Moção de repúdio aprovada na Câmara Municipal de Salto

 

Considerando que em 10 de março de 1988, 27 médicos, com o esforço especialmente do Dr. José Carlos Servilha, se uniram em torno de um objetivo: fundar uma instituição que viesse melhorar a qualidade de atendimento médico na região de Salto e Itu. E é justamente isso que a Cooperativa Médica Unimed Salto/Itu promove desde então: saúde.

Considerando que diversas conquistas ao longo dessas duas décadas e meia garantiram à instituição uma posição de destaque entre as cooperativas Unimed de todo o país. Em pouco tempo, e com recursos próprios, a instituição efetivou importantes realizações, como a construção da unidade de pronto-atendimento de Itu, em 1992; a inauguração do pronto-atendimento de Salto do hospital, em 1995 – um dos primeiros hospitais Unimed no Brasil; a ampliação da Unilab, em 2002; a inauguração da Unimed Ativa, voltada à melhoria da qualidade de vida dos clientes, em 2003; a criação da Farmácia exclusiva dos clientes Unimed e do Centro de Diagnóstico, em 2007; a inauguração da Unidade Central de Itu, em 2010; entre muitas outras concretizações voltadas à ampliação e modernização dos serviços oferecidos que ocorreram nos últimos anos.

Considerando que a Unimed Salto/Itu cresceu muito. Na atualidade, são mais de 200 os médicos cooperados e em torno de 600 colaboradores, número considerável na geração de empregos. Porém, o mais importante é que a instituição atualmente leva atendimento de qualidade a cerca de 55 mil pessoas de toda a região. Número que representa mais de 20% da população entre as cidades de Salto e de Itu. Gente que tem à sua disposição não apenas uma ampla e moderna infra-estrutura hospitalar, mas que também tem acesso às múltiplas atividades voltadas à prevenção, à qualidade de vida e à responsabilidade social promovidas pela instituição, mas diante da crescente demanda se faz necessária a construção de um novo hospital para a UNIMED Salto/Itu.

Considerando que a nível nacional a UNIMED assume o CONPROMISSO de sempre zelar pela promoção da ética e as práticas anticorrupção, o crescimento econômico, o respeito e a promoção da preservação ambiental e da justiça social de forma sustentável.

Diante do exposto é com profunda tristeza que esta Casa de Leis apresenta este VOTO DE REPÚDIO para com a atual administração da UNIMED Salto/Itu, nas pessoas de seus diretores executivos sendo o diretor presidente dr. Armando Passafine, diretor vice-presidente dr. Márcio Roberto Lopes da Silva, diretor superintendente dr. Amilcar José Ribeiro Carvalho e os membros do conselho administrativo o dr. Adriano Rogério Navarro Dias, Dra. Denize Carbonieri de Oliveira, dr. Emerson Luiz Cury, dr. Flávio Francisco Vitale Filho, Dra. Nila Maria Nascimento e dr. Sérgio Carlos Pansani, pelo fato de contrariarem a belíssima história construída em nossa cidade pelos administradores que os antecederam mostrando assim um total descompromisso com toda a população saltense, no momento em que se negam discutir de forma ampla a saída do hospital UNIMED de Salto para Itu sem considerarem diversos pontos que inevitavelmente prejudicarão não só o município como também os médicos cooperados e a própria instituição (marca UNIMED),  passamos a elencar algumas:

1-     Há uma repercussão negativa sobre a população saltense em geral incluindo as empresas conveniadas que não são poucas pelo fato de não entenderem o motivo da mudança e há certo grau de indignação e ferimento de direitos adquiridos, além do que não há diálogo por parte da atual administração, que parece não levar em conta que a UNIMED é uma cooperativa, portanto, está no terceiro setor. Logo há que se entender que deve haver implícito o compromisso social. Assim é preciso que se discuta a função social da propriedade. E por enquanto a população de Itu não tem o menor conhecimento desses fatos, inclusive os que sabem e sem dúvida tirarão dividendos são alguns políticos da vizinha cidade, que usarão no momento oportuno;

 

2-     A mudança trará um impacto demográfico negativo para Salto, aja visto que todas as famílias conveniadas passarão a ter seus filhos nascidos em Itu. Isso poderá acarretar ao município prejuízo na avaliação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), podendo gerar ainda perda de recursos financeiros dos governos Estadual e Federal;

