Mortalidade Infantil cai 34% em Salto

Da Prefeitura de Salto

Índice é utilizado por órgãos internacionais para avaliar a eficácia dos serviços públicos de um lugar.

Mortalidade Infantil cai 34% em Salto

A taxa de mortalidade infantil na Estância Turística de Salto em 2013 (8,9) caiu 34% em relação a 2012 (13,6), segundo dados da Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados).

O índice no munícipio em 2013 é 22% menor que a taxa do Estado de São Paulo (11,5), 32% menor que a taxa da Regional de Saúde Sorocaba (13,2) e 28% menor que a taxa de Itu (12,4) e Indaiatuba (12,5). Além disso, Salto é o 7º em mortalidade infantil da Região Metropolitana de Sorocaba, ficando atrás apenas de municípios com população entre 3 mil e 51 mil habitantes.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde os fatores que mais influenciaram na diminuição do índice em Salto foram os investimentos em saneamento básico, no sistema de saúde, disponibilidade de remédios e vacinas, além do acompanhamento médico.

O município conta com um Comitê Municipal de Mortalidade Infantil ativo, que se reúne mensalmente para discutir e avaliar todos os casos de óbitos infantis. Este comitê é formado por médicos, enfermeiros, técnicos da Secretaria Municipal de Saúde, Sociedade Beneficente São Camilo e um representante do Conselho Tutelar.

Logo no início da atual gestão, o trabalho desse Comitê foi intensificado. Foram separadas as principais causas de óbitos em crianças até um ano e constatou-se que uma delas era a prematuridade relacionada a infecção urinária. A partir daí, a Secretaria de Saúde criou um protocolo de informações clínicas específico para as gestantes, desenvolveu um material de orientação sobre cuidados para gestantes e puérperas, baseado em orientações do Ministério da Saúde, que foi distribuído em todas as unidades de saúde para o corpo de profissionais que atua diretamente com esse público.

Em 2013, o Comitê reformulou o Protocolo de Assistência ao Pré-Natal da Rede Básica de Saúde e ampliou o acesso aos exames diagnósticos. Atualmente, o acompanhamento da gestante também é multidisciplinar, realizado por médico, enfermeiro, nutricionista, dentista e fonoaudiólogo. A gestante também tem atendimento prioritário em todas as unidades de saúde.

O município conta ainda com o serviço de Pré-Natal de Alto Risco, localizado no Centro Integrado de Saúde da Mulher, onde são encaminhadas todas as gestantes que possuem alguma doença ou complicação em decorrência da gravidez.

No Centro Integrado de Saúde da Mulher, também funciona o Programa “Acalento”, um ambulatório de acompanhamento de crianças prematuras, ou portadoras de doenças congênitas. O “Acalento” realiza visita a todas as mulheres ainda na Maternidade do Hospital Municipal, realizando um trabalho especial no incentivo à amamentação e para garantir a assistência do recém-nascido também realiza o agendamento da 1ª consulta de puericultura na Unidade Básica.

Parcerias com outros setores como CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e Conselho Tutelar também fortalecem estas ações, auxiliam na busca ativa de gestantes que não aderem ao pré-natal, bem como no acompanhamento de crianças em situação de vulnerabilidade.

“O apoio da Prefeitura nos últimos dois anos para a ampliação de cargos na saúde e da oferta de exames e reformulação de programas, além da firme determinação em utilizar as informações do Comitê de Mortalidade como plano estratégico norteador das ações das secretarias foram fundamentais para melhora deste índice, que impacta diretamente na qualidade de vida da população”, ressalta a coordenadora do Comitê, Agueda Brizola Silva.

Outro trabalho que tem contribuído para a queda do índice de Mortalidade Infantil em Salto é o desempenhado pela “Estratégia Saúde da Família”, que muitas vezes acaba por encontrar mulheres que não seguem corretamente o Pré-Natal ou que não levam seus filhos até a unidade de saúde.

A agente comunitária de saúde, Natasha Aparecida da Silva explica que o Programa acompanha a gestante durante toda a gestação, sempre orientando sobre os cuidados que se deve ter e cobrado a presença nas consultas agendadas. “Nós criamos um vínculo muito bom tanto com a mãe quanto com o bebê. Após o nascimento, sempre verificando as carteiras de vacinação, hábitos alimentares e de higiene, além disso estamos atentos ao desenvolvimento da criança”, conta.

