A cultura e o turismo

Neste fim de semana, uma das coisas que me chamou a atenção foi a opinião do editor de nosso Jornal Taperá, que, comentando as entrevistas dos candidatos a prefeito afirma concordar com o candidato que diz irá criar a secretaria de turismo e não concordar com a posição de JUVENIL e JUSSARA – 13 – em desvincular o turismo da cultura, passando-o para a secretaria do desenvolvimento.

Em minha opinião cabe aqui uma série de outras avaliações mais profundas que o  fato de sermos uma Estância Turística, título que aliás não sei para quem da população foi perguntado se queríamos ou não, salvo os vereadores, teoricamente nossos representantes. Mas não me lembro de nenhuma audiência pública a respeito, apesar de poder estar enganado.

Em primeiro lugar não concordo com a afirmação de que cultura e turismo são políticas complementares. Para essa afirmação ser plausível, precisamos discriminar de que cultura estamos falando. Sim, porque a cultura defendida pelas propostas de governo de JUVENIL e JUSSARA – 13 – não é a cultura de eventos ou de manifestações que possam facilitar o turismo, como o carnaval. A cultura que acreditamos vai muito além disso: são as práticas cotidianas de nosso povo; são as manifestações populares que expressam pensamentos e costumes; são os acúmulos de gerações que definem um povo, seja no bairro, seja na rua, seja na cidade toda; são os resultados dessas manifestações expressadas em musicas, danças, teatros, e tantas outras formas não necessariamente artísticas; são nossos artistas que entregam suas vidas à labutar pelas expressões que acreditam. E muito mais poderíamos dizer.

O turismo é sim uma atividade eminentemente econômica: é geradora de empregos, é fomentadora da entrada de recursos externos para a cidade, é a que pode (pois ainda não faz) melhorar e muito nossas receitas e empregos. Por que não fazer parte do desenvolvimento econômico da cidade? O próprio órgão estadual que fomenta o turismo nas estâncias leva a palavra desenvolvimento em sua sigla: DADE – Departamento de Apoio e Desenvolvimento das Estâncias.

E aqui senhores, sejamos honestos conosco mesmo: temos atividades e atrações turísticas na cidade. O rio, os parques, as praças, o turismo religioso a partir da santa, os caminhos educativos a partir dos pontos históricos da cidade. Que mais? Por favor me ajudem nos comentários. Lembro-me de certa vez na prefeitura ouvir: “nosso turismo é de um dia somente. Precisamos aumentar a frequência do turista para pelo menos dois dias”. Isso é um fato que (salvo engano meu) não foi mudado. As pessoas vem, visitam e vão embora, tudo no mesmo dia. E a premissa que ouvi ainda é válida: precisamos prender o turista mais na cidade. Mas isso não é aprofundar nossa cultura. Isso é trazer dividendos para a cidade a partir dos recursos gastos pelo turista. Isso é desenvolvimento.

Outra coisa que JUVENIL e JUSSARA – 13 – tem como principio balizador de suas propostas é a inversão de prioridades. No caso da cultura já passou da hora de aumentar os investimentos orçamentários nela. E isso será feito, pois para JUVENIL e JUSSARA – 13 -, NOSSA GENTE ESTÁ EM PRIMEIRO LUGAR. E cultura é essencialmente o trabalho com gente e suas manifestações, carências e sonhos.

Ainda na inversão de prioridades, JUVENIL e JUSSARA – 13 – tem afirmado também que a cada segmento econômico deve ser dada a importância que ele tem. Ai, uma análise econômica fria nos mostrará que serviços, comércio e indústria tem uma importância muito maior que o turismo na construção de nossas riquezas e na geração de nossos empregos. O turismo pode sim gerar mais empregos e oportunidades, mas dentro de seu limite de crescimento, nem mais, nem menos.

Recentemente, animados pela campanha eleitoral, a prefeitura anunciou uma série de planos de turismo (parece que falavam em um plano para dez anos). Nele algumas coisas absurdas saltam aos olhos: os dinossauros e a ponte estaiada. Os dinossauros pela quase piada que se transformou a proposta. A ponte estaiada pelo altíssimo valor que custará. Ouvi nos debates da campanha que a ponte estaiada “nós ganhamos”. Porém lembro-me perfeitamente que no primeiro anúncio o tal mirante não estava nas propostas do governo do estado. Depois de uma intervenção do nosso prefeito, voltou o mirante como proposta e o anúncio do valor: $ 23 milhões de reais. Será que precisamos de uma ponte tão cara ali? Por que não o mirante da ilha ter o objetivo que o tal mirante da ponte tem? Ou o projeto da ilha também é para dez anos(apesar que também tenho muitas dúvidas nele)? Será que em vez de insistir para ter o mirante, nosso prefeito pedisse para serem trocadas algumas outras pontes tão importantes para nossa GENTE, não seria mais justo e prudente?

Minha grande dúvida sobre o projeto da ilha da EMAE diz respeito a fauna e flora ali existentes. Mais que um especialista me disse: a partir do momento que o homem passar a frequentar aquele espaço, muitas espécies dali serão extintas. Não por maldade, nem por vandalismo: pelo simples fato da intervenção humana no local. Agora, imaginem se acrescentarmos a isso as manifestações maldosas que naturalmente acompanham o ser humano.

O próximo mandato na prefeitura será sem dúvida um momento de revisão de muitas coisas. Animados pelo crescimento de nossa auto estima, parece que algumas coisas ficaram para trás e outros valores foram super estimados. Não tenho dúvida que nossa cultura precisa caminhar sozinha enquanto uma política publica. Integrada com todas as outras, mas preocupada com seus objetivos. E o turismo precisa definitivamente cumprir seu papel de propulsor de desenvolvimento e de geração de renda, enquanto atividade econômica que é.

2 thoughts on “A cultura e o turismo”

  1. Sábias palavras vereador, concordo em genero número e grau, só acrescentando a necessidade de “mais” opções de lazer (com discernimento) em nossas periferias e zona rural.

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