PIB aumenta 2,3% em 2013

 

Da Rede Brasil Atual aqui e aqui

São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2013, segundo informou hoje (27) o IBGE, atingindo R$ 4,84 trilhões. O resultado supera 2012 (1%) e fica abaixo do primeiro ano do governo Dilma (2,7%). A média da atual gestão fica em 2%, aquém da era Lula (4%) e próxima dos anos FHC (2,3%).

O PIB anual teve crescimento, principalmente, da agropecuária (7%). Serviços e indústria tiveram alta de 2% e 1,3%, respectivamente. O PIB per capita cresceu 1,4% no ano, para R$ 24.065.

A formação bruta de capital fixo (FBCF), um indicador de investimentos, cresceu 6,3%, “puxado pelo aumento da produção interna de máquinas e equipamentos”, diz o IBGE. A despesas de consumo das famílias subiu 2,3%, no décimo ano seguido de expansão, e somou R$ 3,022 trilhões. “Tal comportamento foi favorecido pela elevação da massa salarial e pelo acréscimo do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas”, analisa o instituto. Já  a despesa da administração pública aumentou 1,9%.

Outro indicador considerado importante, a taxa de investimento correspondeu a 18,4% do PIB, pouco acima de 2012 (18,2%). E a taxa de poupança passou de 14,6% para 13,9%.

Na agropecuária, o crescimento deve-se ao “comportamento de várias culturas importantes da lavoura que registraram aumento na estimativa anual de produção e ganhos de produtividade”. Os destaques foram soja (24,3%), cana-de-açúcar (10%), milho (13%) e trigo (30,4%).

Na indústria, o IBGE ressalta a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (2,9%), “puxado pelo consumo residencial de energia elétrica”. Tanto a construção civil como a indústria de transformação tiveram alta de 1,9%, enquanto o segmento extrativo-mineral caiu 2,8%, “influenciado pela queda na extração de minérios”.

Em serviços, todas as atividades registraram expansão: informação (5,3%), transporte, armazenagem e correio (2,9%), comércio (2,5%), serviços imobiliários e aluguel (2,3%), administração, saúde e educação pública (2,1%), intermediação financeira e seguros (1,7%) e outros serviços (0,6%).

No setor externo, as exportações aumentaram 2,5% e as importações, 8,4%. Nas vendas ao mercado internacional, o IBGE destaca produtos agropecuários, outros equipamentos de transporte, veículos automotores e refino de açúcar. Nas importações, os destaques foram indústria petroleira, serviços de alojamento e alimentação, máquinas e equipamentos, óleo diesel e peças para veículos automotores.

No quarto trimestre de 2013, o PIB cresceu 0,7% em relação ao terceiro e 1,9% na comparação com igual período de 2012. Também em relação ao último trimestre do ano anterior, a agropecuária aumentou 2,4%, a indústria subiu 1,5% e os serviços, 1,8%. O consumo das famílias teve expansão de 1,9%, enquanto a FBCF cresceu 5,5%.

 

 POR ENQUANTO SÓ PERDE PARA CHINA E CORÉIA

São Paulo – De uma lista selecionada pelo IBGE de 13 países que já divulgaram os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, além da zona do euro, o Brasil perde apenas para a China e a Coreia do Sul. Mas se mostra abaixo da projeção de 3% para a média mundial, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2013, resultado melhor do que o ano anterior (1%) e abaixo de 2011 (2,7%). No ano passado, a economia chinesa, sempre um caso à parte, teve expansão de 7,7%, enquanto a sul-coreana subiu 2,8%.

O resultado deixa o Brasil acima de economias desenvolvidas como Estados Unidos (1,9%), Alemanha (0,4%), França (0,3%), Japão (1,6%) e Reino Unido (1,9%). Entre os parceiros dos Brics, o país também supera a África do Sul (1,9%). O IBGE informa que Rússia e Índia ainda não divulgaram os seus resultados.

Outros resultados mostram queda de 1,2% na Espanha, de 1,9% na Itália e de 0,4% na zona do euro. Na América Latina, a economia cresceu 1,1%.

 

Piva e os critérios do UOL para liberar comentários sobre a Venezuela

 

Do Blog do Rovai

Texto publicado no Facebook pelo meu amigo Marco Antônio Piva. Vale a leitura. E valeria também muito a pena que o UOL explicasse seus critérios. 