Dona Laodicéia Aparecida Padilha Cunha, mãe de Gabriele Aparecida da Cunha, 15 anos, que teve toda a gestação de seu filho João Marcelo acompanhada pela “Estratégia Saúde da Família” enfatiza que o atendimento prestado pelo Programa é completamente diferente do que teve na gestação de sua filha. “Minha filha foi muito bem acompanhada pela Estratégia. No início da gravidez ela teve complicações com descolamento de placenta e também foi acompanhada pelo Pré-Natal de Alto Risco até receber alta. Isso foi essencial para que meu neto nascesse sadio”, disse.

O Prefeito Juvenil Cirelli comemora o resultado. “Esse avanço reflete muito o que tenho dito desde o início de 2013, que temos feito investimentos estruturantes fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos saltenses”, observa. “Esse tipo de dado, como o da redução da mortalidade, reflete o que muitas vezes não é perceptível aos olhos da população, porque não se trata de nenhuma grande intervenção pública de visibilidade, mas de uma ação trabalhosa, do que se chama trabalho de ‘formiguinha’ e, diga-se de passagem, a nossa Secretaria da Saúde é composta de formigas muito aplicadas e dedicadas à população”, completa.

“O atendimento com médico pediatra está disponível em todas as unidades de saúde, o acesso é rápido, em algumas unidades temos o profissional de segunda à sexta feira, incentivamos inclusive que os pais levem a criança na UBS quando intercorrências ao invés de buscar o pronto socorro”, ressalta Agueda.

Até os dois anos de idade, todas as crianças devem realizar consulta mensal na unidade básica para acompanhamento do crescimento, desenvolvimento e situação nutricional, independente se está doente ou não, é o chamado acompanhamento de puericultura. Esse acompanhamento é de extrema importância também para a realização das vacinas que são fundamentais nessa fase da vida e importante medida também para prevenção de doenças.

Em Salto, “Estratégia Saúde da Família” já cadastrou 2.230 pessoas só no Jd. Saltense

Da Prefeitura de Salto

Meta é atingir 5577 pacientes em 34 ruas da região

“Estratégia Saúde da Família” já cadastrou mais de 2230 pessoas só no Jardim Saltense

Em menos de quatro meses de trabalho na Clínica de Saúde do Jardim Saltense, na Estância Turística de Salto, o Programa “Estratégia Saúde da Família” já cadastrou mais de 2230 pessoas de 813 famílias. A meta é atender 5577 pacientes de 1830 famílias residentes em 34 ruas do bairro até o mês de março.

Nessa unidade, há duas equipes da “Estratégia Saúde da Família” distinguidas pelas cores pink e azul claro, compostas por médico, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde. O cadastro feito de casa em casa é a primeira ação realizada pela equipe da “Estratégia Saúde da Família”, por meio dos agentes comunitários de saúde, e tem o objetivo de fazer um levantamento completo do histórico de saúde de todos os membros da família, além de relatar condições de moradia, hábitos alimentares, situações de vulnerabilidade e qualquer outro problema de saúde já existente.

Os casos levantados são apresentados ao médico e à equipe que agendam uma consulta com o paciente na unidade ou vão até a residência, conforme a necessidade apresentada. Os dados colhidos e todos os atendimentos realizados pelas equipes são registrados no sistema da Prefeitura (Giap), no CadWeb e no E-SUS do Governo Federal.

Para a enfermeira Camila de Souza Gonçales, que compõe a equipe azul claro, essa visita é de extrema importância para a promoção da saúde dos usuários da rede. “O fato de visitarmos periodicamente o paciente incentiva a melhoria de hábitos de higiene, por exemplo. Tivemos um caso na nossa região que, devido às nossas visitas, a família tem se empenhado muito mais na higiene da casa e da pessoa que necessita de cuidados especiais. E o reflexo dessa mudança é visível na saúde desse paciente”, conta Camila.

Dona Alzira Betencorte, moradora do Vila Norma, reforça a opinião da enfermeira. “Meus pais já tinham um bom atendimento através do ‘Melhor em Casa’, que vinha a cada três meses em casa. Agora, com a Estratégia, está ainda melhor pois são acompanhados mensalmente”, disse.