 

3-     A mudança também poderá trazer problemas na saúde pública local, aja visto que o PS (Pronto Socorro) terá que absorver grande parte da demanda que seria do Pronto Socorro da UNIMED, pois a acessibilidade dos usuários saltenses que salvo engano e a maioria, fica prejudicada;

 

4-     Falando de acessibilidade e mobilidade, a decisão demanda grandes obras em ambos os lados da Rodovia da Convenção, pois os usuários que necessitarem se dirigir ao PS de coletivo, em algum momento terá que realizar a travessia para retornar e como isso se dará sem passarela, alem do que até que horas haverá o coletivo circulando? Quem vai pagar por tais obras?;

 

5-     A UNIMED vai cobrar um valor mensal dos médicos cooperados para compra do terreno de aproximadamente 20.000 (Vinte mil metros quadrados) em Itu no valor de R$ 250,00 (Duzentos e Cinquenta Reais) o metro quadrado, totalizando um valor aproximado R$ 5.000.000,00 (Cinco milhões de reais), sendo que segundo relatos do prefeito Juvenil Cirelli em coletiva de impressa que faria o possível e o impossível para que o novo Hospital da UNIMED fosse construído em Salto, inclusive com a doação de um terreno de 15.000 m² (Quinze mil metros quadrados), onde os cooperados poderiam economizar um valor aproximado de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais), além de outros benefícios que poderiam ser discutidos. Vale lembrar que a questão da doação da área em Salto configura fato novo que poderia ser discutido em assembléia, pois conversando com alguns cooperados que pensam em se aposentarem não faz sentido tal investimento.

 

6-       A falta de compromisso com a cidade de Salto por parte da atual administração da UNIMED fica evidente, pois a figura do Prefeito e deste Legislativo, foram tratadas como “coisa menor”, já que a conversa começou em Itu e só depois chegou em Salto, inclusive fica a dúvida se e reunião realizada com o prefeito de Salto não foi apenas para cumprir mera formalidade, pois há quem diga que o terreno já havia sido comprado em Itu.

 

7-     Este VOTO DE REPÚDIO poderá se tornar uma MOÇÃO DE REPÚDIO, se esta Casa de Leis conseguir provar que na Assembléia ou qualquer outra reunião realizada pela atual administração da UNIMED Salto/Itu que deliberasse da construção do novo hospital, tenha existido a presença de alguma figura política da cidade de Itu que poderia ter influenciado para que a opção fosse Itu ao invés de Salto, maculando assim tal assembléia ou reunião.

 

Diante do exposto solicitamos a possibilidade de reabrirmos o diálogo.

Do deliberado de ciência as diretorias:

– da UNIMED Salto/Itu; diretor presidente dr. Armando Passafine, diretor vice-presidente dr. Márcio Roberto Lopes da Silva, diretor superintendente dr. Amilcar José Ribeiro Carvalho e os membros do conselho administrativo o dr. Adriano Rogério Navarro Dias, Dra. Denize Carbonieri de Oliveira, dr. Emerson Luiz Cury, dr. Flávio Francisco Vitale Filho, Dra. Nila Maria Nascimento e dr. Sérgio Carlos Pansani.

-da Fesp (Federação das Unimeds do Estado de São Paulo); Diretor Presidente – Dr. José Martiniano Grillo Neto,  Diretor Superintendente – Dr. Omar Abujamra Junior , Diretor Financeiro – Dr. Reinaldo Antonio Monteiro Barbosa, Diretor de Mercado – Dr. Antonio Luiz Chaguri, Diretor de Gestão Operacional – Dr. Elias Antonio Neto,  Diretor de Desenvolvimento Humano e Institucional – Dr. Marcos de Almeida Cunha

– da Central Nacional UNIMED; Mohamad Akl – Presidente, Humberto Jorge Isaac – Vice-presidente, Francisco Albeniz Bohrer Pilla – Diretor Administrativo e Financeiro, Luiz Paulo Tostes Coimbra – Diretor de Mercado, Marketing e Comunicação, Paulo Cesar Januzzi de Carvalho – Diretor de Atenção à Saúde e Intercâmbi

 

Autor: Vereador Willhes Gomes da Silva

Vereadores que votaram favoráveis ao Voto: Willhes, Lobinho, Lampião, Luzia, Cordeiro, Zezinho, Guina e

Garotinho;

Vereadores que votaram contra o Voto: Rosana, João Bispo, Eliano, Lafaiete, Preto, Edemilson e Natalino;

Vereadores ausentes: João Ramalho e Kiel.

