Os cães ladram….

Importante movimento toma corpo enquanto ação política no governo de Juvenil e Jussara.

A partir da definição do PPA – Plano Pluri Anual – os principais agentes políticos do governo, juntamente com Juvenil e Jussara, passaram a divulgá-lo de forma ampla e permanente. Já foram várias reuniões internas e externas que tendem a se ampliar nas próximas semanas com sociedades amigos de bairros, entidades, pastorais e outras.

O objetivo é deixar claro as metas do governo para que a população acompanhe e fiscalize sua realização. Metas que tem como objetivo maior a construção de uma cidade para todos – SALTO DE TODA NOSSA GENTE.

Faz-se cada vez mais presente o logotipo da nova administração, qual seja, a construção de um taperá em origami, técnica japonesa de dobradura de papel. Como dito várias vezes pela nossa vice-prefeita, esse governo é de construção, como o origami. Ele, o origami, parte de uma folha lisa que vai tomando forma a partir das dobraduras feitas, até chegar a sua forma final, que se desmanchada não conseguirá ser feita novamente. É uma alusão perfeita ao que pensa o atual governo: um processo de construção, cuja meta é clara e esta a frente: uma cidade DE TODA NOSSA GENTE.

Enquanto isso, alguns críticos (ainda bem que os temos) não se cansam de achar defeito no que está em execução.

Nesta semana sem dúvida o destaque ficou para o jornalista do TAPERÁ que emite opiniões, cujo posicionamento (segundo o diretor do jornal) não é a opinião do jornal.

Acompanho de perto nossa imprensa desde antes desse governo. Não tenho dúvida alguma em afirmar que as críticas agora são mais contundentes que em anos anteriores. Especificamente em relação ao jornalista em questão, ela se tornou ácida e de cunho persecutório. Já expressei aqui algumas opiniões a respeito de suas origens e parece que a imagem se solidifica a cada artigo e opinião: as garras de um tucano que encontrou uma prefeitura petista para se cravar. Assim como é comum aos tucanos do Brasil todo, seu maior objetivo é denegrir e difamar as realizações dos petistas.

Longe de mim qualquer dificuldade em aceitar a critica e a oposição. Precisamos delas. Todavia, a acusação sorrateira e descabida deve ser constantemente combatida. Os termos e acusações feitos a partir da aprovação do Código Tributário foram de uma leviandade e maldade extremas. Chamar o prefeito de “sorrateiro” e registrar situações não aprovadas na nova lei, foram descabidas e mereceram a brilhante reprimenda do presidente da Câmara Municipal, vereador Garotinho, publicada na última edição do jornal.

O que tirar disso tudo?

Vivemos em Salto uma clara oposição de projetos. Apesar de nosso prefeito e vice terem aprovação de mais de 50% da população, a oposição está muito forte e ladrando para tudo o que o governo realiza.

Os projetos definidos e demonstrados no PPA são ousados e tendem a mudar a cara de nossa cidade, tornando-a uma cidade mais humana e boa de se viver.

Hoje (que pode ser mudado amanhã), o ditado popular que mais se encaixa diante de tudo o que vivemos nos últimos dias é: Os cães ladram e a caravana passa… Ditado esse preferido de meu amigo Pedro nas questões de administração pública.

E que a caravana leve consigo todos aqueles que acreditam na possibilidade de uma cidade cada vez melhor e por consequência, a maioria de nossa população.

Espionagem: o buraco nas fechaduras das teles é mais ao Norte

 

Da Rede Brasil Atual

 

As denúncias de que os Estados Unidos espionam pessoas, empresas e governos ao redor do mundo com a ajuda de corporações como Google, Microsoft ou Facebook não surpreenderam especialistas brasileiros. Tampouco as revelações de que Washington monitora comunicações digitais e telefônicas no Brasil. Os documentos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden no início de junho apenas ratificam suspeitas e convicções de quem conhece o funcionamento da internet. “A grande novidade é que alguém de lá de dentro tenha decidido denunciar”, observa o ativista Marcelo Branco, 56 anos, que trabalha com computação há mais de 30. “Nós, da comunidade de hackers e software livre, já vínhamos denunciando essas possibilidades de espionagem há bastante tempo.”

O sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e membro do Conselho Gestor da Internet, lembra que já nos anos 1990 surgiram evidências de que um sistema chamado Echelon fora utilizado por Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Canadá e Nova Zelândia para monitorar conversas telefônicas, e-mails e sinais de satélite da antiga União Soviética e dos países do Leste Europeu. “Já se havia denunciado a existência do Carnivore, que era um sistema de escaneamento de mensagens com palavras-chave, manipulado pelo FBI”, conta. “Pouco antes das denúncias de Snowden, era sabido que a Agência de Segurança Nacional (NSA) estava finalizando a construção de uma enorme base de intrusão, coleta e rastreamento de informações digitais no interior dos Estados Unidos.”

Os especialistas enumeram basicamente três razões pelas quais os órgãos de inteligência dos Estados Unidos – FBI, NSA e CIA – gozam de tamanho controle sobre as trocas de informações pela internet dentro e fora de suas fronteiras. A primeira guarda relação com a infraestrutura física da rede, que nasceu no país com propósitos militares, floresceu ao cair nas mãos de cientistas e, mais tarde, explodiu ao entrar na rotina de empresas e cidadãos. De acordo com o ministro brasileiro das Comunicações, Paulo Bernardo, nos Estados Unidos ficam dez dos 13 servidores-raiz existentes no mundo. São essas máquinas que decodificam os endereços www, que inserimos em nossos navegadores.

“Toda vez que você acessa um endereço na internet, sua máquina precisa fazer uma requisição ao servidor-raiz para poder traduzir esse endereço para um número”, explica Dalton Martins, professor de análise de rede na Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) e pesquisador da USP. “Hoje, quando falo com você pela internet, quase toda a informação vai até os Estados Unidos e volta”, afirma Marcelo Branco.

Leis e negócios

A segunda razão pela qual os norte-americanos conseguem acessar informações que circulam pela internet é jurídica. A rede tem uma lista de endereços administrada pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann, na sigla em inglês), empresa com sede na Califórnia. “A Icann é responsável pela coordenação global do sistema de identificadores exclusivos da internet”, diz o site da companhia. O problema é que a Icann está sujeita à legislação norte-americana, e a Lei de Auxílio das Comunicações para a Aplicação do Direito (Calea) permite às autoridades realizar vigilância eletrônica ao exigir dos fabricantes de equipamentos acesso livre às informações que circulam pela rede. Os aparelhos de internet fabricados ou vendidos nos Estados Unidos possuem um dispositivo chamado backdoor – porta dos fundos –, que possibilita aos órgãos de inteligência invadir e acessar dados sem o consentimento dos usuários.

“O backdoor é apenas o mais conveniente dentre os vários meios possíveis de interceptação”, diz o professor de segurança de rede Pedro Rezende, da Universidade de Brasília. “Os backdoors exigidos pela Calea nos roteadores de grande porte homologados nos Estados Unidos estendem o vigilantismo para quase todas as rotas de fibra óptica, centralizadas na arquitetura transcontinental. Isso praticamente cobre todos os meios de transmissão digital a longa distância hoje em uso.”

A vantagem jurídica obtida pelos Estados Unidos na administração da internet se completa com a terceira razão que possibilita a vigilância de dados privados pela rede: a empresarial. O sistema de troca de informações entre computadores é praticamente monopolizado por companhias norte-americanas, sejam fabricantes de programas e aplicativos ou de equipamentos. Se a Calea obriga a indústria a deixar uma porta dos fundos aberta para a intrusão do governo, empresas como Microsoft, Apple, Google, Yahoo e Facebook, entre outras, também mantêm caminhos abertos à bisbilhotagem. “É uma parte da programação que permite que os dados do seu computador e da sua conexão sejam enviados para fontes externas sem seu consentimento”, explica Marcelo Branco. “É intencional, não é falha de segurança.”

As empresas dizem usar as informações que escapam pelo backdoor para fins estritamente comerciais. No caso de Apple e Microsoft, por exemplo, detectar padrões de comportamento dos usuários para melhorar constantemente seus programas, vender mais e manter-se na liderança do mercado. Facebook e Google usam as portas dos fundos para montar perfis de interesse dos internautas e vender anúncios. Esse é um dos motivos pelos quais construíram impérios bilionários.