Em muitos casos em que o paciente está acamado ou com dificuldades de locomoção, os enfermeiros e os técnicos de enfermagem fazem a coleta de exames de sangue, urina e curativos diretamente na casa do paciente, além de prestar apoio nesses procedimentos diretamente na unidade.

O Programa também prevê grupos de apoio que variam de acordo com a necessidade de cada região. A princípio, no Jardim Saltense, com base no levantamento realizado foi formado um grupo sobre Hipertensão e Diabetes, com 10 participantes. Durante os encontros são dadas explicações sobre essas doenças, suas características, orientações sobre o uso da medicação, tipo de dieta indicada nesses casos, entre outros aspectos.

Além disso, em dois dias da semana, segunda e terça-feira, as duas médicas do Programa se revezam no atendimento para pacientes pré-agendados até às 20h. Uma nutricionista também está disponível para atendimento às quartas-feiras, a partir das 8h, para os pacientes indicados pelas equipes.

Desde sua implantação na cidade, em março de 2014, as equipes da “Estratégia Saúde da Família” já cadastraram aproximadamente 15 mil pessoas atendendo cerca de 5 mil famílias. Ao todo 12 equipes prestam atendimento nos bairros Jardim Saltense, Parque Bela Vista, Jardim São Gabriel, Salto de São José, Jardim das Nações e Jardim Santa Cruz, que foi o primeiro a receber o Programa.

Programa “Saúde da Escola”

Na região da Clínica de Saúde do Jardim Saltense também está sendo implantado o Programa “Saúde da Escola”, que atenderá 373 alunos da E.E (Escola Estadual) Iracema Pinheiro Franco, localizada ao lado da unidade de saúde.

Realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o Programa prevê, entre outras ações, a verificação de peso, altura e da carteira de vacinação de alunos matriculados em unidades abrangidas pela “Estratégia Saúde na Família”. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, se for constatada alguma alteração nas avaliações da criança, ela será encaminhada à UBS (Unidade Básica de Saúde) para acompanhamento médico.

Dentro do programa também estão previstas avaliações de saúde bucal, ocular, auditiva e a identificação de possíveis sinais de doenças como tuberculose e hanseníase. Há também ações para a promoção de segurança alimentar, alimentação saudável, saúde mental, direito sexual e reprodutivo, prevenção do uso de álcool e outras drogas, prática de atividades físicas e lazer, saúde ambiental e sustentabilidade, e prevenção de acidentes.

Equipes

A equipe azul claro, além da enfermeira Camila, também é composta pela Dra. Yenny Iglesia Ochoa, as técnicas em enfermagem Grace Taiane Alves Silvério da Silva, Isabel da Luz Andrade e os quatro agentes comunitários de saúde Welerson Willy Saraiva dos Santos, Benedita Zelia Alves, Celina Regina Betiol Spinardi e Izabel da Silva Oliveira.

Já a pink é formada pela Dra. Priscila Suemi Pereira Nakashima, a enfermeira Nídia Dalla Vecchia, as técnicas em enfermagem Miriam Soares Gomes e Isis Godinho, e os quatro agentes comunitário de Saúde Alaor Donizete Spinardi, Loruama França de Souza Faria, Zuleide Rodrigues Guedes e Lucia Pereira Lima Ferreira.

Para incriminar o PT, Lava Jato “desmonta” farsa do mensalão, mas repete erros

Da Rede Brasil Atual

Em um interrogatório à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef deixou escapar um depoimento que rechaça a tese de compra de votos. Resta saber se o Judiciário vai cometer novas injustiças

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual

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Entre os condenados na AP 470, o conhecido caso do mensalão, quem não tinha nenhuma prova contra si foi condenado por uma tese: a de que “teria havido” compra de votos no Congresso para votar com o governo.

No entanto, quanto mais se investigou essa tese, mais evidências foram encontradas de que não havia essa relação, já que os partidos apoiaram o governo à medida em que participaram dele com cargos nos vários escalões do poder.

Estudos das votações no Congresso mostraram derrotas ou vitórias do governo, descasadas dos pagamentos apontados e do dinheiro que circulou no caixa 2 do chamado valerioduto – o crime de caixa 2 foi realmente cometido e devidamente confessado, mas é bem diferente de compra de votos.

Mesmo assim, a maioria do STF condenou vários réus, a pretexto de um esquema de compra de votos, como se uma mentira repetida mil vezes no noticiário se tornasse verdade.