 

Hamilton e a primeira reunião da Região Metropolitana de Sorocaba

 

Da Página do Hamilton Pereira

 

Na última quinta-feira, dia 19 de junho, fomos informados que os prefeitos e prefeitas das 26 cidades que formam a Região Metropolitana de Sorocaba estão sendo convidados para a 1ª reunião do Conselho de Desenvolvimento, a ser realizada na próxima segunda-feira, dia 30, às 10h, no Parque Tecnológico, em Sorocaba. A notícia foi recebida com muita alegria pelo nosso mandato, é um importante passo para que a Lei seja realmente colocada em prática e que se inicie o planejamento dessa importante região do Estado de São Paulo.

Na pauta a efetiva instalação do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, formado pelos prefeitos de todos os municípios; a eleição do presidente e vice-presidente; apresentação e deliberação sobre o Regimento Interno provisório; informe sobre a elaboração, pela Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), do Atlas Digital dos 26 municípios; e oficinas de Capacitação Técnica para agentes municipais e representantes da sociedade civil, objetivando a criação dos Conselhos Consultivos e Câmaras Temáticas.

Mas infelizmente nem tudo tem avançado. Em 8 de maio, data na qual o Governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve em Sorocaba sancionando a Lei Complementar nº 1.241, de 2014, que criou a RMS, ele anunciou que enviaria nos “próximos dias” à Assembleia o projeto criando a Agência e o Decreto instituindo o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano de Sorocaba, o que até hoje não ocorreu. Alckmin dizia ainda que as propostas já estariam aprovadas até julho deste ano.

Aguardamos ansiosos que na próxima segunda haja novidades concretas sobre a criação dessas ferramentas que consideramos importantíssimas numa região metropolitana. Aliás, elas são algumas das razões pelas quais lutamos para que Sorocaba e as cidades vizinhas não fossem transformadas em Aglomeração Urbana, como era proposto inicialmente pelo Governo do Estado, onde a Agência e o Fundo não existem por lei. Acreditamos que elas dão uma autonomia maior aos municípios, que não ficarão tão dependentes dos órgãos estaduais para a elaboração de projetos e busca de recursos.

Apesar dos percalços, reiteramos aqui a importância desse primeiro encontro dos prefeitos, que deverão iniciar a definição das prioridades da RMS, junto aos técnicos e a sociedade civil. Foi uma luta de nove anos para que fossemos reconhecidos como uma região que tem muito a oferecer e contribuir para o crescimento do Estado e do Brasil e que merece ser consolidada. Nosso papel, não apenas como deputado, mas como cidadão da metrópole de Sorocaba, é de continuar fiscalizando e colaborando para o desenvolvimento da região, com melhor qualidade de vida para todos nós!

 

As duas caras de Aécio

 

Do VioMundo

por Antonio de Souza, especial para o Viomundo

O senador Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República, é um camaleão em busca de votos.

Sem convicções realmente democráticas, ele apela apenas ao “marketing político”.

Nos últimos meses, foi possível flagrarmos alguns exemplos desse comportamento.

O mais escrachado foi em decorrência dos xingamentos à presidenta Dilma pelos VIPs do camarote do Itaú na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, em São Paulo.

Aécio disse: os xingamentos foram a resposta à “arrogância” da presidenta.

Maciçamente a sociedade rechaçou os xingamentos. Foram um tiro no pé da elite brasileiros e de setores reacionários da mídia brasileira.

Aécio, então, provavelmente orientado por seus marqueteiros, repentinamente voltou atrás. Afirmou que críticas não devem “ultrapassar limites do respeito”.

Esse ziguezague mostra bem os dois Aécios: o que caminha junto com a direita brasileira e internacional aquele que, ao perceber o custo político-eleitoral da estratégia, recua.