 

A enviada especial da Folha a Caracas, Sylvia Colombo, denuncia um possível bloqueio de acesso às redes sociais promovido pelo governo venezuelano (“Governo venezuelano bloqueia acesso a redes sociais”, 24/02/14). O governo nega. Mas, em nenhum momento, cita uma parte importante dessa “guerra digital”: o uso de falsificações grosseiras de imagens de repressão a manifestações ocorridas em outros países e que são atribuídas às forças policiais do governo de Nicolás Maduro. Para contribuir com a formação de uma opinião mais isenta e imparcial, essa informação garantiria um “outro lado” da história, sem prejuízo da chamada principal. Decidi levar o assunto na seção “comente a reportagem”.

Para minha surpresa, apareceu a seguinte mensagem: “O seu comentário não pode ser publicado automaticamente. Há palavras no seu texto indicando que uma moderação prévia será necessária. Caso queira publicar seu texto assim mesmo, clique em Confirmar. Caso queira editar o seu texto novamente, clique em Cancelar.”
Mais adiante, o UOL indica alguns critérios importantes para a publicação de comentários e com os quais estou plenamente de acordo:
Respeite os demais leitores e não publique conteúdo ofensivo:

– Evite o uso de expressões com todas as letras maiúsculas;
– Mensagens que desrespeitem as regras estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação;

Meu comentário foi considerado suspeito e precisa de moderação prévia. Vamos a ele: “Ativistas da oposição venezuelana tem postado mensagens com evidentes manipulações de fotos de repressão e crueldade ocorridas em outros países, inclusive no Brasil. As imagens, todas elas chocantes, são atribuídas ao governo de Nicolás Maduro. Na matéria da enviada especial da Folha, nenhuma menção a esse fato, o que é uma pena porque revelaria um “outro lado” do uso das redes sociais nesses dias de turbulência política naquele país. Se quiserem, posso enviar alguns exemplos”.
Agora, a título de comparação, leiam alguns comentários publicados no mesmo espaço e tirem sua própria conclusão sobre o conceito de liberdade de imprensa existente no Brasil:

Rcasa (1321) ontem às 09h23
Típico de desgovernos autoritários/truculentos/antidemocráticos!!!! Ele é aliadíssimo do desgoverno federal do PTruculento.

Spina (1350) ontem às 09h13
Os ditadores temem as rede sociais porque os cidadãos se manifestam livremente. O Nicolás está apodrecendo e logo cai, é questão de horas.

borges (2777) ontem às 09h06
A Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fecharam contratos sem licitação de R$ 200 mil e R$ 350 mil, respectivamente, com entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra para evento realizado no 6.º Congresso Nacional do MST. O evento, há duas semanas, terminou em conflito com a Polícia Militar na Praça dos Três Poderes que deixou 32 feridos, sendo 30 policiais. Houve, ainda, uma tentativa de invasão do Supremo Tribunal Federal.

pettirosso (15) ontem às 08h38
Agora o sanguinário já está “Maduroescendo”. Pegou o gosto pelo sangue!

Jader Matias (6587) ontem às 08h19
Tente indicar uma única coisa boa e gratuita que veio de algum país comunista! Não existe, não há. O que há é tecnologia para tentar impedir as coisas boas que vem dos EUA, Israel, Reino Unido… O que há é tecnologia para ganhar eleições sempre mesmo quando 80% da população é contra… Nisso são especialistas!

carvalho ontem às 07h55
Uma verdadeira vergonha na america latrina, na fila acompanha o equador, brasil e argentina

DETESTO CORRUPÇÃO (1880) ontem às 06h20
venezuela, o BRASIL DE AMANHÃ. ANARQUIA, ÓDIO, CORRUPÇÃO, IMPOSIÇÃO, MENTIRAS, DESVIOS DE DINHEIRO PUBLICO PARA OUTROS PAISES. venezuela. É A CARA DO BRASIL —logo, logo. Que DEUS nos prote.