Pois não é que na Operação Lava Jato, quando menos se esperava, o doleiro Alberto Youssef deixou escapar um depoimento que rechaça a tese de compra de votos no mensalão?

O doleiro disse que o PP obstruiu por três meses em 2004 votações no Congresso, deixando o então presidente Lula “doido”. Tudo para obrigar a nomear Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras. Ressalte-se que não havia nada de ilícito em nomeá-lo naquela época. Costa era funcionário de carreira, tinha currículo para ocupar o cargo, sem nada sabido que pesasse contra ele até então.

Esse episódio é mais um a comprovar que o chamado mensalão foi caixa 2 de fato, como confessado pelos petistas, e não compra de votos no Congresso, pois a governabilidade se construía com participação dos partidos na estrutura de governo, como acontece no mundo todo, em qualquer democracia pluripartidária.

E agora quem vai corrigir a injustiça? Só as páginas da história, pois grande parte das penas já foi cumprida, inclusive com a ruína da vida dos condenados e danos maiores do que deveriam à imagem do Partido dos Trabalhadores.

Resta saber: o Judiciário vai repetir o erro e cometer novas injustiças?

A operação Lava Jato, mais uma vez, toma um rumo perigoso: em vez de concentrar-se nos fatos criminosos e priorizar o rastreamento do dinheiro sujo, começa a perseguir pessoas e buscar teses para criminalizar atos lícitos do partido político mais perseguido do Brasil.

Se o caminho do dinheiro de propinas, com provas, levasse a petistas, não haveria do que reclamar, mas não é isso que estamos vendo. O que vemos são os meses passarem e quanto mais se investiga o caminho do dinheiro, mais abre o leque de envolvidos, mas todos os ilícitos têm passado longe do PT.

Aí aparecem delações duvidosas, algumas orientadas por advogados de tucanos, algumas que até carecem de lógica, sem prova alguma nem ninguém que as confirme, tudo na base do “gogó”.

O ex-gerente da petroleira Pedro Barusco foi na mesma linha. Disse apenas que sabia existir uma suposta regra de pagar um percentual ao Partido dos Trabalhadores e divagou em meras deduções sobre terceiras pessoas e valores. Mas nega que tenha intermediado ou testemunhado pagamentos a petistas e afirma não saber como eram feitos.

Como curiosidade, o mesmo escritório de advocacia orientou os três ex-diretores que toparam a delação premiada para tentar diminuir suas próprias penas. Dessa forma, evitaram-se depoimentos contraditórios e “fogo amigo” de um depoente contra o outro. É uma clara desvantagem para o Ministério Público, pois é óbvio que poderia obter mais informações e captar contradições se ouvisse cada parte sem que elas soubessem o que outros envolvidos estavam dizendo.

A delação de Barusco, divulgada pela Justiça Federal do Paraná ontem (5), se deu nos dias 20 e 21 de novembro de 2014. Há mais de dois meses, portanto.

Se os investigadores achassem a delação suficientemente forte para envolver o secretário de Finanças do PT, João Vaccari Neto, mandado de busca em sua casa e intimação para depor deveriam ter sido feitas antes e não apenas no dia 5 de fevereiro. Quando se observa que houve tempo mais do que suficiente para intimá-lo a prestar depoimento, torna-se menos compreensível ainda a tal condução coercitiva para depor.

Mas há uma inconveniente coincidência com o calendário político: o fim do recesso parlamentar. A agenda da oposição desta semana foi instalar mais uma CPI da Petrobras, e o “espetáculo” da “condução coercitiva” do secretário de Finanças do PT no Jornal Nacional vem a calhar.

Que a oposição partidária e midiática faça isso, já era esperado. O que causa desconforto para lisura das investigações são as autoridades do Ministério Público, da Justiça Federal e da Polícia Federal, todas instituições que devem ser e devem parecer apartidárias, seguirem este calendário sob medida para interesses políticos dos partidos de oposição.

Detalhe: nestes dois meses, a força-tarefa de procuradores da República foi à Suíça seguir o caminho do dinheiro. Outras medidas investigativas no Brasil e no exterior devem ter sido tomadas, espera-se. Quanto mais investiga, mais a delação do boato de que haveria um percentual a título de propina para o PT vira lenda urbana, pois se encontrassem alguma coisa que não fosse blá-blá-blá contra petistas, com certeza o “espetáculo” nas manchetes seria bem mais sensacionalista do que uma mera condução coerciva e declarações duvidosas de delatores.