Difícil proteção

As medidas anunciadas pelo governo para defender o Brasil da espionagem cibernética são importantes para o desenvolvimento de nossa tecnologia, mas dificilmente poderão deter a bisbilhotagem internacional. Lançamento de satélite próprio, instalação de servidores, construção de cabos submarinos e novas redes de fibra óptica ampliariam a autonomia em telecomunicações, mas nada disso seria, por si só, capaz de frear o monitoramento de dados pelos órgãos de inteligência dos Estados Unidos. O vigilantismo continuaria sendo possível pela própria natureza da rede, globalmente interligada à maciça presença de empresas estrangeiras operando no mercado brasileiro de internet e aos hábitos dos internautas, que priorizam programas, aplicativos e equipamentos norte-americanos.

Entre outras, a revelação trazida a público por Snowden de que a NSA espionou 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens de pessoas residentes ou em trânsito no Brasil pegou as autoridades de calça curta. Os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Defesa, Celso Amorim, e das Comunicações, Paulo Bernardo, foram ao Congresso prestar esclarecimentos sobre o nível de preparação do país para enfrentar a interceptação de dados. Reconheceram a vulnerabilidade brasileira e anunciaram medidas, como o “breve” lançamento de um satélite geoestacionário para substituir o atualmente em uso. Outrora administrado pelo Estado, o aparato acabou sendo vendido em 1999 a executivos norte-americanos na onda de privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje, pertence a uma empresa de capital misto chamada America Movil, propriedade do homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim.

“Isso traz um desconforto, que as Forças Armadas sempre alegam, pois todas as comunicações estratégicas do país são viabilizadas por empresas privadas estrangeiras”, disse Paulo Bernardo aos parlamentares. “Nosso satélite deve ser lançado em 2016 e vai operar em banda X, de uso exclusivo da defesa, e banda K, para comunicações em banda larga em todo o território nacional.” O ministro admite, porém, que o mero lançamento de um satélite não garante que as informações brasileiras estarão asseguradas.

“Construir e colocar em órbita um satélite brasileiro pode ser muito bacana para o desenvolvimento científico nacional, mas não resolve o problema da espionagem”, observa Marcelo Branco, para quem satélites são a versão tecnológica da promiscuidade. As ressalvas se confirmam com as declarações do ministro da Defesa ao Congresso.

“Não temos um sistema brasileiro que possa proteger as redes por onde circulam as informações”, reconheceu Amorim. “As ferramentas que existem são todas estrangeiras.”

De acordo com o ministro, a empresa responsável por administrar o satélite brasileiro chama-se Visiona Tecnologia Espacial, uma fusão entre a estatal de telecomunicações Telebrás e a Embraer. Apesar disso, o aparato que brevemente entrará em órbita não será 100% brasileiro. “A maior parte dos equipamentos e softwares usados no país não é nacional”, diz Amorim. “Nossa ideia é que, no momento seguinte, possamos ter equipamentos brasileiros também dentro do satélite.”

E as operadoras?

A presença predominante de multinacionais na operação das telecomunicações brasileiras é outro problema na proteção dos dados produzidos pelo país.

Vivo, Claro, Oi, Tim, Sky, Net, Embratel, Nextel e GVT são todas estrangeiras – ou têm participação. “Essa é a grande questão”, afirma Dalton Martins, da Fatec. “Apesar de ter sede em nosso território e estar sob nossa legislação, elas tendem politicamente a favorecer seus proprietários ou países de origem.” O professor lembra ainda que as linhas telefônicas usadas pelo governo pertencem às operadoras. “Estamos nas mãos de empresas que não têm interesses apenas no Brasil.”

Bernardo informou que o Brasil está construindo redes de fibra óptica até Assunção, no Paraguai, a exemplo do que já foi feito com o Uruguai. “Vamos, com a Telebrás, chegar ao Acre até setembro e de lá poderemos nos conectar com o Peru. Estamos também discutindo conexões com a Guiana, pelo Amapá. Assim poderemos fazer tráfego regional diretamente, sem passar pelos Estados Unidos ou Europa. Isso significa maior rapidez e menos custos.”

Ele mesmo sinaliza, porém, que as medidas de infraestrutura visam a resolver um problema de saturação das redes – e pouco têm a ver com segurança. “São medidas muito focadas na visão telecom dos anos 1980, que é a visão do ministro Paulo Bernardo: cabo, estrutura, satélite. Colocou-se um discurso nacionalista, que é bom, mas não para resolver o problema da espionagem. A segurança está mais embaixo”, observa Marcelo Branco.