Isso ficou bem claro anteriormente quando, em encontro com empresários, Aécio disse a Mônica Bérgamo, da Folha de  S. Paulo“estou preparado para [implementar] decisões impopulares”.

Nessa mesmo matéria, Aécio e seu guru econômico, o ex-presidente do Banco Central de FHC, Armínio Fraga, foram muito claros sobre a necessidade de implantar medidas contra a população.

Diante dos ataques de seus adversários, Aécio voltar atrás. Mas de mentira.

Em entrevista recente ao EstadãoArmínio Fraga, que é o coordenador do programa econômico de Aécio,  diz que deve ser revista a política para o salário mínimo, reduzindo os seus aumentos, que provocará menor consumo e terá impactos no crescimento do PIB brasileiro.

Armínio Fraga defende também criar um teto para o gasto público e, assim, aumentar o superávit primário e cortar gastos, muito provavelmente nas áreas sociais, como fez no governo Fernando Henrique Cardoso. Além disto, pensa em diminuir o papel dos bancos públicos, reduzindo o crédito e levando o país à recessão.

O fato simbólico de Aécio ter entrado de mãos dadas com FHC na convenção tucana sinaliza bem como será o seu eventual governo: uma continuidade das políticas neoliberais que quase arruinaram o Brasil nos anos 90.

O governo FHC, para quem não se lembra, aumentou brutalmente a carga tributária, não gastou nas áreas sociais, ampliou o desemprego e quebrou três vezes o Brasil.

Portanto, muito diferente do que se vê hoje, em que mesmo enfrentando o sexto ano da maior crise internacional, o Brasil ainda se aproxima do pleno emprego e gera milhões de empregos.

Nesse sentido, que declarações de Aécio que valem?

As primeiras manifestações, claro, e não os recuos, para inglês ver.

Elas expressam com clareza a linha ideológica neoliberal e a prática política do governo FHC, que concorda em transformar a política e as eleições em partida de futebol e aprofundar o clima de ódio que vê nas redes sociais.

É terrível um candidato à presidência achar normal a agressão de baixo calão à sua adversária e sinalizar que nas eleições teremos um vale tudo.

Esta tragédia é reforçada com a nova declaração de Aécio que sinaliza para os partidos da base aliada“sugarem tudo” [de Dilma] e depois passarem a apoiá-lo.

Esta frase mostra que Aécio, sempre querendo parecer como paladino da moralidade, aprova as ações suspeitas e aceita a possível imoralidade com recursos públicos.

Ainda tem dúvida sobre a cara que vai ter um eventual governo Aécio?

Globo: a grande derrotada da Copa

 

Da Rede Brasil Atual

Era para ser uma janela de oportunidades para as empresas de mídia, mas a visão estreita e o partidarismo que assumiram se voltaram contra elas mesmas

por Helena Sthephanowitz

 

A Copa do Mundo de Futebol no Brasil deveria ter sido vista como uma oportunidade rara para as empresas de mídia fazerem bons negócios. Poderiam aproveitar a visibilidade e o interesse no Brasil pelo evento esportivo de maior popularidade do planeta para vender ao mundo reportagens, documentários sobre cada região no entorno das cidades-sede e ampliar os canais de exportação para produtos jornalísticos e obras audiovisuais.

Mas estas empresas, quase todas “filhotes da ditadura”, perderam esta oportunidade histórica por visão pequena, provinciana, e pelo vício de tratar seu próprio negócio como se fosse um partido político, daqueles obrigados a contestar qualquer ação de um governo o qual querem derrubar nas urnas ou sabe-se lá como.

Até o início do Mundial, as tevês, jornalões, revistas e portais alinhados ao pensamento demotucano detonavam a Copa no Brasil. Óbvio que essa corrente de pensamento do contra influiu na imprensa estrangeira. Mesmo empresas de comunicação que tenham correspondentes no Brasil acabam contaminadas pelo que ouvem e veem nas telas de TV, nas capas de revistas e nas páginas dos jornais de maior circulação.

Com a chegada da Copa, cerca de 19 mil profissionais de mídia de diversos países do mundo desembarcaram no Brasil. Por si só, esse número já mostra o fracasso da imprensa tradicional brasileira. Quase ninguém quis comprar suas reportagens e matérias por falta de confiança na narrativa. Todos quiseram ver com seus próprios olhos, fazendo suas próprias reportagens, tanto esportivas como sobre outros acontecimentos.