Como agravante, durante a delação, mesmo depois de dizer que não lidava e não tinha conhecimento de como se lidava com petistas, em pergunta induzida por um delegado da Polícia Federal, cujo nome não foi especificado no documento, Barusco disse que “pelo que ele recebeu, em torno de US$ 50 milhões, estima que o PT deveria ter recebido em torno de US$ 150 a US$ 200 milhões”. Traduzindo a resposta: ele não sabe de nenhum centavo, mas “chuta” este valor pelo que imagina.

Óbvio que “imaginar”, “chutar” não é delação. Mas foi providencial politicamente para a oposição gerar manchetes deturpadas como se fosse de fato delação.

Melhor fariam procuradores e policiais federais se se licenciassem de seus cargos para ir assessorar gabinetes de deputados e senadores do PSDB e do DEM.

Do contrário, deveriam priorizar rastrear o dinheiro sujo e os fatos criminosos para chegar à autoria, seja de quem for, com os devidos rigores que uma boa investigação exige. Perseguir primeiro pessoas para depois procurar uma tese para denunciá-las, com base em delações mequetrefes e apoio da mídia, não é fazer justiça, não é combater a impunidade, nem a verdadeira corrupção. É fazer, involuntariamente ou não, o jogo pelo poder nos bastidores do poder, passando ao largo dos princípios republicanos da impessoalidade e manipulando a opinião pública para não respeitar a vontade popular manifestada nas urnas.

 

Stédile: direita quer Alckmin 2018

Da Rede Brasil Atual

Stédile: direita quer Alckmin 2018 e prefere sangrar Dilma a impeachment

Líder do MST afirma que o poder econômico, ao exercer sua hegemonia na política e na economia do país, está degenerando a república e a democracia

por Paulo Donizetti de Souza, da RBA

 

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São Paulo – Os meios de comunicação formam um time organizado e vão empregar todas as suas armas para manter o governo da presidenta Dilma Rousseff no córner nos próximos anos. A observação é do economista João Pedro Stédile, uma das principais lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Eu não acredito em impeachment”, diz.

De acordo com o ativista, a direita brasileira pode até usar essa ferramenta como uma das armas para promover o desgaste do governo e do PT, mas prefere investir numa operação de “sangramento” de Dilma e do partido para eleger Geraldo Alckmin (PSDB) legitimamente em 2018. “Se conseguir elegê-lo com ampla maioria (como fizeram na eleição de São Paulo agora), e retomar o poder pelo voto, quem vai conseguir fazer oposição a ele depois? Nem ‘são Lula’”, argumentou Stédile, durante visita ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região nesta segunda-feira (9).

O governador de São Paulo parece saber disso. E não quer correr riscos. Nos últimos dias, segundo informações ventiladas a partir das redações dos principais veículos da imprensa corporativa, o tucano já teria iniciado corpo a corpo junto às direções dos jornais para se queixar do fato de seu governo ter sido alvo de noticiário negativo, diante do agravamento da crise hídrica no estado mais rico da federação. Não será de estranhar se a cobertura de Globo, Folha de S. PauloEstado de S. Paulo, voltar a adotar uma dosimetria mais parcimoniosa com o tucano, como no período pré-eleitoral do ano passado, quando a blindagem da imprensa sobre escândalos do governo paulista – dos contratos com empreiteiras à omissão na crise da água – contribuiu de maneira decisiva para a reeleição tranquila do governador.

Stédile considera que a fragilidade em que se encontra o governo federal facilita a ação orquestrada dos veículos e forças econômicas reunidas em torno do Instituto Millenium. Para ele, o Brasil vive problemas estruturais graves na economia, na política e na área social.

No campo econômico, tanto o setor produtivo como o financeiro se favorecem da elevada remuneração dos investidores em título públicos. Com a tese de que o governo não pode gastar para assegurar o superávit primário, associada a elevação dos juros, os capitalistas brasileiros não precisam fazer os investimentos de que o país precisa para continuar crescendo e criar novos empregos. “As aplicações financeiras lhes garantem a rentabilidade.”