Mesmo que linhas, cabos e satélites utilizados fossem todos nacionais, e que todas as empresas de telecom em operação no país fossem administradas por capital brasileiro, nem assim seria possível impedir que os dados circulassem por redes estrangeiras. “Isso não evita que nossas informações trafeguem pelos bancos de dados de Microsoft, Apple, Google ou Facebook”, diz Dalton Martins. “Nós e o mundo usamos sistemas de informação majoritariamente norte-americanos.”

Governança

As providências tomadas pelo governo brasileiro que podem surtir efeito sobre a espionagem de dados pela internet foram anunciadas pelo ministro das Relações Exteriores, de modo a defender, no âmbito da União Internacional de Telecomunicações (UIT), em Genebra, o aperfeiçoamento de regras multilaterais sobre segurança. “Lançaremos nas Nações Unidas iniciativas para proibir abusos e impedir a invasão de privacidade dos usuários das redes virtuais, estabelecendo normas claras de comportamento dos Estados na área de comunicações para garantir uma segurança cibernética que preserve o direito dos cidadãos e a soberania dos países,” disse Patriota.

As declarações do chanceler sugerem que o Itamaraty está disposto a comprar uma briga com os Estados Unidos e seus aliados ao advogar por uma governança compartilhada da internet. “É uma questão que enfrenta resistências consideráveis para ser multilateralizada”, avalia Patriota, acreditando que as revelações de Snowden desgastaram Washington. “Agora temos novos elementos e uma alteração no quadro político em função das denúncias que afetaram países da Europa e América Latina.”

A posição vai ao encontro dos alertas dos ativistas em mídias digitais: todos os países precisam adotar um conjunto de ações que reduza a força e influência das empresas de telecomunicação, cujo poder econômico é tão desigual quanto o poder político e militar dos Estados Unidos. Para o analista de sistemas Sady Jacques, da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs), atuante em tecnologia da informação há 26 anos, a internet deve ter outro espaço jurídico. “Levantar essa bandeira na ONU coloca o Brasil numa posição de liderança e pode vir a trazer mudanças importantes. Quem sabe dentro de alguns anos poderemos ter uma internet mais democrática.”

Bienvenidos!!!

 

Do Correio do Brasil

 

O primeiro grupo de médicos cubanos que chega ao Brasil trabalhar pelo Programa Mais Médicosdesembarcou às 13h55 no no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife. Depois, em Brasília, às 18h. Na capital federal, eles chegaram no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e foram recebidos pelo secretário especial da Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves, pois vão atuar nas áreas indígenas. O restante do grupo chega neste domingo em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério.

Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil neste fim de semana. Na sexta-feira, começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais. Neste sábado, no Recife, eles foram recebidos com aplausos por um grupo de funcionários do Ministério da Saúde que os recepcionou cantando a marchinha carnavalesca “Ó Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga. A letra dizia “Ó Abre Alas, que os cubanos vão passar”. Eles agradeceram a acolhida do povo brasileiro.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicas que questionam a formação médica dos profissionais cubanos.

– Neste sábado e domingo chegam 400 médicos cubanos muito experientes e 86% deles têm mais de 16 anos de experiência em missões internacionais. Chegam para os 701 municípios que nenhum médico brasileiro ou estrangeiro escolheu individualmente. O ministério vai acompanhar a qualidade dos médicos cubanos. Por isso que nós exigimos que sejam médicos experientes, todos eles têm especialização em medicina da família e outros programas de pós-graduação – disse Padilha.

Sobre as críticas de que os médicos cubanos vão receber menos (entre R$ 2,5 e R$ 4 mil) do que os outros médicos do programa, que vão ganhar R$ 10 mil, o ministro destacou que não é possível fazer comparação por serem realidade diferentes.

– Os médicos cubanos têm uma carreira e vínculo permanente com Cuba, o fato de virem em uma missão internacional faz com que os salários deles aumente, é um bônus no salário além da remuneração que vão ter aqui, diferentemente de outros médicos estrangeiros que vêm para cá (Brasil) e não têm emprego no país de origem. Esses médicos terão moradia e alimentação garantidas pelos municípios que assumiram o compromisso de participar do programa. O Ministério da Saúde vai acompanhar de perto as condições de vida desses profissionais para que tenham tranquilidade para atuar e atender bem a nossa população – declarou o ministro.

