Inversão de valores

Da Rede Brasil Atual

 

 

Sob holofotes da mídia, bicheiro Cachoeira faz seu casamento em Goiânia

São Paulo – Numa cerimônia reservada a poucos convidados, mas com direito a tratamento de celebridade por parte da mídia, o bicheiro e contraventor Carlinhos Cachoeira casou-se com Andressa Mendonça na noite da sexta-feira 29, na mansão onde ele vive, em Goiânia.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que enviou uma repórter especialmente para o evento, Cachoeira cumpria Livre “uma promessa registrada em interceptações telefônicas”, feitas com autorização judicial durante as operações da Polícia Federal que o levaram a passar nove meses destes ano na cadeia. Ele foi solto no dia 11 deste mês.

O bicheiro, tratado como “empresário” pelo jornal paulistano, disse que o casamento com a socialite fechava o ano de modo positivo. “Esse foi o pior ano de minha vida e o melhor por ter casado com ela”, afirmou à Folha.

Em momento algum o jornal questionou o contraventor sobre suas ligações, por exemplo, com o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, ou com a sucursal da revista Veja, mas a reportagem afirma que tentou saber sobre o que Cachoeira ainda poderia revelar contra o PT. “Nada de política. Hoje, só falo de casamento. De política, só com orientação dos meus advogados”, foi a resposta, segundo a reportagem.

 

Fiasco do capital alemão no Brasil

Da Rede Brasil Atual

 

Por: Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual

 

Negociada por um terço de seu valor inicial, CSA vira problema no Rio

Rio de Janeiro – Definida como um “empreendimento histórico” pelo governo do Rio de Janeiro quando começou a operar, há dois anos e meio, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) consolidou em 2012 seu lugar entre os maiores fiascos da história do mercado brasileiro. Controlada pela empresa transnacional alemã ThyssenKrupp (73,13%) em sociedade com a brasileira Vale (26,87%), a usina sempre contou com a generosidade do BNDES e o alívio fiscal do governo estadual, mas desde o início de sua construção acumulou problemas sociais, ambientais e trabalhistas. Agora, em meio a uma profunda crise de seu principal controlador, está à venda por um terço do valor que lhe era atribuído em 2010.

A Thyssen quer vender sua parte na CSA e também uma usina “irmã” para processamento e laminação do aço brasileiro que construiu no Alabama com o objetivo de atender à indústria automobilística dos Estados Unidos. O investimento em ambas, que formam a divisão Steel Americas, foi de € 12 bilhões, segundo os alemães, mas a empresa aceita vendê-las por € 3,9 bilhões. Quando os dois projetos foram lançados, ainda antes da crise financeira global, havia forte otimismo quanto ao desenvolvimento do mercado do aço no continente, mas a realidade em 2012 revelou uma retração na demanda que causou um excedente mundial estimado em mais de 500 milhões de toneladas do produto.

O contexto negativo do mercado, aliado a “avaliações prévias excessivamente otimistas” sobre o projeto, como admitiu a direção da Thyssen, fez com que a Steel Americas registrasse este ano um prejuízo de um bilhão de euros, causado em grande parte pela CSA. Esse resultado compôs o impressionante total de € 4,7 bilhões em perdas líquidas no ano fiscal corrente, anunciado pela direção da Thyssen no último dia 10.

No período anterior (o ano fiscal na Alemanha se encerra em setembro), a empresa alemã já havia acumulado perdas de € 1,3 bilhão. O péssimo momento fez com que a Thyssen anunciasse que em 2012, pela primeira vez, não pagará dividendos anuais aos seus acionistas.

Elevado ao cargo somente quando a aprovação da criação da Steel Americas já havia sido decidida, o atual presidente-executivo do ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, demitiu metade da diretoria do grupo no início de dezembro. Boa parte dos demitidos integrava o grupo de “entusiastas” em relação aos investimentos no Brasil: “O desastre da Steel Americas mostrou que nossa cultura de liderança fracassou. Se continuarmos com o negócio, estaremos cometendo um grande erro”, disse Hiesinger.

Possíveis compradores

Espera-se que a venda da fatia da CSA pertencente à Thyssen seja concluída no primeiro trimestre de 2013. Até agora, a direção da empresa já manteve contatos e fez reuniões com um importante leque de possíveis compradores. Estão no páreo as gigantes Techint (Argentina), Baosteel (China), Arcelor-Mittal (Bélgica/Índia), Nippon Steel (Japão) e Posco (Coréia do Sul). Correndo por fora, estaria a brasileira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), possivelmente estimulada pela presidenta Dilma Rousseff, que desejaria o controle nacional sobre a CSA. O Palácio do Planalto não confirma essa informação.

Após a definição do comprador, a Thyssen ainda precisará do aval do BNDES para concluir o negócio, já que os créditos do banco destinados – e já desembolsados – à CSA montam a R$ 2,4 bilhões. Uma equipe de técnicos do BNDES fará um estudo de avaliação de riscos após a escolha do novo controlador majoritário da siderúrgica. Se o banco concluir que o escolhido apresenta riscos de não reembolso dos empréstimos concedidos, a Thyssen será obrigada a quitar toda sua dívida antes de concretizar a venda.

