais poderá sofrer Juvenil? Que mal é esse escondido nessa afirmação? Precisamos de respostas, já que pessoas vingativas existem em todos os lugares. Precisamos saber dos “danos… irrecuperáveis”, que poderá sofrer Juvenil, além dos que já sofreu até agora. Essa não é uma afirmação que se joga no ar simplesmente, sem bases sólidas. E se essas bases sólidas existem, que fiquem claras para todos nós….

Não se quer vingança, como aparenta o texto: clama-se por justiça. Só isso, justiça: condição humana buscada desde os primórdios da existência, mas sempre controlada por humanos que também falham e tem posicionamentos.

E no caso é simples nossa base de argumentação: contas rejeitadas, contratos ilegais, compras ilegais de tijolos, licitações ilegais. Tudo isso comprovado e atestado pelo Ministério Público. Não é ufanismo, não é tendencioso, não é vingança. Só a busca da justiça, como todo cristão consciente faz, malgrado seu grande mentor ter morrido assassinado na cruz pelas mãos dos homens.