De acordo com o Ministério da Saúde, serão repassados R$ 10 mil por médico cubano à Opas, que fará o pagamento ao governo cubano. Em acordos como esse, Cuba fica com uma parte da verba. Na segunda-feira, tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo, começam a participar do curso de preparação, com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento a população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.

Vocação

Assim que desembarcaram no Recife, os médicos cubanos disseram que vieram (ao Brasil) “por solidariedade, e não por dinheiro”.

– Nós somos médicos por vocação e não por dinheiro. Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário, nem no Brasil nem em nenhum lugar do mundo – afirmou o médico de família Nélson Rodríguez, de 45 anos.

Rodriguez disse que a atuação dos profissionais no Brasil seguirá as ações executados em países como Haiti e Venezuela, onde já trabalhou.

– O sistema de saúde no Brasil é mais desenvolvido que nesses outros países que visitamos, então poderemos fazer um trabalho até melhor na saúde básica – afirmou.

À imprensa, outros médicos que deram entrevistas concordaram com o colega. Todos eles falaram “portunhol” – afirmaram que tiveram contato com o português quando trabalharam na África ou por terem amigos que já trabalharam no continente.

A médica Natacha Sánchez, de 44 anos, que trabalhou em missões médicas na Nicarágua e na África, disse que os cubanos estão preparados para o trabalho em locais com “condições críticas” e querem trabalhar em conjunto com os médicos brasileiros. Ela desconhece as críticas feitas pelo Conselho Federal de Medicina ao programa Mais Médicos.

Vestindo jaleco, com bandeiras do Brasil e de Cuba, os médicos cubanos cumpriram os procedimentos de imigração e alfândega, depois seguiram em vans para alojamentos das Forças Armadas na capital pernambucana.

A hora da ação política – Pres. LULA

 

A lenta retomada da economia global e os seus enormes custos sociais, especialmente nos países desenvolvidos exigem uma corajosa mudança de atitude. É preciso identificar com clareza a raiz da crise de 2008, que em muitos aspectos se prolonga até hoje, para que os líderes políticos e os órgãos multilaterais façam o que deve ser feito para superá-la.

A verdade é que, no dia 15 de setembro de 2008, quando o banco Lehman Brothers pediu concordata, o mundo não se viu apenas mergulhado na maior crise financeira desde a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Viu-se também diante da crise de um paradigma.

Outros grandes bancos especuladores nos Estados Unidos e na Europa só não tiveram o mesmo destino porque foram socorridos com gigantescas injeções de dinheiro público.  Ficou evidente que a crise não era localizada, mas sistêmica. O fracasso não era somente desta ou daquela instituição financeira, mas do próprio modelo econômico (e político) predominante nas décadas recentes. Um modelo baseado na ideia insensata de que o mercado não precisa estar subordinado a regras, de que qualquer fiscalização o prejudica e de que os governos não tem nenhum papel na economia, a não ser quando o mercado entra em crise.

Segundo este paradigma, os governos deveriam transferir a sua autoridade democrática, oriunda do voto – ou seja, a sua responsabilidade moral e política perante os cidadãos – a técnicos e organismos cujo principal objetivo era o de facilitar o livre trânsito dos capitais especulativos.

Cinco anos de crise, com gravíssimo impacto econômico e sofrimento popular, não bastaram para que esse modelo fosse repensado. Infelizmente, muitos países ainda não conseguiram romper com os dogmas que levaram ao descolamento entre a economia real e o dinheiro fictício, e ao círculo vicioso do baixo crescimento combinado com alto desemprego e concentração de renda nas mãos de poucos.

O mercado financeiro expandiu-se de modo vertiginoso sem a simultânea sustentação do crescimento das atividades produtivas. Entre 1980 e 2006, o PIB mundial cresceu 314%, enquanto a riqueza financeira aumentou 1.291%, segundo dados do McKinseys Global Institute e do FMI. Isso, sem incluir os derivativos. E, de acordo com o Banco Mundial, no mesmo período, para um total de US$ 200 trilhões em ativos financeiros não derivados, existiam US$ 674 trilhões em derivativos.

Todos sabemos que os períodos de maior progresso econômico, social e político dos países ricos durante o século XX não tem nada a ver com a omissão do Estado nem com a atrofia da política.