Não ficaria surpreso deste pessoal propor fazer fazer algo parecido aqui…

 

“Maioria Conjuntural”

 

Do Blog da Cidadania

Não poderia haver prova maior da hipocrisia surreal que se estabeleceu neste país a partir do julgamento da Ação Penal 470 (vulgo mensalão) do que a reação da mídia e de parte dos ministros do STF ao perderem a última etapa de um jogo que ganharam de lavada em 2012 ao conseguirem condenar a penas duríssimas os condenados pelo julgamento daquela ação.

Ironicamente, pouco antes de o Supremo votar os embargos infringentes interpostos pelos condenados ao fim da primeira etapa do julgamento em tela, os jornais antipetistas exaltaram a conduta do delator do mensalão, Roberto Jefferson, ao proclamar que aceitaria a pena que lhe fora imposta, à diferença do que fizeram os condenados petistas, o próprio PT e seus simpatizantes, que teimam em repelir aquele juízo.

Uma apresentadora de telejornal chegou a propor a concessão de uma “medalha de honra ao mérito” ao delator, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Para que não reste dúvida, vai o link para a locução estarrecedora de alguém que vem dando sucessivos shows de irracionalidade ao vivo, à cores e em uma concessão pública.

A farta apologia à submissão incondicional às decisões da Justiça, assim, vai se mostrando a farsa que sempre foi.

Na Folha de São Paulo de 27 de fevereiro, por exemplo, manchete principal de primeira página tratou de pressionar os ministros que ainda não tinham votado pela rejeição do crime de formação de quadrilha ao praticamente criminalizar a decisão do ministro Luis Roberto Barroso, que rejeitou o crime de quadrilha a 8 réus do mensalão.

Uma colunista desse jornal chegou a qualificar a revisão do STF sobre sua decisão de apenar os condenados do mensalão por formação de quadrilha como “Cena própria de Santos versus São Paulo”.

Na sessão do Supremo transmitida para todo o país pela televisão no mesmo 27 de fevereiro foi a vez da minoria de juízes que manteve a condenação por quadrilha de se pronunciar, haja vista que, no dia anterior (26), à exceção do ministro Luiz Fux, fora a vez da maioria que absolveria aqueles réus.

Os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Joaquim Barbosa excederam Fux, que manteve sua decisão de 2012, e passaram a acusar veladamente os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki e Rosa Weber.

Aliás, Barbosa acusou Barroso, explicitamente, de ter chegado ao Supremo Tribunal Federal com a missão de votar como votou, sugerindo que seguia ordens da presidente Dilma Rousseff, que o nomeou…

Mendes, os dois Mellos e Barbosa aludiram a uma “maioria conjuntural” que absolveu os réus, insinuando que, caso a constituição do STF fosse outra, tais réus teriam sido condenados.

A pergunta que não quer calar, pois, é a seguinte: a reviravolta no STF não prova que quem condenou os réus em 2012 a quadrilha e a outros crimes também integrou uma mera “maioria conjuntural”?

Em que a “maioria conjuntural” de hoje é menos legítima do que a de ontem? Maiorias só são legítimas quando votam como querem esses ministros ora derrotados e a mídia à qual tanto agradaram no ano retrasado?

A verdade dos fatos é uma só: os ministros do STF têm preferências políticas. A maioria que votou agora tem uma posição política e ideológica diferente da maioria que votou em 2012. Se o ex-presidente Lula e a presidente Dilma tivessem sido mais criteriosos ao escolher alguns ministros que escolheram e se um ex-presidente não tivesse colocado um correligionário naquela Corte antes de entregar o poder ao PT as condenações de políticos petistas poderia nunca ter existido.

A condição de Corte politizada que tem o STF, pois, fica evidenciada na decisão de quarta (26) para quinta-feira (27). É o que deve ser entendido. Muitos não gostaram da decisão dessa Corte em 2012, tantos outros tampouco gostaram da decisão inversa de agora. Que todos reflitam, pois, sobre a fórmula para escolher ministros do Supremo.

José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha foram condenados politicamente por uma maioria conjuntural e, por conta do viés político daquela condenação, alguns dos que poderiam não ter sido condenados acabaram sendo, pois suas condenações serviram a propósitos políticos.

Esses são os fatos.

É fato, também, que a posição política dos ministros que chegaram ao STF só no ano passado reverteu as condenações de quadrilha e, como temem (com toda a razão) os ministros ora derrotados, com isso desmoralizou a decisão anterior favorável àquelas condenações.