No campo da política, a democracia, “degenerada” pela crise de representatividade, é uma “hipocrisia”. “Não temos uma república, em que os interesses e decisões da maioria da população estejam representados. O poder econômico domina as eleições, a burguesia controla o Legislativo, e também o Judiciário”, avalia. “E no campo social, por mais que tenhamos avançado nos últimos anos, ainda padecemos de graves problemas estruturais. Ótimo que em dez anos aumentou de 5% para 15% a presença da população jovem com acesso ao ensino superior. Mas e os outros 85%? Nossa universalização do ensino superior já bateu no teto, enquanto a Bolívia cria vagas para 67% dos jovens. A Coreia do Sul, para mais de 90%. Que país em guerra perde 40 mil jovens assassinados por ano, como nós?”, questiona.

Diante do que chama de “encruzilhada”, Stédile vê o governo Dilma diante de três alternativas a tomar: (1) emparedado no Congresso e na mídia, ceder demais nos ajustes liberais; (2) insistir no “neodesenvolvimentismo”, que marcou sobretudo o segundo mandato de Lula, e colocar o Estado para financiar o setor privado, para que este volte a investir – “tem de investir em política industrial, tirar o dinheiro do Estado que hoje vai para os bancos e emprestar para a indústria, mas botar o dinheiro dos bancos públicos nas indústria certa, e não concentrar no setor automotivo; ou (3) ir para a esquerda e jogar todo peso e capital político em reformas estruturais, compor forças com os movimentos sociais, com os partidos progressistas e se lançar aos debates com a sociedade para colocar na ordem do dia as reformas política e tributária e a democratização da mídia.

Até agora, porém, o governo parece estar tomando a opção um, segundo o ativista, para quem esse caminho seria um desastre capaz até de comprometer o projeto Lula 2018. “Esse modus operandi do governo tem a ver com um núcleo duro muito burocrático, formado por gente que não tem nada ver com o povo”, critica, referindo-se à equipe de conselheiros mais próximos da presidenta, citando nominalmente o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Stédile vê o poder de reação dos movimentos sociais a esse ambiente como incipiente e que, apesar de não haver ainda um nível de unidade que leve a uma reação organizada imediata dos trabalhadores, já há sinais de que essa unidade pode se fortalecer. “As centrais sindicais se posicionam contra os ajustes e há uma movimentação social se afunilando em defesa de uma reforma política séria, que mexa com o financiamento de campanhas, que entende que só uma Constituinte exclusiva pode mexer pra valer com as regras do jogo. O Lula se posicionando em defesa da Constituinte exclusiva é um grande reforço”, diz.

 

PIG não mostra toda a pesquisa…

Do Pragmatismo Político

Lula foi o melhor presidente da história, diz Datafolha

Levantamento do Datafolha aponta Lula como o melhor presidente do Brasil em todos os tempos.

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O Datafolha divulgou neste fim de semana uma pesquisa que apontou queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Fernando Haddad (PT). No mesmo levantamento, o instituto fez um questionamento que foi pouco explorado pelos veículos de comunicação. A pergunta foi objetiva: “qual foi o melhor presidente do Brasil em todos os tempos?”.

O ex-presidente Lula, diante da atual baixa de prestígio dos gestores brasileiros, foi considerado o melhor presidente da história do Brasil por 56% dos entrevistados. Fernando Henrique Cardoso apareceu em segundo lugar, com 13% das menções. Getúlio Vargas teve 6% e Dilma Rousseff 5% de aprovação. Sarney ficou com índice de 2% e Itamar Franco e Collor 1%.

Entre os que apontaram Lula como o melhor presidente que o Brasil já teve, 64% são jovens. Segundo a pesquisa, a aprovação de Lula é maior entre os mais pobres, com 61%. Na categoria por regiões, Nordeste e Norte apresentam índice elevado de aprovação a ele.

A preferência por Lula já vem desde o final de seu primeiro mandato. Desde 2006, o ex-presidente metalúrgico liderou todas as pesquisas sobre quem foi o melhor presidente da história brasileira.

Essa faceta da pesquisa Datafolha deixa claro que, apesar de amargar neste momento uma baixa na popularidade da presidente Dilma, o PT ainda detém a maior perspectiva de poder entre todas as legendas – exatamente com Lula como candidato a presidente em 2018.

Em seu discurso na festa de 35 anos do PT, o ex-presidente deixou claro que segue querendo comandar uma renovação do partido. Lula chamou seus partidários a enfrentarem acusações e adotarem a postura necessária para punir que se desviou da rota original da agremiação.