A decisão política de Franklin Roosevelt, de intervir fortemente na economia norte-americana devastada pela crise de 1929, recuperou o país justamente por meio da regulação financeira, o investimento produtivo, a criação de empregos e o consumo interno. O Plano Marshall, financiado pelo governo norte-americano na Europa, além de sua motivação geopolítica, foi o reconhecimento de que os EUA não eram uma ilha e não poderiam prosperar de modo consistente num mundo empobrecido.  Por mais de trinta anos, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o Welfare State foi não apenas o resultado do desenvolvimento mas também o seu motor.

Nas últimas décadas, porém, o extremismo neoliberal provocou um forte retrocesso.  Basta dizer que, de 2002 a 2007, 65% do aumento de renda dos EUA foram absorvidos pelos 1% mais ricos. Em quase todos os países desenvolvidos há um crescente número de pobres. A Europa já atingiu taxas de desemprego de 12,1% e os EUA, no seu pior momento, de mais de 10%.

O brutal ajuste imposto à maioria dos países europeus – que já foi chamado de austericidio – retarda desnecessariamente a solução da crise. O continente vai precisar de um crescimento vigoroso para recuperar as dramáticas perdas dos últimos cinco anos. Alguns países da região parecem estar saindo da recessão, mas a retomada será muito mais lenta e dolorosa se forem mantidas as atuais políticas contracionistas. Além de sacrificar a população europeia, esse caminho prejudica inclusive as economias que souberam resistir criativamente ao crack de 2008, como os EUA, os BRICS e grande parte dos países em desenvolvimento.

O mundo não precisa e não deve continuar nesse rumo, que tem um grande custo humano e risco político. A redução drástica de direitos trabalhistas e sociais, o arrocho salarial e os elevados níveis de desemprego criam um ambiente perigosamente instável em sociedades democráticas.

Está na hora de resgatar o papel da política na condução da economia global. Insistir no paradigma econômico fracassado também é uma opção política, a de transferir a conta da especulação para os pobres, os trabalhadores e a classe média.

A crise atual pode ter uma saída economicamente mais rápida e socialmente mais justa. Mas isso exige dos líderes políticos a mesma audácia e visão de futuro que prevaleceu na década de 1930, no New Deal, e após a II Guerra Mundial.

É importante que os EUA de Obama e o Japão de Shinzo Abe estejam adotando medidas heterodoxas de estímulo ao crescimento. Também é importante que muitos países em desenvolvimento tenham investido, e sigam investindo, na distribuição de renda como estratégia de avanço econômico, apostando na inclusão social e na ampliação do mercado interno.  O aumento de renda das classes populares e a expansão responsável do crédito mantiveram empregos e neutralizaram parte dos efeitos da crise internacional no Brasil e na América Latina. Investimentos públicos na modernização da infraestrutura também foram fundamentais para manter as economias aquecidas.

Mas para promover o crescimento sustentado da economia mundial isso não é suficiente. É preciso ir além. Necessitamos hoje de um verdadeiro pacto global pelo desenvolvimento, e de ações coordenadas nesse sentido, que envolvam o conjunto dos países, inclusive os da Europa.

Políticas articuladas em escala mundial que incrementem o investimento público e privado, o combate à pobreza e à desigualdade e a geração de empregos podem acelerar a retomada do crescimento , fazendo a roda da economia mundial girar mais rapidamente.

Elas podem garantir não só o crescimento, mas também bons resultados fiscais, pois a aceleração do crescimento leva à redução do déficit público no médio prazo. Para isso, é imprescindível a coordenação entre as principais economias do mundo, com iniciativas mais ousadas do G-20. Todos os países serão beneficiados com essa atuação conjunta, aumentando a corrente de comércio internacional e evitando recaídas protecionistas.

 

A economia do mundo tem uma larga avenida de crescimento a ser explorada: de um lado pela inclusão de milhões de pessoas na economia formal e no mercado de consumo – na Ásia, na África e na América Latina – e de outro com a recuperação do poder aquisitivo e das condições de vida dos trabalhadores e da classe média nos países desenvolvidos. Isso pode constituir uma fonte de expansão para a produção e o investimentos mundiais por muitas décadas.

 

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil

As escorregadas de um imortal

 

Do Tijolaço

 

Nunca foi tão divertido ler Merval Pereira! Em seu texto de hoje, o principal colunista político da Globo Overseas Investments B.V. (BV seria bônus de volume?), se ajoelha no milho e renega tudo que disse na véspera. Tive a impressão de ler o texto de outra pessoa, talvez um estagiário do próprio Merval, que teria sido internado às pressas com problemas de depressão.