Eis por que a irritação – e até mesmo o descontrole emocional – que atingiu Gilmar Mendes, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa, ainda que Luiz Fux tenha se preservado ao não dar chilique.

Resta dizer que quando se alude a posições políticas dos ministros não vai aí nenhum juízo demeritório contra eles. Nesta tese, aceita-se posicionamento político como decorrência do processo de escolha de ministros do STF, ou seja, através de decisões de políticos – do presidente da República e do Senado.

O que sobra, portanto, é a hipocrisia, o oportunismo, a literal falta de vergonha na cara dos que, há poucos dias, pregavam que decisões do STF tinham que ser aceitas incondicionalmente inclusive pelos condenados do mensalão, mas que, quando aquela Corte os contraria, jogam tal premissa no lixo e se entregam ao bom e velho jus sperneandi.

Ao menos disfarcem a incoerência, senhores.

Não vamos nos esquecer do Haiti, por Luiz Inácio Lula da Silva

 

Em 2014, completam-se dez anos de presença da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti e quatro anos do terremoto que devastou e agravou a frágil situação deste que é o país mais pobre da América Latina.

Grandes crises institucionais e catástrofes naturais levam países às manchetes em todo o mundo e despertam durante algum tempo a atenção da imprensa internacional e dos governantes. Mas depois, sobretudo se o país vitimado é pobre e periférico, sem peso no jogo geopolítico global, os holofotes se apagam, as notícias se tornam cada vez mais raras, o clamor de solidariedade arrefece e boa parte das promessas de apoio são esquecidas. Até porque a reconstrução das áreas atingidas e a solução real dos problemas de suas populações não acontece, obviamente, na mesma velocidade com que as notícias são difundidas na internet e na televisão. Exige uma atuação paciente e continuada, com inevitáveis altos e baixos, ao longo de anos, que vá muito além  do socorro humanitário. E isso supõe um forte compromisso ético e político  dos países envolvidos.

Vale a pena lembrar que, no primeiro semestre de 2004, o Haiti sofreu uma gravíssima crise política que resultou na queda do Presidente Jean-Bertrand Aristide e na disputa pelo poder entre diversos grupos armados, sacrificando brutalmente  a população civil. A violência e os atentados aos direitos humanos se generalizaram. Gangues de delinquentes passaram a agir livremente em Porto-Príncipe, apoderando-se inclusive de prédios e órgãos públicos. Alguns dos maiores bairros da capital, como Bel-Air e Cité Soleil, foram completamente dominados por facções criminosas. Na prática, o Estado democrático entrou em colapso, incapaz de garantir condições mínimas de segurança e estabilidade para que o país continuasse funcionando.

A pedido do governo haitiano, e com base em resolução do Conselho de Segurança, a ONU decidiu enviar ao país uma Missão de Paz e Estabilização – a MINUSTAH. Um general brasileiro comanda a componente militar da missão, que conta com soldados de dezenas de países, e é integrada majoritariamente por tropas de nações sul-americanas.

O Brasil e seus vizinhos aceitaram a convocação  da ONU por um imperativo de solidariedade. Não podíamos ficar indiferentes à crise político-institucional e ao drama humano do Haiti.  E o fizemos convictos de que a tarefa da MINUSTAH não se limitava à segurança, mas abrangia também o fortalecimento da democracia, a afirmação da soberania política do povo do Haiti e o apoio ao desenvolvimento sócio- econômico do país. Daí a atitude respeitosa e não truculenta – de verdadeira parceria com a população local – que tornou-se sua marca registrada.

Hoje a situação de segurança se transformou profundamente: os riscos de guerra civil foram neutralizados, a ordem pública restabelecida e os bandos de delinquentes derrotados. O país foi pacificado e o Estado reassumiu o controle de todo o território nacional. Além disso, a MINUSTAH tem contribuído para equipar e treinar uma força haitiana de segurança.

As instituições democráticas voltaram a funcionar e estão se consolidando. Já em 2006, foram realizadas eleições gerais no Haiti, com a participação de todos os setores políticos e ideológicos interessados. Sem interferir  na disputa eleitoral, a MINUSTAH garantiu a tranquilidade do pleito e que prevalecesse a vontade popular. O presidente eleito,  René Préval, apesar de todas as dificuldades, cumpriu integralmente  o seu mandato e, em 2011, transmitiu o cargo ao seu successor, Michel Martelly, também escolhido pela população.