E o aconteceu é que essa multidão de jornalistas estrangeiros passou a produzir matérias de todos os tipos com uma visão positiva, sem deixarem de ser realistas, sobre o Brasil – e suas narrativas foram muito diferentes do que havia sido propagado até antes da Copa.

As minorais barulhentas, que protestavam com quebra-quebras localizados e ganhavam grande destaque na pauta do principal telejornal brasileiro, passaram a ser retratadas com sua verdadeira dimensão no exterior: sem serem desprezadas, mereceram notas na imprensa internacional proporcionais à sua relevância.

E a maioria do povo brasileiro, até então silencioso, explodiu em festa com a chegada da Copa.

Pois bem. Na quinta-feira (27), o Jornal Nacional da TV Globo fez uma longa matéria mea culpa, mas disfarçada, com o título “Clima festivo e sucesso da Copa conquistam manchetes internacionais”.

O apresentador William Bonner abriu dizendo “Durante meses, os atrasos e os problemas de organização da Copa do Mundo foram assunto de muitas reportagens no Brasil e no exterior. Existia no ar uma preocupação generalizada com as consequências dos atrasos, das obras não concluídas. E os jornais estrangeiros eram especialmente ácidos nas críticas. Mas o fato é que, aos poucos, desde o início desse Mundial, isso tem mudado.” Em seguida, citou algumas reportagens de revistas e jornais europeus e estadunidenses, comparando o conteúdo antes da Copa, que era negativo, e agora, francamente positivo.

O que o telejornal fez foi jogar no colo da imprensa estrangeira o que a própria TV Globo, junto com revistas como Veja e Época, e jornais como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo propagaram incessantemente e que acabou repercutindo no exterior.

É a inversão das coisas. É como dizer: “Caros e ingênuos telespectadores, nada do que nós falamos durante meses sobre um suposto fracasso da Copa era verdade, como vocês estão percebendo, mas ‘existia no ar uma preocupação generalizada’ de que o seria, respaldada na imprensa estrangeira.”

Como se vê, o ‘tucanismo’ da  Globo está levando-a à decadência.

Avanço brasileiro boicotado pela FIFA

 

Do VioMundo

 

por Conceição Lemes

No último sábado 14, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou junto com presidenta Dilma Rousseff da plenária PT de Pernambuco, em Recife.

Em seu discurso, Lula, visivelmente indignado, lamentou que os organizadores da Copa do Mundo não tenham valorizado o chute inaugural do evento dado pelo jovem paraplégico Juliano Pinto, “vestindo” uma roupa robótica (exoesqueleto).

Após salientar  ”essa coisa fantástica” que o professor Miguel Nicolelis, líder do Projeto Andar de Novo, conseguiu fazer, Lula, dirigindo-se à  presidenta, foi contundente:

Essa coisa, Dilma, era para ser feita no centro do estádio, antes do pontapé do jogo. Eu até imaginava você entrando com o companheiro doente para dar o pontapé. Porque era para mostrar que o Brasil não é um país de segunda categoria. Este país grande e poderoso.

Pois bem, eu falei com o Nicolelis agora por telefone, Dilma. A imagem não foi liberada pela Fifa ainda. E só permitiram filmar 29 segundos. Se fosse uma Copa na Alemanha ou uma Copa na França, isso teria tido mais destaque que o próprio jogo de futebol, porque era para enaltecer o país.

Mas, aqui no Brasil, a gente que tem um cientista que pode estar preparado para ganhar o Prêmio Nobel de Ciência, fez uma coisa extraordinária que é um tetraplégico [na realidade, paraplégico] poder se movimentar com um robô e quase que não foi mostrado.

E não foi mostrado para o mundo.  Foi mostrado só aqui no Brasil, Dilma, numa demonstração que o complexo de vira-lata ainda domina em muitos setores desse país.

Lula tem razão.

Aliás, se dependesse da Fifa, o chute do Juliano, usando a roupa robótica, não teria acontecido.

A Fifa colocou percalços e mais percalços. Exigiu até exibição exclusiva no Itaquerão no dia 3 de junho, uma semana antes do evento.