O novo dono da CSA terá de negociar também com o Governo do Rio de Janeiro, uma vez que os incentivos fiscais dados à usina fazem parte de uma lei aprovada a partir de um acordo feito exclusivamente com a Thyssen e precisarão ser renegociados. Até 2010, a empresa já recebeu do governo um alívio fiscal ligeiramente superior a R$ 700 milhões por intermédio do programa Rio Invest, que permite à CSA pagar apenas 30% do valor total de seu ICMS.

A negociação envolverá também a garantia de que um dos dois alto-fornos da usina não será desativado. “Vamos retirar todos os incentivos à CSA se o novo dono desligar um alto-forno”, avisa o governador Sérgio Cabral, preocupado com a queda de produção da siderúrgica, hoje estimada em 5 milhões de toneladas de placas de aço anuais. No meio do ano, quando a Thyssen anunciou sua intenção de desligar um dos dois alto-fornos, Cabral já havia feito essa mesma advertência aos alemães.

Meio ambiente

O possível desligamento do alto-forno não foi a única dor de cabeça causada pela CSA ao longo destes dois anos e meio. O já conhecido descaso da Thyssen com o meio ambiente, materializado no Rio pela extensa supressão de manguezal para a construção da usina e pelo comprometimento da capacidade pesqueira na já combalida Baía de Sepetiba, entre outros fatores, atraiu a profunda oposição do movimento socioambiental e algumas ações movidas pelo Ministério Público Estadual. Para piorar, a empresa alemã foi acusada de contratar milicianos armados com o intuito de intimidar pescadores da região que se manifestavam contra o impacto sobre a pesca artesanal, meio de vida de milhares de pessoas na região.

Já em funcionamento, a CSA foi autuada e multada pelo governo do Rio por atentar contra a saúde pública depois que por três vezes – em dezembro de 2010, maio de 2011 e outubro deste ano – uma fuligem metálica extremamente tóxica expelida pelos seus alto-fornos cobriu diversos quarteirões do bairro de Santa Cruz, vizinho à usina. Reincidente, a empresa já foi multada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em mais de R$ 20 milhões. “Já foram três cartões amarelos, mas nossa paciência com a CSA se esgotou. O próximo passo é a suspensão das atividades”, diz o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.

Problemas trabalhistas

Problemas trabalhistas também perseguem a CSA desde sua origem, quando um inusitado episódio de contratação e “importação” de operários chineses para trabalhar na construção da usina provocou a ira das centrais sindicais. Uma ação do Ministério Público do Trabalho resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por parte da empresa. Atualmente, a CSA tem 5,5 mil empregados diretos, segundo a Thyssen.

Para cumprir o TAC, mesmo em meio ao processo de venda, a CSA anunciou em dezembro que destinará R$ 4,5 milhões nos próximos três anos para a qualificação profissional de seus empregados. Os cursos serão ministrados pelo Senai, sob a vigilância do MPT, que fará sua primeira avaliação já em janeiro de 2013. A usina também está impedida de contratar trabalhadores estrangeiros para funções que não envolvam assistência técnica ou transferência de tecnologia.

 

Boas notícias para os trabalhadores

Da Rede Brasil Atual

 

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje (24) um aumento maior para o salário mínimo em 2013 e oficializou a isenção de Imposto de Renda sobre a participação nos lucros ou resultados (PLR). A informação foi divulgada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, após reunião no Palácio do Planalto.

Em relação à PLR, passa a valer em janeiro a proposta aceita pelas centrais sindicais, e antecipada pela RBA na sexta-feira (21), com isenção total até R$ 6 mil. Uma medida provisória que será publicada na quarta-feira no Diário Oficial da União fixará a alíquota de 7,5% para os recebimentos entre R$ 6 mil e R$ 9 mil. Na faixa de R$ 9 mil a R$ 12 mil, a alíquota será de 15%, e subirá a 22,5% nos ganhos entre R$ 12 mil e R$ 15 mil. Acima deste valor, continua a valer a regra atual, com um imposto equivalente a 27,5% do total. O governo estima que a renúncia fiscal provocada por essa medida tributária será de R$ 1,7 bilhão em 2013, mas ainda não é possível dimensionar o impacto que trará em termos de consumo.

A decisão foi comemorada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, que, ao lado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, respaldou a campanha desenvolvida ao longo do ano pelas centrais sindicais. “A isenção do IR na PLR é uma grande vitória para os trabalhadores. Foi importante a presidenta Dilma Rousseff anunciar a medida ainda este ano para que as categorias possam ter a isenção a partir de 2013”, disse a presidenta do sindicato, Juvandia Moreira, em nota na qual ressalta ainda que a medida representa um impulso à economia mediante o fortalecimento do mercado interno.