Na esfera humanitária e social, conseguiu-se algumas melhorias significativas, ainda que persistam enormes desafios e que o terremoto de 2010, com sua onda de destruições, tenha comprometido parte do esforço anterior, gerando novas carências. Apesar de tudo, a população desabrigada, segundo relatório da ONU de 2013, caiu de 1,5 milhões de pessoas para 172 mil. Três em cada quatro crianças já frequentam regularmente a escola fundamental, frente a menos da metade em 2006. A insegurança alimentar foi drasticamente reduzida. O flagelo do cólera está sendo enfrentado.

Nas três vezes em que visitei o Haiti, pude testemunhar a capacidade de resistência e a dignidade do seu povo. Em 2004, a seleção brasileira de futebol esteve no país para um jogo amistoso com a seleção local em prol do desarmamento. Até hoje me comovo ao lembrar o carinho com que a população haitiana recebeu os nossos atletas.

Além de sua participação na MINUSTAH, para a qual  contribui com o maior contingente de soldados, o Brasil tem colaborado intensamente com o povo do Haiti na área social. Com recursos próprios ou em parceria com outros países, implementou uma série de programas que vão desde campanhas nacionais de vacinação até o apoio direto à pequena e média empresas e à agricultura familiar, passando pela alimentação escolar e a formação profissional da juventude.

Há três iniciativas brasileiras, entre outras, que me entusiasmam particularmente. Uma são os três hospitais comunitários de referência, construídos junto com Cuba e o próprio governo do Haiti, para atender às camadas mais pobres da população. Outra é um projeto inovador de reciclagem de resíduos sólidos, elaborado e executado pelo grupo IBAS (Índia, Brasil e África do Sul), que contribuiu ao mesmo tempo para a limpeza urbana, a geração de energia e a criação de empregos. Essa inciativa foi, inclusive, premiada pela ONU. E a terceira é o projeto de construção de uma usina hidrelétrica no Rio Artibonite, que certamente representará um salto histórico na infraestrutura do país, ampliando o acesso da população à eletricidade, favorecendo a agricultura e a indústria, e permitindo ao Haiti reduzir a sua dependência da importação de petróleo. Trata-se de um empreendimento para o qual o Brasil já elaborou os projetos de engenharia e doou 40 milhões de dólares (1/4 do seu valor total) que estão depositados num fundo especifico do Banco Mundial, esperando que outros países completem os recursos necessários para a execução da obra.

Alguns países desenvolvidos também tem apoiado ativamente a reconstrução do país. Os Estados Unidos, por exemplo, investiram recursos significativos em diversos projetos econômicos e sociais, a exemplo do polo industrial de Caracol, no norte do país.

Mas, infelizmente, nem todos os que se comprometeram com o Haiti cumpriram as suas promessas. A verdade é que a maioria dos países ricos tem ajudado muito pouco o Haiti. O volume de ajuda humanitária está diminuindo e há entidades de cooperação que começam a retirar-se do país. A comunidade internacional não pode diminuir a sua solidariedade ao Haiti.

Em 2016 deverá ocorrer a próxima eleição presidencial no país. Será o terceiro presidente eleito democraticamente desde 2004. Penso que este momento deve ser um marco no processo já iniciado de devolução ao povo haitiano da responsabilidade plena pela sua segurança. Mas isso só será possível se a comunidade internacional mantiver – e se necessário, ampliar –  os recursos financeiros e técnicos destinados à reconstrução do país e ao seu desenvolvimento econômico e social.

Devemos substituir cada vez mais a vertente da segurança pela vertente do desenvolvimento. O que implica em maior cooperação, ainda que com novas finalidades. Será que não está na hora das Nações Unidas convocarem uma nova Conferência sobre o Haiti, para discutirmos francamente o que foi feito nesses dez anos e o que fazer daqui para  a frente?

Folha convida: “que tal uma nova ditadura?”

 

Do Tijolaço, aqui e aqui

 

Demorou mais do que a chuva no Sudeste, mas finalmente o Datafolha registrou no TSE uma pesquisa eleitoral em todo o Brasil.

O eleitoral é o de sempre: A disputa para valer, entre Dilma, Aécio e Eduardo campos e as especulações com Lula, Marina e Joaquim Barbosa candidatos.