Tanto que, após longa batalha, só concedeu 29 segundos para Nicolelis e sua equipe fazerem a demonstração.

Nem a exibição exclusiva e bem-sucedida para os membros da Fifa e do comitê organizador local – entre os quais Jerome Valcke e Joana Havelange – fez com que aumentassem o tempo da apresentação ou a trouxessem para um local de maior visibilidade no campo, dando o protagonismo que a façanha merece.

Será que baixou a ciumeira nos membros da Fifa e do comitê organizador local, que ficaram com medo que o chute do esqueleto-robô tirasse o brilho daquela  abertura chinfrim?  Qualquer carnavalesco de escola de samba do Rio de Janeiro do grupo especial teria dado de 1.000 a zero na cerimônia.

Ou será que, por motivos ainda não conhecidos, quiseram tirar o protagonismo do Brasil neste avanço da ciência?

Ou, então, por razões políticas, preferiram não prestigiar o feito de Nicolelis, um eleitor de Dilma, Lula e do PT?

Por que  aquele manjado globo/palco de cerca de 300 quilos pôde ficar no centro do gramado sem “estragá-lo” e o exoesqueleto/paciente, pesando 130 quilos,  não podia?

O fato é que, dos 29 segundos acordados com a Fifa e o comitê organizador local, apenas 8 segundos foram exibidos na transmissão feita pela Globo, a emissora oficial da Copa.

Decisão da Globo?

Qual o papel da Fifa nisso?

Incompetência ou má fé?

Teria aí  o dedo de alguém influente do comitê organizador local?

Imediatamente os adversários de Nicolelis interpretaram o êxito como fracasso.

E o que é mais cruel e desumano: “festejaram” o fracasso que não houve, demonstrando desonestidade intelectual e pequenez absoluta.

O ódio deles é tamanho – no Brasil, são apoiadores do “ei, Dilma, VTNC” – que a perspectiva de essa tecnologia ser a esperança de, no futuro, um paraplégico poder andar de novo é o que menos importa.

Politizaram a ciência, ignorando que todas as iniciativas científicas para tentar devolver movimentos ao corpo humano merecem respeito. Afinal, visam ao bem da humanidade.

Nos próximos meses, os resultados da primeira etapa do Projeto Andar de Novo serão publicados em revistas científicas.

Enquanto isso não acontece, sugiro que leiam o artigo que o insuspeito cientista Francis Collins, diretor do National Institutes of Health (NIH), dos EUA, publicou no dia da abertura da Copa.

Está no Blog do Diretor do NIH. Collins tem nas mãos um orçamento de US$ 38 bilhões. É o maior gestor de ciência biomédica do planeta.

Pesquisa de Neurociências dá chute inicial da Copa do Mundo

Postado em 12 junho de 2014 pelo Dr. Francis Collins, no Blog do Diretor do NIH

Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo pode ver hoje pela primeira vez em ação a pesquisa de vanguarda em neurociência, quando um jovem paraplégico, vestindo um exoesqueleto robótico controlado pelo pensamento, chutou uma bola para o lançamento do Copa Mundial Fifa 2014, na cerimônia de abertura em São Paulo – Brasil.

Ainda que falte muito trabalho para que este ou dispositivos semelhantes se tornem  amplamente disponíveis para pessoas com paralisia, o momento de hoje fornece uma visão inspiradora de apenas uma das muitas coisas que podem ser alcançadas quando a ciência recebe suporte financeiro a  longo prazo.

De fato, o debut dramático deste exoesqueleto robótico está fundamentado em mais de 20 anos de estudos científicos, incluindo pesquisa básica apoiada pelo NIH e pesquisa clínica financiada pelo governo brasileiro.

O líder da equipe, Miguel Nicolelis, o brasileiro que co-dirige o Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke, em Durham, Carolina do Norte, vem trabalhando na interface cérebro-máquina em vários modelos animais há décadas [1].

Em um experimento pioneiro que envolve um macaco equipado com sensores cerebrais que enviaram comandos em tempo real associados com movimentos da perna, Nicolelis mostrou que o animal poderia estimular um robô controlado por computador localizado a milhares de quilômetros de distância a andar, simplesmente pensando em andar [2].