Dilma aproveitou ainda a véspera de Natal para anunciar que dará um reajuste de 9% ao salário mínimo, pouco mais de R$ 7 acima do valor fixado pela proposta orçamentária em tramitação no Congresso.

“A presidenta fez questão de que isso acontecesse hoje, na véspera de Natal, o reajuste do salário mínimo, que será de R$ 678. Um reajuste portanto de cerca de 9%, considerando a variação real que nós tivemos de crescimento mais a inflação. É um bom anúncio de Natal para o trabalhador, reconhecendo o esforço que todos os trabalhadores fizeram para os resultados que o país teve este ano”, disse a ministra.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência anunciou ainda que Dilma telefonou hoje para governadores de todas as regiões do país.

A presidenta deve passar a noite de natal em Brasília, volta ao trabalho na quarta-feira (26), e até o fim de semana deve ir para uma base militar na Bahia, onde passará o réveillon.

 

Mais uma do STF

 Do Correio do Brasil

 

Relator especial da ONU para liberdade de expressão, Frank William la Rue se disse escandalizado com a atitude do Supremo Tribunal Federal de derrubar a vinculação horária da classificação indicativa dos programas de televisão. Em uma visita não oficial ao Brasil, a convite do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o relator preferiu não se pronunciar sobre a concentração de poder na mídia nacional, ou a absoluta falta de marcos regulatórios para o segmento, a exemplo daqueles em vigor nos países desenvolvidos.

La Rue referiu-se à ação de inconstitucionalidade apresentada pelo PTB e apoiada pelas emissoras de TV que tenta derrubar a obrigação das emissoras respeitarem faixas horárias para veicular programas voltados apenas a determinadas idades. As palavras do relator foram claras.

– Fiquei escandalizado que o Supremo Tribunal Federal esteja vendo conflito entre liberdade de expressão e a proteção à infância. Não posso entender e em nenhum país vi uma corte suprema que esteja disposta a sacrificar a proteção da infância por outros interesses. É absolutamente absurdo. A vinculação horária não é uma violação à liberdade de expressão. A liberdade tem limites. Defendo a liberdade ampla, mas reconheço os limites. Neste caso, o Estado tem obrigação de regular a proteção da infância. Senão, dá-se a impressão de que interesses econômicos podem se sobrepor a outros interesses – afirmou.

O susto do relator tem sentido. A ação começou a ser votada em novembro de 2011, e depois dos votos de quatro ministros, todos favoráveis à derrubada da vinculação de horários, foi suspensa por um pedido de vistas do ministro Joaquim Barbosa. Desde então, o processo não foi retomado.

“Esse alerta deveria ser levado em conta pelo STF na continuidade da análise da ação. Seria muito ruim que prevalecesse no Judiciário uma perspectiva que coloca os interesses comerciais das empresas acima dos direitos das crianças e adolescentes. Entidades da sociedade civil brasileira já vinham alertando para esse perigo. O reforço, agora, vem da insuspeita relatoria de liberdade de expressão da ONU”, repercutiu, em editorial, o jornal Brasil de Fato.

 

Maior confiança em Dilma que no STF

 Da Rede Brasil Atual

 

São Paulo – Pesquisa do Ibope divulgada hoje (24) mostra que praticamente a metade dos brasileiros não confia no Supremo Tribunal Federal (STF), e 65% não depositam confiança no trabalho do Congresso. Os dois poderes envolvidos em um bate-boca político neste fim de ano mostram-se menos confiáveis aos olhos da população que a presidenta Dilma Rousseff, que em pesquisa divulgada no começo de dezembro obteve taxa de 73%.

Segundo dados publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo, o índice de 54% obtido pelo STF fica bem abaixo da instituição mais confiável, o Corpo de Bombeiros, com 83%, e está nove pontos atrás da Presidência da República como um todo, que recebe voto de confiança de 63% dos entrevistados.

Esta foi a primeira vez que a sondagem mediu o índice de confiança no Supremo, que ocupou toda sua agenda do segundo semestre com o julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão. Nas últimas semanas, os magistrados acirraram o clima com o Legislativo ao definir pela cassação de mandato dos deputados condenados pelo caso – segundo a Constituição, apenas os próprios parlamentares podem definir este tipo de questão. Entre junho e dezembro, o respaldo ao trabalho do Judiciário como um todo foi de 53% para 47%.

Os que mais confiam no trabalho dos ministros do STF são os mais ricos (60%), os moradores das regiões Norte e Centro-oeste (60%) e os que têm mais de 50 anos de idade (56%).

Em meio a pequenas variações no geral, a pesquisa do Ibope mostra que os brasileiros têm confiado cada vez menos nos meios de comunicação. Em quatro anos, o índice de aprovação do trabalho da imprensa em geral recuou de 71% para 60% – abaixo, portanto, do Planalto.

O Congresso, que despertava a confiança de 36% dos entrevistados em junho, foi agora a 35%, próximo do índice obtido pelos partidos políticos. Ambos figuram atrás da polícia, com 40%, e do sistema eleitoral, com 54%.