Mas o mais interessante são as perguntas que vem depois da opção eleitoral.

Vá seguindo, na ordem:

Você é a favor ou contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil?

Você é a favor ou contra os protestos que estão ocorrendo em várias cidades brasileiras desde junho do ano passado?

E você é a favor ou contra que ocorram protestos de rua DURANTE a Copa do Mundo que será realizada no Brasil?

Calma, vem mais, tem o momento Sheherazade:

A tortura é ou não aceitável “se for a única forma de obter provas e punir criminosos” ?

Movimentos sociais precisam ou não respeitar a lei e a ordem para reivindicar seus direitos?

Os direitos humanos devem ou não valer para criminosos?

Uma pausa para um momento Higienópolis, para saber do “voto diferenciado”:

Analfabeto pode votar?

Uma pitada de ameaça do totalitarismo comunista:

O melhor para a sociedade é que as pessoas sejam vigiadas ou não?

E agora, o penúltimo ato, o “que saudades da ditabranda”…

É melhor ou pior a democracia que a ditadura, ou tanto faz?

Há alguma chance de ocorrer uma nova ditadura no Brasil?

A Ditadura Militar que governou o país de 1964 a 1985 deixou mais realizações positivas do que realizações negativas para o Brasil ou deixou mais realizações negativas do que realizações positivas para o Brasil?

Você diria que os principais responsáveis pelos problemas econômicos e sociais que o Brasil enfrenta hoje são os governos militares ou os governos civis que vieram depois?

Mas não acabou. tem mais, e tem pior ainda.

Vai no próximo post (abaixo), assim que o remédio de desembrulhar estômago fizer efeito. Lá, vai também o link para você conferir o questionário registrado no TSE e ver que eu não estou delirando.

 

Bem, devidamente controlados os engulhos que o post anterior provocou, vamos ao gran finale da pesquisa Ditafolha, digo, Datafolha.

Como o enojado leitor e a repugnada leitora perceberam, a pesquisa “vai levando” o entrevistado  pelos círculos do inferno e chega, afinal, aonde quer.

Veja o que o Datafolha sugere ao eleitor:

Você concorda ou discorda que o governo brasileiro deva ter o direito de:

Proibir greves?

 Intervir nos sindicatos? 

 Proibir a existência de algum partido? 

Censurar jornais, TV e rádio? 

Fechar o Congresso Nacional? 

Prender suspeitos de crimes sem a autorização da Justiça?

Torturar suspeitos para tentar obter confissões ou informações?

Claro que, além do simples sim ou não, o questionário oferece a opção “ditabranda” ao gosto da Folha, com uma resposta de “sim, parcialmente“.

O que, afinal, significa isso senão “pesquisar” a implantação de uma ditadura?

Mesmo que sejam 15, 20, ou 25% as respostas positivas a estas perguntas, isso é ou não combustível para legitimar os grupos autoritários que, à sombra do “coxismo” de direita e do blackbloquismoselvagem e estúpido de uns idiotas (levei uma bronca hoje por chamá-los de idiotas, mas vou teimar)?

Alguém ainda acha que se exagera quando se diz que se estavam abrindo caminhos para o autoritarismo?

Nenhum destes quesitos oferecidos como “ações de governo” jamais esteve, nem de longe, na pautado governo.

Estará na pauta de quem, das manifestações do “padrão Fifa” , do combate à corrupção,  do #naovaiterCopa ou, ao menos, as acompanhará como uma sombra sinistra.

Há outras baboseiras facistóides na pesquisa, como a de criticar as indenizações aos presos, perseguidos, torturados e mortos na ditadura e, claro, a de que sejam também julgados os militantes das organizações que resistiram ao regime fascista. Aquela linha, sabe, que teria levado a Nuremberg também o pessoal da Resistência Francesa que, afinal, também pegou em armas.

Mas o essencial, o grave, o inaceitável é que se trata de um levantamento de encomenda para reacender o apetite autoritário, que é a fome que dá na barriga de quem não tem voto.

PS: Para os que duvidam de que a pesquisa seja isto, aqui está o link para o questionário depositado no TSE.

PS2. Como alguns não estão conseguindo pelo link, copiei o questionário, em pdf, aqui.