Agora, Nicolelis mostrou que uma façanha similar é possível com seres humanos, usando um sistema de exoesqueleto robótico construído em conjunto com colegas alemães que fazem parte da organização sem fins lucrativos, o Projeto Andar de Novo.

A pessoa paralisada usa um boné especial que contém eletrodos que leem as suas ondas cerebrais.

Para mover o exoesqueleto de plástico e alumínio, a pessoa precisa imaginar que está fazendo realmente cada fase de seus movimentos desejados. Por exemplo, “começar a andar”, “vire à direita”, “chutar a bola”, “sentar-se”, e assim por diante.

Esses sinais cerebrais são enviados a um computador – fica dentro de uma mochila usada pela pessoa –, onde são convertidos para comandos que controlam o exoesqueleto.

Para ajudar os usuários a manter o equilíbrio, o exoesqueleto é equipado com giroscópios internos de estabilização.

Além disso, para ajustar os seus movimentos, o exoesqueleto apresenta sensores de “pele artificial” em seus pés que captam várias sensações que são transmitidas como vibrações para os braços da pessoa.

Isso cria um ciclo de feedback que as pessoas com paraplegia relatam que a fazem sentir como se estivessem andando, ao invés de serem movidas por uma máquina.

(Nota: Embora as pessoas com paraplegia não possam mover as pernas, elas podem mover os seus braços. Tetraplégicos sofrem de lesões ainda maiores na medula espinhal, e não têm a capacidade de mover os braços e as pernas).

No sistema de interface cérebro-máquina usado na cerimônia de Copa do Mundo, a mochila contém equipamentos hidráulicos com baterias suficientes para abastecer o exoesqueleto durante um par de horas. Ao computador, acrescenta-se um equipamento colossal de 60 libras (aproximadamente 30 kg). Mas isso não é tão ruim quanto parece, porque o peso é suportado pela estrutura do exoesqueleto, e não pela pessoa que o usa.

Este desenvolvimento dramático deve servir de encorajamento para as pessoas que vivem com paralisia, estimadas em 6 milhões só nos Estados Unidos.

Ainda assim, temos de ser realistas em nossas expectativas. Tão convincente quanto a demonstração de hoje possa ter sido, ela foi apenas uma prova de conceito.

Os exoesqueletos robóticos estão nos primeiros estágios de desenvolvimento. Os cientistas precisam aperfeiçoar seus projetos e testá-los em mais pessoas, e eles precisam analisar e publicar a enorme quantidade de dados que eles já se reuniram.

Eu me encontrei com Nicolelis e sua equipe e visitei o laboratório de Projeto Andar de Novo em São Paulo há apenas duas semanas.

Eu assisti dois paraplégicos em fase final de treinamento para o grande dia. A atmosfera (e a tecnologia) foi eletrizante!

Nicolelis, vencedor do prêmio NIH Director’s Pioneer de 2010, referiu-se ao pontapé inicial da Copa do Mundo como seu “moonshot” (vôo à lua).

Nós dois, porém, concordamos que para os futuros avanços da investigação nesta área será necessário um entendimento ainda mais rico de como os circuitos no cérebro realizam a sua notável variedade de atividades sofisticadas.

E, desde a semana passada, nós temos um novo modelo para esse esforço — um Grupo de Trabalho distinto do meu Comitê Assessor entregou um ousado e inspirador plano de dez anos para o componente do NIH da Iniciativa BRAIN (Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies – Pesquisa no Cérebro através do Avanço de Neurotecnologias Inovadoras).

Eu vou ter mais a dizer sobre isso em futuros posts, mas você pode dar já agora dar uma olhada no relatório.

Referências:

[1] Learning to control a brain-machine interface for reaching and grasping by primates. Carmena JM, Lebedev MA, Crist RE, O’Doherty JE, Santucci DM, Dimitrov DF, Patil PG, Henriquez CS, Nicolelis MA. PLoS Biol. 2003 Nov;1(2):E42. Epub 2003 Oct 13.

[2] Mind Control Monkey Moves Robot in Japan. (YouTube video)

A propósito. Artigo de Nicolelis e equipe é capa da Nature Method do mês de junho — Gravações sem fio da atividade cerebral em em macacos — Wireless brain recordings in monkeys –– .

[A produção de conteúdo exclusivo do Viomundo depende do financiamento dos leitores. Torne-se um assinante!]