Merval ontem: “Outro fato importante é que pessoas que tiveram acesso às mais de 1.500 páginas do inquérito garantem que os documentos, depoimentos e trocas de e-mails de executivos da Siemens em poder do CADE não citam uma única vez o PSDB e o governador Geraldo Alckmin. (…) Os delatores premiados da empresa também não citam nominalmente em nenhum momento os funcionários públicos da CPTM ou do Metrô como praticantes de atos ilícitos como recebimento de propinas e comissões em licitações públicas.”

Merval hoje: “(…) com relação à ação da Alstom junto à Empresa estatal de energia EPTE, contas bancárias já bloqueadas no valor de 7,5 milhões de euros, e diversos funcionários públicos identificados, além de lobistas com empresas de offshore que teriam sido os intermediários do pagamento de propinas, através de uma conta conjunta no Banco Safdié em nome de Jorge Fagali Neto e de José Geraldo Villas Boas. (…)

Fagali é ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e teve diversos postos na administração federal nos governos do PSDB. Villas Boas é dono de uma das offshores acusadas de lavar dinheiro do esquema. Nesse caso da Alstom no setor de energia, a Polícia Federal indiciou várias pessoas, inclusive o atual vereador tucano Andrea Matarazzo que era Secretário de Energia estadual na época, e trata o caso como sendo um crime do partido político PSDB, como denunciou ontem o jornal Estado de S. Paulo: “esquema de pagamento de propina a integrantes do governo do Estado de São Paulo e ao PSDB pelo grupo francês Alstom.

Os mesmos personagens estão envolvidos em outras investigações em contratos da Alstom, além do conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo Robson Marinho, homem de confiança do ex-governador Mario Covas. Nas investigações sobre a ação da Siemens, dois ex-diretores da CPTM estão sendo investigados pelo Ministério Público paulista, além de dois “consultores” que teriam recebido depósitos em empresas “offshore”. (…)”

Merval ontem: “A ação individual de um político desonesto é menos danosa para a democracia do que a de um grupo político organizado, que se utiliza dos esquemas de poder a que chegou pelo voto para se eternizar nele. Foi o que aconteceu justamente no mensalão do PT (…) Se as investigações do caso Siemens em São Paulo levarem à conclusão de que o PSDB montou um projeto de poder em São Paulo desde o governo Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra financiado pelo desvio de verbas públicas, estaremos diante de uma manipulação política com o mesmo significado, embora com alcance regional, enquanto o mensalão tentou manipular nada menos que o Congresso Nacional.”

Merval hoje: “(…) É nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público estadual que as questões criminais deverão ser desvendadas, para que fique esclarecido se as ações de corrupção ocorreram ao longo dos últimos 20 anos de governos do PSDB, se foram ações isoladas ou se correspondem a uma ação política do PSDB para financiar o partido durante esses anos todos de poder estadual. As evidências estão se avolumando nas revelações feitas nos últimos dias, e dificilmente o partido sairá imune desses episódios (…)”

Caso tenha sido a mesma pessoa que escreveu as duas colunas, a segunda nos parece que leu os jornais, enquanto a primeira sofre de algum tipo de delírio tucânico extremamente agressivo.

Bem, ironias à parte, sabemos muito bem que o velho Merval de guerra, sempre leal, confiável e obediente aos interesses de seus patrões, escreveu ambos os textos. A prova é que ele inicia a sua coluna hoje com uma defesa de José Serra que chega a ser constrangedora. Merval não tem sequer a dignidade de trazer dados ou documentos para embasar sua defesa.

Há vários furos nas declarações de Serra. O primeiro e mais gritante é que ninguém mais sequer discute que houve acordos sim entre as empresas, houve formação de cartel sim e houve participação direta sim da cúpula partidária. E agora o nome de Serra é citado como protagonista direto  de uma maracutaia. O tucano tem direito de se defender e gozar da presunção de inocência, embora estes princípios não tenham sido muito respeitados em nossa imprensa.  Mas um jornalista que se preza, diante de tantas provas, depoimentos e testemunhas (não mais indícios, ilações, domínios de fato), deve ter “dupla cautela” antes de acreditar tão inocentemente nas palavras de um acusado.